Um Post de 2007

[sexta passada, num Pub em IC]


“Gostaria de deixar meu espírito crítico de lado, mas percebo que é quase impossível.

Levando em conta tudo ao redor da minha vida, as coisas acabam se resumindo da seguinte maneira:

1. Eu não preciso derrubar ninguém, as pessoas caem sozinhas. É muita maldade sentir prazer em ver alguém caindo, mas às vezes fica inevitável. Longe ou perto, sempre existirão erros a serem corrigidos (ou, para os mais rebeldes, penitências a serem cumpridas).

2. A vida é cheia de altos e baixos, prova disso é o tempo que fiquei sem escrever grandes pensamentos por aqui. Hoje sei que foi um “baixo” da minha facilidade de expressão, e eu não preciso disso.

3. Liberdade é uma coisa que a gente tem em termos. Sempre estamos dependendo de algo/alguém. No final o que nos resta é abusar do livre-arbítrio, que não tem a ver com liberdade propriamente. Veja bem: você tem o livre-arbítrio de escolher se obedece as regras ou não. Caso resolva quebrá-las, terá que suportar as devidas consequencias. Afinal, a sua liberdade acaba quando a do outro começa.

4. Acredite apenas na Liberdade de Expressão, ainda que com dobraduras. As palavras às vezes não são suficientes.

5. Quando eu pensei que a vida estava devagar, que muita coisa estava ruim, surgiram grandes imprevistos. Passagens de avião, campeonatos de tênis entre os amigos, mais amigos, o frio, bons elogios, uma história engraçada de affair, e as risadas, é claro. Muitas risadas.

6. Eu percebi que apesar de sonhar e saber como tenho sonhos bem fundamentados, não posso ficar sentada esperando 2012 chegar.

7. Me dei o direito de ser o que eu quiser, sem medo. E se eu não estiver com vontade de falar com você eu simplesmente não o farei. Minha política da boa vizinhança está muito restrita. Mais exposto meu mundo, mais em risco eu estou. Essa lição foi bem aprendida.

8. Em quase oito meses ‘longe da minha vida’, percebi como me tornei muito melhor. Esperta, irônica, sarcástica, fria e muito desconfiada. O engraçado é que não consigo ser assim com *ninguém nos Estados Unidos. Aqui sou uma pessoa muito melhor. Inteligente, transparente, tranquila, amiga e muito desconfiada. Certas coisas fazem a gente mudar de um jeito…

9. Continuo sem muita paciência, porém mais tolerante. Sim, isso também existe. Não tenho paciência pra ‘faz-de-conta’, nem pra ‘joguinhos emocionais’, nem pra pessoas fracas, nem sem força de vontade. Mas minha tolerância aumentou grandemente. Tanto que por causa disso até pequenos problemas eu acabei resolvendo. É mais ou menos assim: numa situação ruim minha paciência esgota e, antes que eu faça alguém chorar, vem minha tolerância e faz com que eu somente me afaste. É assim um “sai de perto e deixa isso pra lá”… ou um “que diferença faz?”… ou então “isso aí só Deus pode mudar, não adianta querer fazer justiça com suas próprias mãos”.

10. Vai ter sempre alguém muito legal pra conversar comigo, sempre alguém muito especial pra querer saber do meu dia, sempre vai ter um e-mail lindo me esperando, ou um telefonema, uma irmã que me aguente, e todas as ilustres visitas que recebo diariamente (ainda que algumas não-declaradas), o que me faz sentir uma pessoa muito mais do que amada.

*Em plena segunda-feira, esse festival de giselosofia, poucos merecem…

Beijos, gente!
Gi.”

On September 10 2007

Não é incrível voltar quase uma década em menos de um minuto? Eu escrevi este texto em 2007 em um outro site que eu costumava atualizar sempre, e confesso que fiquei feliz com o que eu li. Claro, pelo menos para mim a mudança é nítida, mas a essência continua muito real.

Esse texto que eu escrevi ainda com 21 anos me fez pensar que amadurecer é um processo muito mais longo do que se pensa. Tudo o que eu sentia quando escrevi este post foi resultado de uma semente plantada, uma coisa que só começou a florescer agora e que acho que demorará muitos anos para realmente dar algum fruto. 

De certa forma, me dá um alívio perceber que com todos os altos e baixos estive no caminho certo o tempo todo, ou pelo menos um caminho que funciona para mim.

De tantas péssimas escolhas que eu fiz, fiz uma que foi absolutamente certeira: sempre escrever, tanto no papel quanto nos meus blogs. Se já sou grata por isso hoje, imagina em 10, 20, 30 anos…

Quis compartilhar isso tudo com vocês. Quem sabe não inspira mais alguém a começar a fazer o mesmo! 

Gi