Quando o Assunto é a Balança


Recebo dezenas de mensagens de mulheres que me acompanham pelas redes sociais todas as vezes que o assunto abordado é peso. É impressionante enxergar a sede que tantas pessoas tem – e que, na minha opinião, vai além de uma simples curiosidade – em tentar entender como alguém consegue perder peso.

Eu mesma acompanho algumas mulheres que falam especificamente disso na internet, mas nenhuma delas é considerada como um modelo a se seguir da vida fitness. Por quê? Porque são pessoas de verdade, contando as reais histórias dos seus corpos e da sua relação com a comida.

Por algum tempo, evitei falar a respeito da minha própria reeducação alimentar. Minha própria melhor amiga demonstrou uma preocupação profunda com o fato de que me expondo tanto quanto eu fazia, poderia mais me prejudicar do que me ajudar. Ela tem razão.

Não é fácil colocar a cara a tapa quando se trata do nosso próprio corpo. Não é fácil lidar com críticas, principalmente quando os ‘juízes’ decidem apitar seu jogo sem nem ao menos compreender todas as regras que o cercam. A dificuldade de escrever, gravar, fotografar e postar sobre emagrecimento é tão grande quanto o próprio processo de emagrecer. Uma caminhada cheia de obstáculos.

Porém, uma coisa que tento levar comigo para tudo na vida é que ser transparente é sempre a melhor opção. Eu não sei viver pela metade, não sei fazer nada pela metade. Se entro, entro de cabeça. E graças ao post de ontem, percebi que posso ajudar tantas pessoas através da minha própria experiência, tantas, que decidi correr este risco!

Então, vamos deixar algumas coisas bem claras. Primeiro, e mais importante de tudo: eu vou falhar. Vou comer doce, vou comer massas, vou em restaurantes, vou agir como uma pessoa absolutamente normal. Não vou perder peso toda semana, não é esse o meu objetivo, pois conheço meu corpo e entendo minhas limitações. Não vou me comprometer a abrir o quanto peso, mas vou contar o quanto perdi, quando decidir que é hora de contar. 

O que me comprometo a fazer é, sempre que falar sobre emagrecimento, ser absolutamente honesta. Não quero aumentar nem diminuir minhas conquistas e meus fracassos. O meu objetivo é aumentar minha qualidade de vida – uma constante, e não um número na balança – uma variável. 

Gostaria de dividir esta experiência com vocês, e sei que posso contar com o apoio de muitos, e por isso sou infinitamente grata. Aos curiosos (um ou outro, sempre tem) boa sorte em suas vidas, não esqueçam que jogar tetris no seu tempo livre irá agregar muito mais à sua vida do que vir aqui bisbilhotar – dizem que jogar tetris uma vez por dia por uns 30 minutos pode prevenir o Alzheimer. Aproveite melhor o seu tempo!

É isso. Sobre todo o amor de ontem, minha mais sincera gratidão.

Até breve.

Vida Que Segue

Semana passada fui à Florida a trabalho. Quem me acompanha pelo Instagram e tem paciência de seguir meus Stories e fotos já deve saber. Estive em Orlando e em Miami, e devo dizer que esta foi uma viagem muito produtiva, graças a Deus.

Trabalhei muito, o que realmente foi maravilhoso, conheci pessoas incríveis, e voltei para casa com a sensação de dever cumprido. Tive um contratempo na volta para casa, fiquei presa no aeroporto de Chicago por algumas boas horas, meu vôo para Moline foi cancelado (por motivos de mau tempo) e tive que voltar de lá dirigindo – pouco mais de 3 horas de estrada sob um temporal incessante o caminho todo. Cheguei às 3 da manhã no meu doce lar, quebrada mas feliz.

Feliz de estar de volta. Fiquei contente com tudo o que aconteceu durante a viagem, mas estou feliz de estar aqui, no meu canto. Todas as vezes que eu viajo me sinto assim, feliz por ir e mais feliz por voltar.

O que há de novo para registrar aqui? Nada de especial, na verdade. Quem viaja assim, a trabalho, com uma certa frequência como eu sabe bem o que são os momentos de ‘solidão’ da estrada. Não necessariamente solidão do tipo deprimente, mas os momentos onde, de repente, você está sozinho. 

Eu fico rodeada de pessoas o tempo inteiro quando viajo a trabalho. Mas quando volto para o hotel, entro no quarto e fecho a porta, me sinto estranhamente sozinha – não deprimida, nem triste, nem solitária, apenas sozinha. Eu, Gisele, sendo minha única companhia.

Hillstone Restaurant, Winter Park, FL


São nestes raros momentos em que eu consigo refletir (seria demais dizer ‘meditar’, demais para um pessoa como eu que pensa e age e se contorce e ri e fala sozinha, as vezes tudo ao mesmo tempo) sobre aquelas questões filosóficas da vida, algumas que valem bastante a pena, e outras que não valem absolutamente nada.

Mais estranhamente ainda, nesta viagem pensei repetidamente – e involuntariamente, diga-se de passagem – sobre a maternidade. Acho que foi porque mais uma pessoa, na melhor de suas intenções, me sugeriu que congelasse meus óvulos. O que se faz com óvulos congelados que a mulher decide não usar? Onde é que eles ficam guardados? Quanto custa alugar um espaço na geladeira de óvulos? E se decidir usar, como eles vão parar lá dentro de novo? Da mulher?

Enfim, depois pensei em filhos grandes. Pensei na Disney, não sei por quê (!?). Eu estava em Orlando, né? E depois Miami.

Pensei muito em coisas que, bom, não posso escrever a respeito – mas tudo bem, se fosse seu este texto você também iria preferir não escrever a respeito de determinada coisa, e mencioná-la mesmo assim, só porque você sabe que não há sensação mais legal do que a de provocar a curiosidade alheia! Nós, seres humanos, somos todos iguais mesmo.

E então, tive imensos diálogos com Carolina, que como sempre é a pessoa que tira a cegueira dos meus olhos. Como é que as pessoas vivem sem ter uma Carolina? Eu não sei. Graças a Deus, não sei. Mas ela me disse coisas que fazem muito sentido. A gente gosta mesmo é de especular! Mas as teorias de Carolina são sempre as melhores. Ela tem razão, sempre. Eu acredito nisso.

E foi praticamente isso o que aconteceu. Uma semana cheia, dias intensos.

Perspectiva

Desde que comecei minha reeducação alimentar com o VP acompanho uma moça de outro estado que perdeu 40 kg só com o VP, e que é uma enorme inspiração para mim. Ela tem 44 anos, dois filhos, é casada, dona de casa, e é um dos membros do programa com maior número de seguidores no Connect (rede social exclusiva do VP).

Todas as vezes que esta moça, Holy, tem uma recaída (porque sim, todos nós seres humanos temos todos os tipos de recaída, porque nossas fraquezas não mudam, o que muda é a nossa motivação) ela escreve sobre ‘perspectiva’. 

É claro que quando a Holy fala sobre isso ela fala unicamente sobre alimentação, e os fatores emocionais que estão ligados a ela. Mas muito além da alimentação, tudo o que a Holy escreve sobre perspectiva pode ser aplicado em todas as demais áreas das nossas vidas.

É muito interessante pensar que uma única situação irá, necessariamente, ser interpretada de muitas maneiras se observada por ângulos diferentes. Isso é uma coisa muito ruim, pra quem gosta de ser o dono da verdade (meu caso), mas também pode ser algo maravilhoso, pra quem precisa insistir em recomeços (meu caso).

Perspectiva, muitas vezes é disso que se precisa para mudar o rumo das coisas. 

Eu estava vivendo uma situação que – literalmente – me tirou o sono algumas vezes. Nada grave, tudo muito abstrato, na realidade, resultado da minha enorme capacidade de criar eventos, ou seja, pra dizer de uma maneira bem vulgar: fruto da minha imaginação.

Então, a vida acontece, os ventos sopram, e de repente estou de cara com a realidade. Tinha duas opções: insistir ou desistir.

Decidi desistir. Mas não é fácil desistir do que tem importância, não é mesmo? Mesmo que seja abstrato? Mesmo que seja uma irrealidade (essa palavra existe?)? Tive apenas uma opção: buscar outras perspectivas.

E, para a minha surpesa, encontrei várias perspectivas sobre este assunto. Um assunto único, uma singular situação, com multiplas facetas. A gente querer olhar para uma só faceta nada mais é do que uma escolha, muitas vezes por comodidade, muitas vezes por medo, algumas vezes por ambos (meu caso).

Mas é isso mesmo. Perspectiva. Quando você consegue dar um passo, um só passo que seja, para a direita ou para a esquerda e consegue enxergar além. Perspectiva.

É isso que desejo a você no dia de hoje.

31 anos, 1 mês, uma Viagem, dois Livros e uma Raposa

Há exatamente um mês completei trinta-e-um-anos-de-vida. Eu não imaginei que minha vida estaria como está – não imaginei que estaria assim, sendo eu, esse eu de agora.

Mas isso deve ser uma coisa boa, já que a maioria dos meus planos falha. Se eu estivesse vivendo um plano meu, provavelmente, estaria falhando muito mais (nessa parte poderia usar aquela #deusnocomando mas eu não sou assim).

Meu aniversário de 31 foi inusitado. O dia, em si, 11 de Junho. Do momento em que eu acordei até o segundo que fechei os olhos para dormir, tive um dia muito, muito inusitado. 

Estava na cidade do Rio de Janeiro, na companhia da minha melhor amiga, Carolina. Havíamos decidido como seria aquele domingo dias antes, mais ou menos assim:

Ca – “E no seu aniversário, melhor, o que você quer fazer?

Eu – “Ah amiga, não sei, quem conhece o Rio é você, você que tem que me falar o que é legal fazer.”

Ca – “Tá, mas o aniversário é seu, então você decide. O que você quiser fazer, eu tô dentro.”

Eu – “Beleza, então quero ir no Cristo. (… 15 minutos de explicação)…e estava muito nublado naquele dia, não deu pra ver nada, e eu era muito nova, não lembro dele direito, foi em 2004 (… mais uns 10 minutos de explicação)…e eu preciso mesmo viver isso de novo porque é uma experiência única, eu acho que as pessoas deveriam ir no Cristo pelo menos uma vez a cada dez anos (…mais 5 minutos de explicação)…então era lá que eu queria ir no meu aniversário!

Ca – “Tá bom, ami. Vamos no Cristo.

Eu – “De bondinho?


Já disse a sorte que tenho de ter a Carolina na minha vida? Ela me levou até o Cristo Redentor no dia do meu aniversário. De bondinho.


Como tudo o que fazemos juntas, aquele momento foi incrível. Mais uma linda lembrança para guardar comigo e carregar pro resto da vida. Eu cheguei no pé da escultura e pensei em tantas coisas. Primeiro, obviamente, tive que me concentrar e tentar esquecer as dezenas de pessoas perambulando ao meu redor, e os corpos deitados no chão pra conseguir o melhor ângulo das fotos dos cidadãos que abriam seus braços em frente ao Todo Poderoso de pedra. 

Concentração, Gisele.

Foi um momento especial, alguns segundos de meditação, pensando na minha vida até aquele momento e no que viria daquele dia em diante.


Trinta e um anos, Gisele. Feliz aniversário!


Passamos bastante tempo lá, conversando, observando a cidade, e obviamente, comprando souvenirs. Mais tarde, fomos à praia, depois jantamos em uma churrascaria. Foi um aniversário inesquecível.


Daquele dia em diante, muitas coisas mudaram, algumas apenas continuaram. Não sei se contei aqui, provavelmente não, mas estou escrevendo dois livros. Um que é uma história bem adolescente, e outro que é uma coletânea das poesias que eu escrevo. Novidade que estou estagnada em ambos? Claro que não.

Escrever, que é algo tão natural e simples para mim, se torna um enorme desafio quando penso que preciso de uma história que deverá, necessariamente, fazer sentido. Um dos motivos por eu desfrutar tanto de escrever aqui no Blog é exatamente a liberdade da falta de compromisso e comprometimento e lógica que ele representa. Hoje eu falo do meu aniversário, amanhã falarei de uma raposa, e nada precisa fazer sentido.

Por isso, acho, o livro de poesias é mais fácil. Os poemas que eu escrevo, os contos, as poesias, os versos, são todos avulsos e livres e representam, cada qual, sua própria história, seu único momento. E, no final, quando juntos, são como uma colcha de retalhos, colorida, confusa e estranhamente aconchegante.

Não deveria ter contado sobre meus livros aqui, e já me arrependi, mas vou publicar o texto assim de todas as formas porque eu sou assim mesmo, prefiro me arrepender do que está feito. O que está feito, está feito. 

Ah! Sobre a raposa?

Não há nenhuma grande história sobra a raposa. Ela olha diretamente em meus olhos todas as manhãs, e no decorrer do dia, com a feição de quem sabe como me questionar. “Até quando, Gisele?

Às vezes, encaro a raposa de volta. Ainda não tenho nenhuma resposta aos seus petulantes questionamentos.

A raposa, antes que comece o burburinho de que estou absolutamente louca, não é nada mais do que o background do meu computador. Ou talvez seja. Ainda não sei.

Todo Brasileiro Precisa Conhecer Brasília

Devo começar este texto com dois alertas:

1 – Caro leitor não-paulista, lembre-se que nasci e fui criada em São Paulo, o que significa que sou uma pessoa tendenciosa, ainda que inconscientemente, e graças ao estilo de vida que se leva em uma cidade como Guarulhos, que é só uma extensão da cidade de São Paulo, really, a maioria de nós, paulistas, paulistanos, guarulhenses e afins, nunca sentiu muita necessidade de explorar os demais estados brasileiros (a não ser, é claro, os pontos turísticos ‘da moda’, como um dia foi Porto Seguro, como hoje em dia é Trancoso – ou Jericoacoara, de acordo com Carolina que me corrigiu, e essa coisa toda). 

2 – Caro leitor paulista: quanto à declaração anterior – há exceções, e eu espero de todo coração que você seja uma delas.

Ressalvas declaradas e entendidas, vamos ao texto.

Como descrever Brasília? Eu diria que é quase impossível descrever Brasília com uma só palavra. Brasília não é como outras cidades, não é como nenhuma outra cidade que eu conheci. Consigo encontrar uma única palavra para descrever muitos dos lugares que visitei, e estas palavras surgem de imediato só de pensar no cartão portal de cada uma delas. Quer ver só? São Paulo – caótica. Guarulhos – provinciana. Rio de Janeiro – contrastante. Viena – cultural. Chicago – sofisticada. Los Angeles – hipster. Santiago – compacta. Las Vegas – descartável. Miami – exibida. É tão fácil descrever estes lugares, tão óbvios. Menos Brasília. Brasília não tem absolutamente nada de óbvia. 

Em 2004 quando entrei na faculdade de Arquitetura falamos incansavelmente sobre Brasília, graças ao gênio Niemeyer, que no finalzinho da década de 50 juntou todos os seus croquis, esquadros, compassos, transferidores e escalímetros, colocou embaixo do braço e construiu a única cidade planejada do nosso país. Vista de cima, ou através da maquete, como na foto abaixo, fica evidente que a composição da cidade é no formato de um avião. Por isso, e agora passei a entender muito mais as letras do meu amado Renato Russo, existem áreas chamadas Asa Norte e Asa Sul – as asas do avião, formato da cidade. (A propósito, clichê que sou, tive que escutar Legião o tempo todo que pude enquanto estive lá. Todas as letras tomaram um sentido muito único, muito real. É muito bom ser clichê. Gisele – clichê. Ainda bem que não sou cidade.)

Eu tive uma única janela de tempo entre as minhas reuniões onde pude, num período curto de tempo, passear pela cidade. Tive muita, mas muita sorte, porque o taxista que me atendeu, Sr. Raimundo, é um mineiro que vive na nossa capital há mais de 40 anos. Ele conhecia Brasília como a palma da própria mão. Sr. Raimundo me levou para conhecer praticamente todos os lugares imperdíveis da cidade, mas não foi apenas isso – ele parou local por local para que eu pudesse conhecer tudo o máximo possível, entrou junto comigo em tudo o que eu queria ver, e ainda se prontificou a tirar fotos minhas com as paisagens! Sr. Raimundo, não há palavra suficientes para agradecê-lo pela sua enorme gentileza e disposição.

Nossa primeira parada foi no Santuário Dom Bosco, uma igreja católica criada por Lúcio Costa em homenagem ao padroeiro da cidade. Eu não sou católica, mas sou apaixonada por igrejas e templos, e mesmo com todas as igrejas que eu já visitei até hoje, na minha opinião nenhuma conseguiu superar a beleza ímpar e a atmosfera de paz desse lugar. Deus permita que eu volte com mais tempo, porque quero realmente me sentar e contemplá-la como ela merece.

Passamos por todos os prédios das nossas instituições, como o prédio da Caixa Econômica Federal, o prédio da FUNAI, a Biblioteca e o Museu Nacional, os prédios de todos os Ministérios (isso é muito interessante, olhando da rodovia parece até uma biblioteca onde cada prédio dos Ministérios é uma prateleira separada por gênero – Trabalho, Fazenda, Cultura, Educação, Saúde, etc).

Sr. Raimundo me levou também para conhecer a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, essa sim de Oscar Niemeyer. Não há palavras para sintetizar a beleza desta igreja.

Chegamos, então até a Praça dos Três Poderes. E foi aí que eu senti algo que, mesmo com toda a minha facilidade de dissertação, serei incapaz de descrever. Estive frente à frente com a Gisele brasileira, a Gisele 100% brasileira, sem interferências de etnias ou da genética, eu encontrei a Gisele que nasceu em solo brasileiro. Parece loucura. Talvez seja, mesmo. Principalmente quando não se vive mais no Brasil. Estar na Praça dos Três Poderes, enxergar com meus próprios olhos o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, neste momento tão crítico em que vive a nossa nação, a minha nação, o meu povo, significou tanto na minha vida que eu não consegui conter uma emoção que eu, com toda honestidade, não imaginava carregar dentro de mim.

Eu me senti tão profundamente grata por ter nascido no Brasil. Me senti orgulhosa, porque apesar de todas as dificuldades, apesar de todas as péssimas escolhas relacionadas aos nossos governantes, apesar de tanta injustiça, de tantos problemas, somos uma nação forte, resistente, corajosa! Talvez todas as minhas palavras soem como um grande devaneio, mas não há maior verdade na vida do que esta: só passamos a enxergar um cenário todo e realmente compreendê-lo quando o observamos à distância. E eu venho observando meu país na última década, e percebo que, ainda que pareça impossível, ainda que não se encontre alternativas permanentes de mudança e melhoria, ainda assim há esperança. 

Eu não sei como, não sei quando, mas tenho certeza de que um dia conseguiremos superar tanta opressão e desigualdade. Brasília, por mais irônico que seja, me ensinou exatamente isso. Sabe quantas pessoas de bem eu encontrei nesta viagem? Sabe quantas gentilezas me foram prestadas? Sabe quantas demonstrações de honestidade, trabalho árduo, empreendedorismo e sucesso me foram ofertadas? Eu não saberia contar. Foram muitas.

Fui ao Palácio da Alvorada, fiquei admirada com as emas ciscando como galinhas e com a guarda do nosso Exército que protege o local. 

Acho que no fundo, Brasília pode ser descrita como o Sr. Raimundo. Tanto potencial, tanta engenhosidade, tantas histórias, tanto trabalho. Brasília é muito mais do que os políticos que alí vivem. Brasília é muito mais do que um pedaço de solo e uma maquete. Brasília é o espelho do nosso povo. 

É impossível falar tantas coisas sobre uma cidade inteira, ainda mais sendo a capital de uma nação, em um único post. Como fiquei um tempo muito curto por lá e por ter ído a trabalho, infelizmente não posso comentar muita coisa sobre a parte do entretenimento, restaurantes, shoppings, etc. Também preciso voltar para fazer o passeio do Itamaraty e do Instituto JK, que já sei que são imperdíveis. Volterei, Deus permita, muitas vezes para a minha Brasília (espero que meus queridos leitores donos verdadeiros desta terra não se incomodem e me perdoem pela linguagem possessiva, mas eu realmente acredito que todos nós, brasileiros, temos o direito e o dever de tratar Brasília como o nosso lar – porque no fundo, na estrutura, nas leis, nas decisões e nas consequências, ela realmente é).

Minha maior tristeza foi ter esquecido meu ímã de geladeira de Brasília. Não me perdoarei por isso! Mas quando voltar, comprarei dois.

Brasília, agradeço imensamente por ter despertado minha consciência cívica, minha real identidade, e por ter me recebido da maneira como me recebeu. A você, meus eternos respeito e admiração.

Quem quiser os serviços de táxi do Sr. Raimundo, que recomendo inequivocamente, o número é +61-99982-7460.

Pies Descalzos, Sueños Blancos

Já nem sei há quanto tempo sonho em aprender a tocar violão. A verdade, acho, é que este era um sonho enrustido, que existiu apenas na minha negação – a questão era sempre andar na contramão do pai e da mãe, fazer (ou tentar fazer) exatamente o oposto do que eles esperavam ou que gostariam que a gente fizesse. “Não gosto de Guns’n Roses” foi a primeira alegação estúpida da minha adolescência, porque eu – por algum motivo – achava que meu pai gostava de Guns’n Roses. Pasmem: meu pai nunca ligou a mínima para Guns’n Roses. Ele, na verdade, tem um verdadeiro bom gosto musical, que eu acredito ter herdado completamente, e quem sabe até não usou alguma frase como “Guns é legal” em algum momento da minha iniciação musical, sabendo dos efeitos que esta frase causaria na minha mente, evitando assim o aborrecimento de ter Axl gritando pelos alto-falantes da casa “OOOOooOOOooOOOooo Sweet Child’o Miiiiine!”. Esperto, meu pai.

No fundo, no fundo, eu queria tocar guitarra. Mas não tive coragem de proferir a negativa em voz alta (“Não quero tocar guitarra”) – no caso, declarei aos 15 anos “Quero ser baixista”. Meu pai levantou a sobrancelha esquerda (genética, eu só consigo levantar a sobrancelha esquerda, mas há chances que tenha sido a direita, meu pai é muito mais habilidoso com suas sobrancelhas do que eu), me olhou por cima dos óculos e disse: “Certo. Vou arrumar um baixo pra você. Emprestado. Se você der conta, vemos de comprar um.” O baixo emprestado morou pouco mais de 12 meses no meu quarto. Eu não dei conta.

O tempo passou e eu decidi que “música não é pra mim”. Minha mãe, musicista formada pelo conservatório e pela universidade, achou que era importante que eu aprendesse algum instrumento (devidamente feminino). Como não levo o menor jeito para a flauta transversal (seu instrumento, e ela toca incrivelmente bem), me colocou nas aulas de teclado. Durei por cinco anos, e foi legal. Eu até cheguei a gostar de tocar, em algum momento, e as professoras eram quase minhas terapeutas. Foi uma época divertida, importante pra mim. Mas, passou. E “música não é pra mim” seguiu sendo meu lema.

O lema durou por mais de uma década. E para uma geminiana enjoada como eu, realmente não fazia sentido nenhum não esquecer a idéia do violão. De tempos em tempos eu cogitava “vou comprar um e dane-se”, mas desistia. Desisti algumas centenas de vezes, mas não o suficiente para esquecer.

E foi então que há duas semanas, de uma maneira totalmente aleatória, lá estava eu, Gisele, beirando os 31 anos de idade, usando um colete rosa-choque tipo caneta marca-texto, dentro da Guitar Center, em busca de um violão. “What the hell, Gisele?” – pensei umas três vezes. Paguei o maior mico do mundo com o vendedor, um moleque que aposto ser menor de idade, com os cabelos maiores que os meus, segurando o riso, tentando me mostrar as diferenças entre um instrumento e o outro (não o culpo, acho que os olhos dele estavam ardendo um pouco por causa do meu colete). 

Pensando em poupá-lo da dor nos olhos e nos ouvidos, pedi com todas as letras que ele me deixasse sozinha para escolher o pobre violão. Eu não sou uma pessoa que tem problemas em comprar nada (vide o colete rosa-choque), mas fiquei perdida em meio a tantas opções (não tinha nenhum violão rosa-choque, infelizmente). Brincadeiras a parte, escolhi. Há tempos não me sentia tão feliz.

Desde então venho praticando, primeiro sozinha, e por fim com a ajuda do meu pai que – como ele mesmo já sabe – é um ótimo professor. Ele me ensinou a tocar Amazing Grace (um hino evangélico), mas eu reaproveitei os mesmos acordes para tocar uma música da Shakira (vestígios da rebeldia adolescente?). Ontem fiquei muito tempo treinando a mesma música, rindo sozinha com meus erros e acertos. 

Não há, de fato, uma moral muito enigmática nessa história. A moral é muito óbvia. Tão óbvia, que não preciso descrevê-la. Essas conversas que ando tendo com meu eu adolescente são as mais proveitosas. Um pouco inúteis, acho, mas resultam sempre em bons sentimentos. “Evoluí” – digo à Gisele adolescente. 

Ela ri.

30 Dias Para os 31


Vamos tentar fazer um cowntdown até o dia 11 de Junho? Vamooooos!
Não, não prometo que vou conseguir postar todos os dias. Mas queria pelo menos tentar. É um jeito de tentar aproveitar intensamente cada um destes meus últimos dias com trinta anos de idade. É engraçado porque esse ano um monte de gente que eu conheço faz trinta – é engraçado pensar “been there, done that”, sabe?

Agora eu definitivamente me sinto muito mais adulta e dona do meu nariz do que quando estava na casa dos vinte. Não dá pra explicar muito bem como isso acontece, simplesmente você acorda um dia, se olha no espelho e pensa: trinta. Na figura refletida, nada mudou – nem a pele, nem o cabelo, nem o corpo, nem os hábitos. Mas por dentro, é como pressionar um botãozinho que diz “é isso aí, welcome to real life!” – e de repente tudo vem à tona.

Você pensa no mundo de outra forma, pensa na sua própria existência de outra forma. Os ‘grandes problemas’ que você achava que tinha resumem-se agora a um belo e redondo NADA. O que não importava, agora importa. O que importava, você nem lembra mais.

Veja bem, eu abandonei coisas que amava, como meus videos no YouTube (e não quer dizer que seja para sempre, mas se for, tudo bem), e passei a fazer questão de me preocupar com a minha saúde. Na verdade, é mais profundo que isso, mas acho que só vou conseguir explicar melhor depois dos quarenta (ou cinquenta… ou sessenta…).

Desejo de hoje: continuar focada no que importa de verdade. 

Para cada dia do countdown, um desejo. O de hoje é só esse.

G.