Exercícios, Restrições e Resultados

As sugestões que vocês me mandam pelo Instagram são preciosíssimas. Preciso agradecer a cada pessoa que, de alguma forma, sendo através de pedidos, sugestões ou simplesmente demonstrando tanto apoio e carinho nesta minha jornada tem, indiscutivelmente, impactado e agregado tanto ao conteúdo do blog. Eu realmente preciso desses incentivos para conseguir guiar e abordar os assuntos mais pertinentes a vocês, portanto, muito obrigada!

O post de hoje foi sugerido pela minha querida Fernanda Fontana, e ela me mandou a seguinte mensagem: “Fala do HIIT, Gi… Também gostaria de saber mais sobre os alimentos que você baniu da sua dieta e os efeitos positivos que está vendo nesses meses.” – Ou seja, falaremos sobre exercícios físicos, restrições e resultado. É muito assunto bom para um único post! Vamos lá!

O que é o HIIT? HIIT é uma sigla para o seguinte termo: High-Intensity Interval Training – traduzindo ao pé da letra: Treino de Alta Intensidade com Intervalos ou, traduzindo do meu jeitinho: canseira desgramada que queima até a gordura dos cabelos! Há!

Eu vou falar unica e exclusivamente sobre o treino que EU faço, que é o mais, mais, MAIS BÁSICO tipo de HIIT que existe. Portanto, aos experts de plantão: tomem nota disso! E aos leigos que necessitam de mais informações: 1) pesquise muito pela internet e 2) não deixe de procurar um profissional da área que possa te auxiliar. Existe uma variedade de estilos de HIIT, você pode fazer HIIT na bicicleta, na esteira, no elíptico, etc, etc, etc, ou pode também fazer em casa, sem aparelho nenhum – que é o meu caso.

O que este treino tem de especial? Ele é rápido. Você pode fazer um HIIT de 15 minutos e queimar o dobro de calorias de uma hora de esteira ou bicicleta. O diferencial é que ele realmente consiste em períodos de movimentos com alta intensidade intercalados com intervalos de “descanso em movimento”, por exemplo, 30 segundos em alta intensidade seguidos de 10 segundos de descanso em movimento, repetidas vezes.

É isso o que posso dizer a respeito do meu treino. Uso dois canais no YouTube, o Fitness Blender e o Exercícios em Casa. Dá resultado? Sim! Muito! Mas tem que fazer com cuidado pra não se machucar. O melhor caminho é contratar um personal trainer que te auxilie nas atividades físicas, mas caso esta não seja uma possibilidade, faça em casa, mas vá com calma. NÃO DEIXE DE ALONGAR ANTES E DEPOIS DE CADA TREINO! E procure um profissional. Sério.

Alimentos que bani da dieta: como você provavelmente já sabe, eu sou adepta da alimentação LCHF (low carb high fat), cuja base é o consumo de vegetais em geral e proteína animal junto à sua gordura natural. O que eu considero que bani do meu dia-a-dia – farinha (glúten) e açúcar (de todos os tipos). O que comer? Quanto comer? Não posso te dizer! O que posso dizer é: procure um médico que te auxilie nessa parte. Mas informação nunca é demais, portanto sugiro três leituras básicas para quem se interessa na alimentação LCHF:

– Barriga de Trigo do Dr. William Davis

– Por Que Engordamos e o Que Fazer Para Evitar do jornalista Gary Taubes

Blog Ciência Low Carb do Dr. José Carlos Souto

Sobre efeitos positivos: tudo muda. Quando a gente muda por dentro, tudo muda por fora. Seja para o bem ou para o mal. No meu caso, inquestionavelmente, ocorreu uma mudança para o bem. Eu me sinto infinitamente mais disposta, mais atenta, mais produtiva, todos os efeitos fisiológicos de um corpo saudável. Houve melhora na minha queda capilar, na minha pele, e até mesmo no meu ciclo menstrual, que se regularizou (falarei sobre isso em outro post). Isso, é claro, além dos muitos quilos eliminados.

É inegável que a combinação “dieta + exercícios físicos” dão certo. Mas você precisa encontrar o seu caminho. A dieta que você se adequa, o exercício que você gosta. Tudo isso é, na minha opinião, o que mais importa. Como você se sente fazendo o que está fazendo. A LCHF não é para todos (mas todos deveriam banir o glúten e o açúcar, e isso nada tem a ver com uma alimentação low carb!), assim como o HIIT não é para todos (mas todos deveriam alongar antes e depois de qualquer exercício físico!).

O fundamental é encontrar o seu caminho, encontrar o que te faz feliz, e sempre, acima de qualquer coisa, acima da vaidade e da competitividade, buscar melhorar a sua saúde em primeiro lugar.

É isso, turma.

Gi

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Dieta X Vida Social

Agosto de 2014 x Janeiro de 2017

Hoje é dia 15 de Março de 2018. Hoje, completo exatos seis meses vivendo com a liberdade e os deleites da alimentação low carb. Hoje é dia de conversarmos sobre o meu processo de emagrecimento, do ponto de vista do “usuário” (não sou médica, lembra?), onde abro alguns capítulos da minha nova vida, compartilhando minhas lutas e conquistas.

O tema de hoje foi sugerido pela Tamilis, lá no Instagram (onde costumo abordar mais o assunto emagrecimento/corpo) e eu achei mais do que pertinente escrever a respeito. A Tamilis me mandou a seguinte mensagem: “Como você lidou com o fato de estar de dieta e sua família/amigos não? Em relação aos encontros, festas de família/amigos, como você venceu e não jogou a dieta para cima?” – em outras palavras, como é a vida social de quem é adepto a uma dieta?

Para responder tal pergunta, preciso dividir minha resposta em duas partes, já que meu processo de emagrecimento aconteceu em duas partes – a primeira com o Vigilantes do Peso, e a segunda com a alimentação LCHF (Low Carb High Fat).

Entre junho de 2015 e junho de 2017 segui a dieta dos Vigilantes do Peso. Naquela época, com o sistema de contagem de pontos, teoricamente ou supostamente as ocasiões sociais deveriam ser mais fáceis – você economiza os pontos do dia, os pontos extras da semana e os pontos adquiridos através da prática de atividades física (o aplicativo calcula tudo pra você) e pode, então, utilizá-los para eventuais compromissos sociais. Realmente, na teoria era lindo. Na prática, outra história.

Como a dieta dos Vigilantes do Peso é baseada no baixo consumo de gordura e alto consumo do carboidrato, a única fórmula para que a perda de peso ocorra é através do corte (redução drástica) de calorias por dia. Isso é muito, mas muito difícil. Não é uma dieta ineficaz, mas demanda um esforço muito maior por parte do cliente, e é extremamente fácil de ser sabotada. Era o meu caso. Eu guardava os tais pontos para determinadas ocasiões, mas na hora H não contabilizava com precisão os de cada coisinha que eu ingeria. Primeiro, porque isto é algo muito trabalhoso (tem o fator esquecimento acidental, o fator esquecimento proposital e o fator preguiça). Segundo, porque às vezes, torna-se impossível – não dá pra saber a quantidade exata de cada ingrediente de cada prato da festa, nem mesmo do restaurante. Era mais fácil desistir, ou só “contar por cima”, comer até explodir e seguir em frente, lidando com toda aquela culpa…

O negócio é que é muito difícil estar num círculo social e ser o único a comer uma salada (sem azeite, diga-se de passagem) enquanto todos ao redor da mesa devoram seus hambúrgueres e fritas. Mesmo um pratinho com arroz e peixe, ou um peito de frango seco com brócolis sem gosto. Não há comparação. Você olha para a situação e pensa: “não é justo…”

Minha história mudou quando me tornei low carber. Tem noção do que é entrar numa churrascaria e arrebentar, e no dia seguinte ver ZERO diferença na balança? Pois é, aconteceu comigo duas semanas atrás.

A dieta LCHF tem pouquíssimo impacto na minha vida social. Não estou dizendo que seja fácil ou que eu não passe vontade, afinal não consumo açúcar e farinha, então obviamente há momentos em que fico com vontade de comer algumas coisas. Mas, veja bem, o jogo da Low Carb é um jogo mais justo. Enquanto todos ao meu redor comem seus hambúrgueres com fritas, eu, na minha “dieta” posso comer um super t-bone mal passado feito na manteiga, com vegetais temperados com azeite e uma batata doce maravilhosa (frita, assada, em purê…). E o melhor: sem a neura das porções! Como até ficar satisfeita. Se é mais ou menos, não tem importância! É muita liberdade. Isso não é perder! Isso é aproveitar tanto, ou até mais, do que todos na mesa! Qualquer estranho que não me conheça jamais saberia que estou “de dieta”. É um jogo onde eu só saio ganhando.

Além disso, qualquer restaurante irá oferecer uma opção que se encaixa ao meu estilo de vida. Qualquer um, em qualquer lugar do mundo. Bicho e planta, não tem dificuldade. Não tem que andar com balança e medidor na bolsa. Não precisa de aplicativo nenhum. Você simplesmente sabe o que fazer. Tudo fica muito mais simples.

Para responder mais especificamente à pergunta da Tamilis, primeiro de tudo, deve haver aceitação por parte de quem está em processo de emagrecimento. Aceite. A decisão de emagrecer foi sua, e o sucesso do processo só depende de você.

Eu sou casada com um americano que não faz dieta. Não é fácil. Eu passo vontade as vezes, sim. Mas tento me lembrar de uma técnica muito boa que aprendi com a minha coach: a técnica do céu-inferno. Quando me vejo em qualquer situação de vontade de comer o que não entra na minha alimentação, me pergunto: “quantos segundos vou estar ‘no céu’ comendo esse pedaço de pizza e quantas horas ou até mesmo dias vou ficar no ‘inferno’ por causa dele, depois?” – veja bem, não estou falando só de culpa, mas de efeitos fisiológicos, que serão acusados na balança e fora dela! Desisto de comer. A vontade passa.

Outra coisa que faço muito se começo a ter vontades e estou em casa – saio da cozinha e vou provar minhas roupas. Não há inibidor de apetite melhor! Pego a calça mais justa, a blusa mais colada, o vestido mais agarrado! As vezes, até mesmo meus biquinis, e vou pra frente do espelho. Se não está bom, por quê comer o que não preciso? É como eu me ajudo. Tenho uma meta a cumprir.

A verdade é que enquanto a pessoa continuar dando desculpas a ela mesma, nada irá mudar. Aniversários, feriados, batizados, casamentos, viagens, gente, tudo isso faz parte da vida! Nenhum desses eventos sociais vão deixar de acontecer. E, perceba, 90% destas ocasiões acontecem NAS MESMAS ÉPOCAS TODOS OS ANOS. Natal é sempre dia 25 de Dezembro. Isso NÃO vai mudar! Entende? É uma data especial? Sim. Mas não precisa ser uma data gorda! A mesma coisa com todas as outras ocasiões! Trate estes eventos como dias comuns de alimentação. Desvincule aquela ocasião da comida. Pense no real motivo da ocasião: comemorar algo, alguém! Foque nisso. Você não tem noção do quanto irá se sentir mais forte poucas horas depois destes eventos terem terminado. A sensação de auto controle é impagável.

No escritório toda semana tem alguma guloseima – cookies, donuts, chocolate, cheesecake! Toda semana! Eu percebi isso e entendi que estas JAMAIS serão minhas últimas chances de comer estas besteiras! Aliás, todas essas gordices vem de mercados e restaurantes que ficam minutos de onde eu moro. Posso comprá-las a qualquer hora! Por que preciso comer um donut às 15h de uma terça-feira? Qual a necessidade? Eu adoro donuts, mas comê-los sem nenhum motivo faz com que eles deixem de ser especiais. Torna-se algo banal. Entende?

A vida das pessoas ao nosso redor NÃO vai parar porque EU estou de dieta. Não mesmo! Mas quando você perceber que 1) todos esses eventos sociais fazem parte de um ciclo infinito e irão se repetir todos os anos, todos os meses e até todas as semanas e você não está perdendo nada se não partilhar das gordices e 2) quando você encontrar uma dieta que faça você feliz, que seja saborosa, fácil e simples de seguir, e que te dê ótimos resultados, você terá encontrado o caminho para vencer todas as tentações da vida social, e sua dieta terá muito mais valor do que a comida daquela ocasião, portanto você jamais irá jogá-la pra cima!

Por hoje é isso.

Gi

Dois Meses Fazem Diferença

Entre uma foto e outra temos nove semanas de diferença. Nestas nove semanas, entre o dia que eu recebi este vestido (comprai na Zara, online) e o dia que pude usá-lo com total auto-confiança, houveram muitos altos e baixos.

Eu tive o peso empacado por algumas destas semanas, eu tive a pior TPM da minha vida (de verdade, não lembro de ter passado por nada igual antes), tive festas de aniversário, jantares com amigos, e inúmeras tentações no escritório. Definitivamente, não foram nove semanas fáceis de se viver.

Mas eu sobrevivi. Não só sobrevivi, como aprendi muitas coisas.

A primeira delas é que é necessário ser consistente com a dieta. Faça sol, faça chuva ou neve, o peso empacado na balança ou não, é o quanto eu sou consistente que vai trazer resultados. Uma hora, a balança corresponde.

E correspondeu. Na TPM apelei para o bolinho low carb de caneca, feito no micro, e ao chocolate 85%, às vezes derretido para comer com morangos, outras vezes acompanhando um café preto puro, outras completamente sozinho. Segui, firme e forte.

Eu pensei em desistir. Não uma, duas e nem três vezes. Não foi um começo de ano fácil para mim. Eu tive crises existenciais, crises emocionais, problemas de relacionamento de vários tipos. Segui em frente.

Quando recebi meu vestido pelo correio, corri para a frente do espelho para vestí-lo. Apertado! Marcando muito. Disse para a Carol: “quando eu estiver com uns 5kg a menos ele vai ficar bom”.

Nove semanas mais tarde, depois de muito foco, muita garra e muita paciência, eliminei os quilos necessários para me sentir bem dentro do vestido.

Eu consigo perceber o quanto diminuí nestas nove semanas. Minha barriga, meus braços, as gordurinhas sobre a costela, o busto, as pernas, tudo! Até o rosto. Desinchei demais.

Não comer açúcar nem glúten é o segredo desse desinchaço. Pode não fazer efeito na balança de imediato, mas nas medidas…

Então, algumas conclusões a serem consideradas:

1) A vida acontece. Não adianta querer esperar por um “bom momento” para mudar sua alimentação. E mesmo depois que você já estiver acostumada com uma nova maneira de se alimentar, a vida acontece, e você não pode desistir.

2) Nos momentos de TPM não deixe de pensar na sua saúde. Eu provavelmente comi, naquela semana da TPM intensa, um pouco a mais de chocolate 85% do que deveria, mas não houve nenhum estrago maior, comparado ao que eu costumava comer antes, e o que poderia ter comido.

3) Tire suas medidas. E tire fotos. Não há nada que evidencie mais o progresso do emagrecimento do que estas duas coisas.

4) Por ultimo, e o mais importante de tudo: seja consistente. Não deixe que a balança ou os dias ruins tirem seu foco. Seja consistente, e o resultado virá.

Beijos,

Gi

Papo Gourmet: Bolo Paçoca Low Carb

🥜 Bolo Paçoca Low Carb 🥜

Massa:

-3 colheres (sopa) de pasta de amendoim sem açúcar

-3 ovos

-2 colheres (sopa) de manteiga

-100 ml de leite de coco (ou amêndoas)

-1 colher (sobremesa) de fermento em pó

-1 xícara de farinha de amêndoas

-6 colheres (sopa) de xilitol

Preparo: bata todos os ingredientes no liquidificador e coloque numa forma untada; asse a 180C por cerca de 35 minutos (faça o teste do palito).

Cobertura:

-3 colheres de sopa de pasta de amendoim sem açúcar

-1 lata de creme de leite

-3 colheres de sopa de xilitol

Preparo: misture todos os ingredientes em um Bowl até ficar bem homogêneo, despeje por cima do bolo já frio.

Fiz este bolo ontem, Josh amou! Fica bem fofinho e com gostinho de paçoca! A cobertura fica maravilhosa e serve também de recheio, se preferir.

Olá, Meu Nome É Gisele e Eu Sou Low Carber

Existe apenas uma rede social onde falo com mais frequência sobre meu processo de emagrecimento, o Instagram. Portanto, se você não está por lá (e tudo bem se não estiver), provavelmente não sabe muito sobre minhas aventuras dos últimos tempos.

Muitas coisas tem acontecido, eu mudei. Uma frase tão pequena esta… “eu mudei”. Mas é a única que sintetiza tudo, por dentro, por fora e ao redor da pessoa que eu sou hoje. Como já contei pelo Instagram, não sou muito favorável aos rótulos da vida – acho que quanto mais rótulos, mais separação, mais distinção, mais desunião, mais incompreensão, mais necessidade de se provar e de provar que o outro é errado. Eu detesto tudo isso. Somos todos seres-humanos com total possibilidade de conviver com diferenças – o que falta é empatia, compaixão, sensibilidade. Falta querer. E é por isso que eu venho relutando muito para escrever aqui (onde tenho controle nulo de quem lê) ou de falar a respeito nos meus videos no YouTube (onde tenho controle nulo de quem assiste) a respeito do seguinte fato: eu sou low carber.

É uma frase um pouco idiota, essa. “Eu sou low carber”. Que raios isso quer dizer? Que tipo de rótulo é esse? Por que isso importa? “Não, Gisele, não faz a menor diferença se rotular assim ou não”, foi o que disse a mim mesma centenas de vezes. Substituía termos como “low carb” por “de baixo carboidrato”, ou por “alimento natural”. Mudada e relutante, duas palavras que me descreveriam bem nos últimos meses…

Mas importa. Importa dizer nossa condição em alto e bom tom! Importa vestir a camisa totalmente. Importa, porque, se é assim que eu vivo, qual o problema? “Modinha”. Tudo bem, tudo bem. Mas eu adoro uma modinha…. Pode me odiar. Só que se alimentar de bicho e planta não é modinha. Nossos corpos foram criados para isso! Então tira essa ideia de modinha da cabeça, e pensa nos fatos. Comida de verdade. Alimentação natural. Não aos processados. Não ao artificial. Sem farinha. Sem açúcar. É modinha? Tem certeza?

Hoje completo cinco meses de low carber. Há cinco meses, tomei uma das melhores e mais assertivas decisões da minha vida. Desde então minha vida virou do avesso. Parece que meu cérebro passou a funcionar com mais potência. Parece que eu acordei de uma inércia biológica e psicológica, física e emocional. Tantas coisas que eu desprezava, passei a adorar. Tantas coisas que eu amava, passaram a me incomodar. Eu passei a detectar melhor meus sentimentos, minhas sensações, e fiquei incrivelmente mais…sensível. Esta parte está sendo a mais difícil, eu confesso. Mas é necessária.

E foi o fato de me tornar low carber que me deixou mais sensível? Absolutamente não. O negócio é que todo mundo pensa que emagrecer tem a ver com a boca – ledo engano! Emagrecer tem a ver com a CABEÇA. E tudo o que tem a ver com a cabeça é um processo, um processo longo, um processo longo e complexo. A complexidade do emagrecer envolve tudo, muito além da comida: os ambientes que você frequenta, as atividades que pratica, as conversas que participa, os livros que lê, os programas de TV que assiste, os passeios que sente prazer, o modo de descanso, a busca do novo, o aprimoramento da auto—estima, o empoderamento, o aprender a dizer não, a libertação da escolha, o autocontrole, o lidar com o fracasso, o lidar com o sucesso, a auto-reforma, o entendimento da necessidade da mudança, o objetivo traçado a curto, médio e longo prazos, ou seja, uma decisão iniciada com a cabeça irá com toda certeza tocar todas as áreas da sua vida! Inclusive a espiritual – sabe quantas vezes me peguei pensando no dia que estiver cara a cara com Deus e tiver que me explicar do porquê não cuidei do corpo que Ele me deu? Eu não quero passar por isso. Esta também é uma responsabilidade do espírito.

O dia em que entendi que o que havia de errado comigo era minha relação com a comida, tudo se tornou claro, transparente, óbvio diante dos meus olhos. O choque de realidade não é fácil, mas prefiro mil vezes lidar com a dificuldade do que com a ilusão da minha realidade. Eu estava vinte e cinco quilos acima do peso, doente do coração, com a auto-estima no chão, comendo de forma irresponsável e compulsiva. É difícil enxergar e aceitar a realidade como ela é. Mas só isso pode fazer com que você tome coragem para reverter a situação inteira.

Hoje comemoro cinco meses de low carber (paleo), com 19 kg eliminados e com perspectivas maravilhosas para meu próprio futuro. Hoje decidi que não há porquê ter medo de me rotular, não porque eu queira estar acima do bem e do mal, nem porque acredite ser a dona da razão, a única certa. Mas porque foi este caminho que me trouxe até onde estou. Foi o caminho que escolhi percorrer por muitos anos, o caminho que me trouxe paz de espírito e consciência do que eu quero para mim.

Todo dia 15 de cada mês irei abordar este tema aqui no blog. Hoje foi mesmo a apresentação oficial, mas nos textos futuros irei ser mais prática, mais objetiva, e irei compartilhar tudo o que venho aprendendo do que considero de valia e ajuda a outras pessoas também.

Sigo em frente, muito mais firme e muito mais forte do que nunca.

Gisele

Nós Somos Bicho

Eu não sou muito de ir em médico pra coisa nenhuma, mas lembro bem dos médicos que cuidaram de mim durante toda a infância. Eu nasci e cresci em São Paulo, um estado que teve a sorte de receber muitos imigrantes japoneses. Ambos, Dra. Yvete, minha pediatra, e Dr. Mario Yamashita, meu otorrino, eram japoneses.

Lembro de um episódio desses ‘clássicos da infância’ em que tive um tipo qualquer de virose. Devia ter por volta de 8 anos de idade e, naquela época, eu ainda não era muito boa de prato. Nunca fui uma criança obesa, mas também nunca fui magrela. Era, como sempre ouvi, ‘normal’. E neste episódio, mamãe me levou à clínica da Dra. Yvete. Ah! Como tudo era mais simples e despretencioso naquela época.

A Dra. Yvete me receitou um remédio de gosto horroroso, mas de uma coloração tão, mas tão rosa-choque, que eu conseguia até ficar feliz em ter que tomá-lo. Era o remédio (líquido, por sinal) cor-de-rosa mais fosforescente que você pode imaginar. Acompanhadas do remédio, as seguintes recomendações: “Comida: fria. Não tem fome, não come. Gelatina e Coca-Cola, a hora que quiser.” Eu sarei. 

Depois de alguns anos, foi o consultório do Dr. Yamashita o que eu mais frequentei. Foi a fase das intermináveis dores de ouvido e dores de garganta que toda criança passa. Naquela época, já acompanhada da Letícia (minha irmã, caçula). Eu ficava impressionada com a precisão do Dr. Yamashita e com tudo naquele lugar. Até hoje, lembro exatamente da sala de espera e do consultório que era dividido em duas partes, uma com sua escrivaninha, e a outra com a maca e as luminárias que brilhavam e ardiam os olhos apontadas para a nossa cara. Era demais.

O Dr. Mario Yamashita, imagino, já conseguia, naquala época, detectar os meus primeiros sinais de obesidade pré-adolescente (dos onze aos treze anos eu estive bem acima do peso) – bem como o total desinteresse da minha irmã pela comida, no geral. Éramos, naquela época, dois pequenos opostos de ‘fim de infância/início de puberdade’ e ‘fim de desfralde/início de autonomia infantil’. Eu não tinha o menor problema com a comida, minha irmã tinha quase todos.

Meu otorrino era um médico de poucas e sábias palavras. Quisera tê-lo ouvido naquela época, pois teria me poupado de tantos problemas… Ele dizia o seguinte: “Observe a natureza. Os animais bebem água. Os animais comem planta. Os animais comem fruta. Outros, comem carne. Bicho não bebe leite. Bicho não bebe suco. Bicho não bebe refrigerante. Bicho não come açúcar. Nós somos bicho. Temos que comer e beber como bicho.”

Tudo, tudo o que eu levei uma vida toda para entender, simplesmente explicado em pouquíssimas frases pelo médico que cuidou de mim ainda tão nova. Aquele homem, que já era um senhor naquela época, não era necessariamente um visionário (se pensarmos na era paleo/low carb que vivemos atualmente) – ele era prático, simples, era, na verdade, muito óbvio! Ele, meu querido otorrino, Dr. Mario Yamashita, estava certo o tempo todo.

A medicina evoluiu, as doenças também. Ou vice-versa. Acho que uma coisa puxa a outra, na verdade. Mas quase ninguém pensa ou enxerga as indústrias alimentícias e farmacêuticas como o que elas realmente são: máquinas de dinheiro. Primeiro, eles nos entopem com tudo o que nos prejudica, e depois tentam nos consertar com produtos químicos de todos os tipos. Isso é contra a nossa natureza. “Nós somos bicho.”

Hoje quando chegar em casa, faça um exercício. Abra sua dispensa e sua geladeira e procure tudo o que é processado. Adoçante químico é algo que não existe na natureza. É como plástico. Cada vez que você ingere qualquer adoçante químico, é como se estivesse comendo um pedaço de tupperware. Como isso pode ser bom? Como podemos beber líquidos que não conseguimos se quer detectar do que são compostos? Como isso não é assustador?

Eu não quero soar hipócrita. Não quero mesmo. Mas há uma venda enorme caindo dos meus olhos por estes tempos, e é chocante. A realidade é chocante. Precisamos pensar que nossos corpos não são compactadoras de lixo. Não foi assim que Deus nos criou. Temos que cuidar bem dele, é tudo o que nos resta. 

Desejo a você uma vida mais consciênte, com escolhas que apenas te façam bem. Lembre-se do que o Dr. Yamashita dizia. Nos somos bicho – mas precisamos ser mais racionais. É a nossa condição.

É isso.

Na Jornada da Perda de Peso, Conte Somente com Você

Esta semana completei mais um ciclo de cinco dias seguidos de academia. Me comprometi a me exercitar todos os dias úteis da semana, entre 45 e 60 minutos por dia, por um período indeterminado. O objetivo é fazer com que meu corpo se acostume ao máximo a praticar atividades físicas a ponto de me enviar sinais de cobrança nos dias em que eu não me exercitar. O meu objetivo maior, na realidade, é ter uma vida adulta com muita saúde, agora e durante a terceira idade.

“Mas Gisele, você só tem 31 anos, não é um pouco de exagero pensar na terceira idade assim?” – no meu caso e na minha opinião, não. Nem todos podemos ser filhos e netos de grandes atletas. Nem todos temos este estímulo da prática de esportes constante vindo de pessoas ao nosso redor. Nem todos temos a bênção dos genes magro-alto-sem colesterol-sem diabetes-sem hipertensão presenteado a nossos corpos. Eu preciso entender que o agora é meu futuro, e que o futuro é meu agora. Não tenho outra senão optar pela prevenção.

A questão não é ter um corpo sarado – veja bem, eu nem se quer tomo sol! Não é por exibicionismo. Vaidade pessoal? Com toda certeza. Preciso me amar, e preciso me amar primeiro. Mas o fato é que quero ter uma vida com o mínimo de remorso possível, e isso começa pela minha saúde, que está no topo desta lista. Deve ser horrível ter um diagnóstico de alguma doença limitadora, para não dizer fatal, com 40, 50, ou 60 anos, e se dar conta de que se houvesse mudado meus hábitos décadas antes, aquilo poderia ter sido evitado. Significa de que me tornarei imune a doenças e problemas? Não. Mas significa que estarei com a consciência tranquila sabendo que dei o melhor de mim, por mim. Significa que não fui um fator a mais (se não o mais poderoso deles) a tornar uma situação ainda pior, potencialmente.

Mas o que importa é fazer tudo isso pensando de uma maneira bem egoísta. Quando se trata de peso, reeducação alimentar, prática de exercícios, você pode e deve ser muito egoísta, pensar somente no seu bem-estar, olhar somente para o seu próprio umbigo. Acredite, olhar para o próprio umbigo ajuda muito nessas horas, principalmente quando a única visão que se tem dele é uma visão ‘semi-periférica’ (graças às saliências da pança!). 

Além do mais, digo por experiência própria: você não terá ninguém para contar além de você mesmo nessa caminhada. Nem as pessoas mais próximas de você, por mais bem-intencionadas que sejam, conseguirão dar o apoio que você realmente precisa. Muitas delas provavelmente não irão acreditar que você tem a capacidade de conseguir alcançar o seu objetivo – baseiam-se nas suas próprias fraquezas e sentem uma ponta de inveja quando percebem que há quem seja mais forte.

Eu caí na infelicidade de comentar com algumas pessoas a minha meta de peso. Foi uma grande estupidez da minha parte. Ninguém, nenhum deles, teve a capacidade de me apoiar e dizer “eu tenho certeza que você consegue”. Ouvi coisas como “mas a sua estrutura, não vai ficar bom”, ou “é que você tem ossos largos, então pode ser que não seja fácil”, ou então “as suas expectativas são muito diferentes das minhas, mas talvez você consiga”. Todos tão bem-intencionados, ninguém teve fé em me dizer que, ainda sabendo que aquele número é absolutamente normal e saudável para a minha estatura (gente, eu tenho noção das coisas!), confiava que eu iria conseguir.

As pessoas se incomodam de me ver indo na academia todos os dias, tirando fotos de looks no espelho, fazendo comparações de antes e depois. É porque elas se sentem mal com elas mesmas, com a incapacidade delas e a falta de força de vontade delas próprias em tomar uma atitude e mudar. Por isso há um certo incômodo, perguntam quantos quilos eu perdi, dão pitacos na minha alimentação, e mensagens do tipo “cansei de ver você na academia 5:00 AM todo dia”. Não é fácil. 

Mas por que então eu continuo falando tanto sobre minha reeducação? Primeiro porque eu gosto de falar abertamente sobre as coisas que eu vivo. Não há o que esconder. Eu sou assim, sempre fui e não é agora que vou fazer diferente. Segundo, porque é uma maneira de eu mesma tomar consciência de tudo o que eu faço – com relação aos alimentos e aos exercícios. É uma auto-cobrança, algo que me empurra pra frente. Terceiro, porque apesar das pessoas que tentam sempre puxar os outros para baixo, há muito mais pessoas que se sentem inspiradas e motivadas com esse tipo de conteúdo.

Eu sou uma mulher absolutamente normal, posto receitinhas saudáveis com o que tenho na geladeira, faço academia em um lugar super simples, não sou exemplo nenhum de vida fitness, mas pelo menos jogo a real com vocês. Quando vou comer uma fatia de torta de limão passada na massa de bolinho de chuva e frita (aquela que eu postei no dia da quermesse!), eu mostro também! Porque a vida é isso, e não o faz de conta que muita gente prefere publicar. 

No final, conte somente com você. É a minha força de vontade que me faz levantar da cama todos os dias e ir pra academia. É a minha consciência que me faz pensar antes de comer um misto quente com refrigerante e doce na frente da televisão de noite. É o meu amor-próprio que não me deixa desistir.

A caminhada é única e exclusivamente sua, portanto faça dela a melhor e mais feliz de todas. Você merece.