Olá, Meu Nome É Gisele e Eu Sou Low Carber

Existe apenas uma rede social onde falo com mais frequência sobre meu processo de emagrecimento, o Instagram. Portanto, se você não está por lá (e tudo bem se não estiver), provavelmente não sabe muito sobre minhas aventuras dos últimos tempos.

Muitas coisas tem acontecido, eu mudei. Uma frase tão pequena esta… “eu mudei”. Mas é a única que sintetiza tudo, por dentro, por fora e ao redor da pessoa que eu sou hoje. Como já contei pelo Instagram, não sou muito favorável aos rótulos da vida – acho que quanto mais rótulos, mais separação, mais distinção, mais desunião, mais incompreensão, mais necessidade de se provar e de provar que o outro é errado. Eu detesto tudo isso. Somos todos seres-humanos com total possibilidade de conviver com diferenças – o que falta é empatia, compaixão, sensibilidade. Falta querer. E é por isso que eu venho relutando muito para escrever aqui (onde tenho controle nulo de quem lê) ou de falar a respeito nos meus videos no YouTube (onde tenho controle nulo de quem assiste) a respeito do seguinte fato: eu sou low carber.

É uma frase um pouco idiota, essa. “Eu sou low carber”. Que raios isso quer dizer? Que tipo de rótulo é esse? Por que isso importa? “Não, Gisele, não faz a menor diferença se rotular assim ou não”, foi o que disse a mim mesma centenas de vezes. Substituía termos como “low carb” por “de baixo carboidrato”, ou por “alimento natural”. Mudada e relutante, duas palavras que me descreveriam bem nos últimos meses…

Mas importa. Importa dizer nossa condição em alto e bom tom! Importa vestir a camisa totalmente. Importa, porque, se é assim que eu vivo, qual o problema? “Modinha”. Tudo bem, tudo bem. Mas eu adoro uma modinha…. Pode me odiar. Só que se alimentar de bicho e planta não é modinha. Nossos corpos foram criados para isso! Então tira essa ideia de modinha da cabeça, e pensa nos fatos. Comida de verdade. Alimentação natural. Não aos processados. Não ao artificial. Sem farinha. Sem açúcar. É modinha? Tem certeza?

Hoje completo cinco meses de low carber. Há cinco meses, tomei uma das melhores e mais assertivas decisões da minha vida. Desde então minha vida virou do avesso. Parece que meu cérebro passou a funcionar com mais potência. Parece que eu acordei de uma inércia biológica e psicológica, física e emocional. Tantas coisas que eu desprezava, passei a adorar. Tantas coisas que eu amava, passaram a me incomodar. Eu passei a detectar melhor meus sentimentos, minhas sensações, e fiquei incrivelmente mais…sensível. Esta parte está sendo a mais difícil, eu confesso. Mas é necessária.

E foi o fato de me tornar low carber que me deixou mais sensível? Absolutamente não. O negócio é que todo mundo pensa que emagrecer tem a ver com a boca – ledo engano! Emagrecer tem a ver com a CABEÇA. E tudo o que tem a ver com a cabeça é um processo, um processo longo, um processo longo e complexo. A complexidade do emagrecer envolve tudo, muito além da comida: os ambientes que você frequenta, as atividades que pratica, as conversas que participa, os livros que lê, os programas de TV que assiste, os passeios que sente prazer, o modo de descanso, a busca do novo, o aprimoramento da auto—estima, o empoderamento, o aprender a dizer não, a libertação da escolha, o autocontrole, o lidar com o fracasso, o lidar com o sucesso, a auto-reforma, o entendimento da necessidade da mudança, o objetivo traçado a curto, médio e longo prazos, ou seja, uma decisão iniciada com a cabeça irá com toda certeza tocar todas as áreas da sua vida! Inclusive a espiritual – sabe quantas vezes me peguei pensando no dia que estiver cara a cara com Deus e tiver que me explicar do porquê não cuidei do corpo que Ele me deu? Eu não quero passar por isso. Esta também é uma responsabilidade do espírito.

O dia em que entendi que o que havia de errado comigo era minha relação com a comida, tudo se tornou claro, transparente, óbvio diante dos meus olhos. O choque de realidade não é fácil, mas prefiro mil vezes lidar com a dificuldade do que com a ilusão da minha realidade. Eu estava vinte e cinco quilos acima do peso, doente do coração, com a auto-estima no chão, comendo de forma irresponsável e compulsiva. É difícil enxergar e aceitar a realidade como ela é. Mas só isso pode fazer com que você tome coragem para reverter a situação inteira.

Hoje comemoro cinco meses de low carber (paleo), com 19 kg eliminados e com perspectivas maravilhosas para meu próprio futuro. Hoje decidi que não há porquê ter medo de me rotular, não porque eu queira estar acima do bem e do mal, nem porque acredite ser a dona da razão, a única certa. Mas porque foi este caminho que me trouxe até onde estou. Foi o caminho que escolhi percorrer por muitos anos, o caminho que me trouxe paz de espírito e consciência do que eu quero para mim.

Todo dia 15 de cada mês irei abordar este tema aqui no blog. Hoje foi mesmo a apresentação oficial, mas nos textos futuros irei ser mais prática, mais objetiva, e irei compartilhar tudo o que venho aprendendo do que considero de valia e ajuda a outras pessoas também.

Sigo em frente, muito mais firme e muito mais forte do que nunca.

Gisele

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5 Coisas Para Aumentar a Auto-Estima Imediatamente

1) Sua Aparência Importa

Sim, existem milhares de coisas mais importantes do que a nossa aparência: a nossa saúde, as contas pra pagar, cuidar da casa, cuidar da família, a reunião de condomínio, levar os cachorros pro pet, aguar as plantas, afofar as almofadas, responder os grupos do WhatsApp, estabelecer a paz mundial, etc, etc, etc… Todos nós sabemos disso. Mas, de que adianta bancar o super-herói todos os dias para todas as outras pessoas e esquecer de cuidar de nós mesmos? Não adianta muito. Uma hora essa bomba-relógio explode e você vai se sentir ainda mais sobrecarregado tentando correr atrás do prejuizo. Aliás, sendo ainda mais fatídica, o tempo é algo que não volta nunca, jamais. Simples assim. Um dia você vai acordar e vai perceber que uma década se passou e você simplesmente se perdeu em algum momento dentro dela. Sua aparência importa! Não importa só para os outros, mas principalmente para você! Sua aparência é o reflexo do que acontece dentro da sua cabeça, sabia disso? Se você não consegue encontrar tempo, vontade ou motivação para se cuidar, posso afirmar com toda certeza: o problema vem de dentro. Então reflita e faça algo por você!

2) Mudanças, Sim!

Eu sou uma pessoa resistente à grandes mudanças. Não precisa me conhecer muito para perceber esse traço da minha personalidade. Mas também não precisa me conhecer bem para notar que não tenho o menor medo em mudar pequenas coisas da minha vida. Pequenas, digo, inofensivas, mas que podem sim causar um enorme impacto. Meu cabelo é o maior exemplo de todos! Nada melhora mais a minha auto-estima do que mudar meu cabelo! E voltando um pouco na dica anterior, se você é daquelas pessoas que “não abre mão do cabelão de jeito nenhum” mas que simplesmente não consegue cuidar dele como necessário, talvez seja hora de considerar uma mudança! Vive de coque, rabo de cavalo, tem muito cabelo e só consegue “dar um jeito” nele uma ou duas vezes na semana? Colega, é hora de mudar! Vá no salão, corte, pinte, busque sua melhor versão. Falando nisso, nada como encontrar nosso próprio estilo de roupas e acessórios. Você pode fazer muitos testes na internet para descobrir melhor o estilo que combina com você – e se puder, contrate um profissional que te auxilie neste processo. Não tenha medo em mudar ou assumir totalmente o seu estilo, isso apodera!

3) Aquela Roupa Especial

Falando em roupas e acessórios, todo mundo tem aquele look especial, quase “de estimação”, que só usa em ocasiões mais especiais, né? Sabe o que eu descobri? Que podemos usá-lo como “norte” para compor todo o nosso guarda-roupa. Como assim? Eu explico. Você precisa identificar a sensação que tem quando veste esta roupa especial: como você se sente? Provavelmente, muito bem, mais bonita, elegante, ou sexy, ou poderosa, etc. Por que esta roupa faz com que você se sinta assim? É a cor, o tecido, o corte, o caimento? No meu caso, meus looks especiais são geralmente compostos por vestidos e salto alto, mas não posso usar um vestido e um par de sapatos de festa para o trabalho, né? O que eu fiz, então? Coletei todas as informações desse look e transportei para a busca de peças que sejam mais adequadas ao trabalho (e outras ocasiões), mas que tenham estes elementos que fazem minha auto-estima levantar! Então passei a usar mais vestidos com fundos escuros e estampas diversas, meias-calças, e o salto muitas vezes não é um scarpin, mas uma ankle boot, ou seja, poderosa mas confortável. Estes são apenas exemplos, mas você pode fazer isso com absolutamente qualquer tipo de roupa. Componha sua personalidade!

4) Desapegue

Compor e afirmar a nossa personalidade através do closet: esse tema não é possível de ser abordado sem falar do maravilhoso ato de desapegar. Quantas peças de roupa você provavelmente tem estocadas no seu armário que não tem absolutamente nada a ver com você? Isso acontece muitas vezes não porque compramos errado, necessariamente, mas porque acumulamos coisas de várias épocas das nossas vidas. Na minha última grande limpeza do closet eu tirei roupas e sapatos que eu tinha certeza absoluta que não voltaria a usar, pelo menos não pela próxima década (a moda sempre volta, mas existe uma grande diferença entre ser retro e ser um acumulador de tralhas!). Desapegue de: roupas fora de moda, estampas que não te agradam, roupas maiores que o seu número, roupas gastas, sapatos gastos, sapatos que você não usa porque te machucam, sapatos fora de moda, ítens repetidos desnecessariamente, coisas manchadas ou furadas, simplesmente DESAPEGUE! “Tire o velho para dar lugar ao novo”, tá até na bíblia isso. Renove os ares e organize tudo o que ficar.

5) Uma Por Dia

Eu não posso escrever sobre auto-estima e deixar de fora o tema ‘alimentação’. Honestamente, não estou com muita vontade de escrever sobre a minha reeducação alimentar, este texto não é sobre isso. Só que é inevitável dizer o seguinte: se alimentar melhor aumenta a auto-estima. E não estou falando em perder peso. Estou falando em buscar saúde. Então fica aqui minha dica: comece com apenas uma escolha por dia. Apenas uma. “Hoje vou beber água”, ou “Hoje vou comer salada no almoço”, ou “Hoje vou experimentar um legume novo”. Uma coisa só por dia, todos os dias. Você vai perceber um universo de possibilidades se abrir diante dos seus olhos, vai conseguir desmistificar certas coisas, conhecer outras, e até mesmo descobrir outras. Uma por dia, apenas uma.

Foque em você, sempre.

Gisele

Nós Somos Bicho

Eu não sou muito de ir em médico pra coisa nenhuma, mas lembro bem dos médicos que cuidaram de mim durante toda a infância. Eu nasci e cresci em São Paulo, um estado que teve a sorte de receber muitos imigrantes japoneses. Ambos, Dra. Yvete, minha pediatra, e Dr. Mario Yamashita, meu otorrino, eram japoneses.

Lembro de um episódio desses ‘clássicos da infância’ em que tive um tipo qualquer de virose. Devia ter por volta de 8 anos de idade e, naquela época, eu ainda não era muito boa de prato. Nunca fui uma criança obesa, mas também nunca fui magrela. Era, como sempre ouvi, ‘normal’. E neste episódio, mamãe me levou à clínica da Dra. Yvete. Ah! Como tudo era mais simples e despretencioso naquela época.

A Dra. Yvete me receitou um remédio de gosto horroroso, mas de uma coloração tão, mas tão rosa-choque, que eu conseguia até ficar feliz em ter que tomá-lo. Era o remédio (líquido, por sinal) cor-de-rosa mais fosforescente que você pode imaginar. Acompanhadas do remédio, as seguintes recomendações: “Comida: fria. Não tem fome, não come. Gelatina e Coca-Cola, a hora que quiser.” Eu sarei. 

Depois de alguns anos, foi o consultório do Dr. Yamashita o que eu mais frequentei. Foi a fase das intermináveis dores de ouvido e dores de garganta que toda criança passa. Naquela época, já acompanhada da Letícia (minha irmã, caçula). Eu ficava impressionada com a precisão do Dr. Yamashita e com tudo naquele lugar. Até hoje, lembro exatamente da sala de espera e do consultório que era dividido em duas partes, uma com sua escrivaninha, e a outra com a maca e as luminárias que brilhavam e ardiam os olhos apontadas para a nossa cara. Era demais.

O Dr. Mario Yamashita, imagino, já conseguia, naquala época, detectar os meus primeiros sinais de obesidade pré-adolescente (dos onze aos treze anos eu estive bem acima do peso) – bem como o total desinteresse da minha irmã pela comida, no geral. Éramos, naquela época, dois pequenos opostos de ‘fim de infância/início de puberdade’ e ‘fim de desfralde/início de autonomia infantil’. Eu não tinha o menor problema com a comida, minha irmã tinha quase todos.

Meu otorrino era um médico de poucas e sábias palavras. Quisera tê-lo ouvido naquela época, pois teria me poupado de tantos problemas… Ele dizia o seguinte: “Observe a natureza. Os animais bebem água. Os animais comem planta. Os animais comem fruta. Outros, comem carne. Bicho não bebe leite. Bicho não bebe suco. Bicho não bebe refrigerante. Bicho não come açúcar. Nós somos bicho. Temos que comer e beber como bicho.”

Tudo, tudo o que eu levei uma vida toda para entender, simplesmente explicado em pouquíssimas frases pelo médico que cuidou de mim ainda tão nova. Aquele homem, que já era um senhor naquela época, não era necessariamente um visionário (se pensarmos na era paleo/low carb que vivemos atualmente) – ele era prático, simples, era, na verdade, muito óbvio! Ele, meu querido otorrino, Dr. Mario Yamashita, estava certo o tempo todo.

A medicina evoluiu, as doenças também. Ou vice-versa. Acho que uma coisa puxa a outra, na verdade. Mas quase ninguém pensa ou enxerga as indústrias alimentícias e farmacêuticas como o que elas realmente são: máquinas de dinheiro. Primeiro, eles nos entopem com tudo o que nos prejudica, e depois tentam nos consertar com produtos químicos de todos os tipos. Isso é contra a nossa natureza. “Nós somos bicho.”

Hoje quando chegar em casa, faça um exercício. Abra sua dispensa e sua geladeira e procure tudo o que é processado. Adoçante químico é algo que não existe na natureza. É como plástico. Cada vez que você ingere qualquer adoçante químico, é como se estivesse comendo um pedaço de tupperware. Como isso pode ser bom? Como podemos beber líquidos que não conseguimos se quer detectar do que são compostos? Como isso não é assustador?

Eu não quero soar hipócrita. Não quero mesmo. Mas há uma venda enorme caindo dos meus olhos por estes tempos, e é chocante. A realidade é chocante. Precisamos pensar que nossos corpos não são compactadoras de lixo. Não foi assim que Deus nos criou. Temos que cuidar bem dele, é tudo o que nos resta. 

Desejo a você uma vida mais consciênte, com escolhas que apenas te façam bem. Lembre-se do que o Dr. Yamashita dizia. Nos somos bicho – mas precisamos ser mais racionais. É a nossa condição.

É isso.

Arrume a Casa

Não quero soar dramática, mas acontece. Acontece que por vezes, ao longo da vida – e eu com meus longos trinta e um anos de idade posso afirmar com toda propriedade – a gente acaba agindo errado e estragando alguns dos relacionamentos com as pessoas mais importantes que passarão por ela. 

É, eu sei bem. Tinha um amigo que foi a pessoa mais importante de todas para mim desde antes de mudar para os EUA, sentimento que se intensificou ainda mais depois que me mudei, pois ele, um ano antes, havia passado por esta mesmíssima mudança. 

Lembro que foi ele que me ajudou inúmeras vezes com os deveres de casa das aulas de inglês da faculdade, foi ele que me ensinou palavras importantíssimas de saber na sociedade americana, como por exemplo straw, napkins e também expressões fundamentais como “I hope you feel better soon”. Eu não falava uma palavra em inglês, e ele, com seu enorme coração, não negou em momento algum em me apontar o caminho das pedras. Por vezes, segurou na minha mão e me ajudou a caminhar.

Passávamos horas conversando de madrugada ainda pelo velho Nextel, um confortando o outro sobre a saudade de casa, sobre as descobertas do mundo novo, sobre os medos do futuro. Eu falava do meu cachorro, e ele me contava de todos os seus bichos de estimação, todos eles deixados no Brasil. 

Nós também ríamos muito fazendo graça das pessoas que conviviam com a gente naquele momento, reclamando dos nossos até então sub-empregos, falando mal dos brasileiros que chegavam na América e, de repente, começavam a agir como se pertencessem a algum tipo de família imperial (aposto que isso não mudou!). 

Ele foi meu maior conselheiro, ele me ouviu todas as vezes em que eu me deprimi, pensando em tudo o que eu havia deixado para trás. Ele foi o primeiro amigo a me visitar, e o primeiro que eu visitei, porque infelizmente vivemos a algumas horas de avião um do outro (males de terras largas).

No meio do caminho, coisas aconteceram. Comigo, com ele, a vida aconteceu. Talvez pela confusão interna que eu vivia, e pelo turbilhão de sentimentos que ele vivia, não soubemos lidar com essa nuvem negra que pairou sobre as nossas cabeças, ficando lá estacionada por alguns meses, quem sabe até anos.

Se eu fosse contar aqui tudo o que este amigo e eu já vivemos juntos, poderia começar um terceiro livro. Mas não teria coragem de escrever um livro sem final. Porque hoje, este livro não teria um final. Eu me recuso a pensar que uma amizade que significa tanto esteja como está.

Essa história de cada um no seu canto é mesmo muito triste. Ultimamente tenho pensado muito a respeito disso. Quantas pessoas importantes eu magoei por conta de um dos meus recolhimentos emocionais? Não, não quero mais que isso aconteça.

Se a história de hoje fizer qualquer sentido, cabe então uma conclusão. Não deixe de resolver suas pendências com as pessoas que você ama. Na amizade, no amor, na relação pais e filhos e na relação fraterna, o amor é sempre o mais importante, mas não é o que sustenta. Não é o amor que sustenta os relacionamentos, é o modo de se relacionar que sustenta o amor.

Eu errei com meu amigo, e demorei para aprender com meu erro. Na verdade, repeti o erro com outra pessoa, o me vi na mesma situação outra vez. Fiquei um pouco chocada com a minha própria burrice e insensibilidade. Matutei sobre isso tantas vezes nos ultimos dias que até pensei em fazer uma lista com os nomes de todas as pessoas que eu mandei para o meu exílio emocional, o “vale dos sem Gisele”. Isso me deixou com um certo receio e uma ponta de ansiedade, então desisti.

Mas neste longo caminho que é a vida, ao mesmo tempo tão curto, não quero deixar de acreditar em segundas chances. Não quero deixar de acreditar na força do perdão. Não quero abrir mão de tudo o que eu vivi com quem certamente ainda faz tanta diferença na minha vida.

Não é bom seguir em frente e ignorar o que está fora do lugar. Arrume a casa, arrume seu coração. Eu estou, em doses homeopáticas, tentando fazer o mesmo por aqui.

Força.

Na Jornada da Perda de Peso, Conte Somente com Você

Esta semana completei mais um ciclo de cinco dias seguidos de academia. Me comprometi a me exercitar todos os dias úteis da semana, entre 45 e 60 minutos por dia, por um período indeterminado. O objetivo é fazer com que meu corpo se acostume ao máximo a praticar atividades físicas a ponto de me enviar sinais de cobrança nos dias em que eu não me exercitar. O meu objetivo maior, na realidade, é ter uma vida adulta com muita saúde, agora e durante a terceira idade.

“Mas Gisele, você só tem 31 anos, não é um pouco de exagero pensar na terceira idade assim?” – no meu caso e na minha opinião, não. Nem todos podemos ser filhos e netos de grandes atletas. Nem todos temos este estímulo da prática de esportes constante vindo de pessoas ao nosso redor. Nem todos temos a bênção dos genes magro-alto-sem colesterol-sem diabetes-sem hipertensão presenteado a nossos corpos. Eu preciso entender que o agora é meu futuro, e que o futuro é meu agora. Não tenho outra senão optar pela prevenção.

A questão não é ter um corpo sarado – veja bem, eu nem se quer tomo sol! Não é por exibicionismo. Vaidade pessoal? Com toda certeza. Preciso me amar, e preciso me amar primeiro. Mas o fato é que quero ter uma vida com o mínimo de remorso possível, e isso começa pela minha saúde, que está no topo desta lista. Deve ser horrível ter um diagnóstico de alguma doença limitadora, para não dizer fatal, com 40, 50, ou 60 anos, e se dar conta de que se houvesse mudado meus hábitos décadas antes, aquilo poderia ter sido evitado. Significa de que me tornarei imune a doenças e problemas? Não. Mas significa que estarei com a consciência tranquila sabendo que dei o melhor de mim, por mim. Significa que não fui um fator a mais (se não o mais poderoso deles) a tornar uma situação ainda pior, potencialmente.

Mas o que importa é fazer tudo isso pensando de uma maneira bem egoísta. Quando se trata de peso, reeducação alimentar, prática de exercícios, você pode e deve ser muito egoísta, pensar somente no seu bem-estar, olhar somente para o seu próprio umbigo. Acredite, olhar para o próprio umbigo ajuda muito nessas horas, principalmente quando a única visão que se tem dele é uma visão ‘semi-periférica’ (graças às saliências da pança!). 

Além do mais, digo por experiência própria: você não terá ninguém para contar além de você mesmo nessa caminhada. Nem as pessoas mais próximas de você, por mais bem-intencionadas que sejam, conseguirão dar o apoio que você realmente precisa. Muitas delas provavelmente não irão acreditar que você tem a capacidade de conseguir alcançar o seu objetivo – baseiam-se nas suas próprias fraquezas e sentem uma ponta de inveja quando percebem que há quem seja mais forte.

Eu caí na infelicidade de comentar com algumas pessoas a minha meta de peso. Foi uma grande estupidez da minha parte. Ninguém, nenhum deles, teve a capacidade de me apoiar e dizer “eu tenho certeza que você consegue”. Ouvi coisas como “mas a sua estrutura, não vai ficar bom”, ou “é que você tem ossos largos, então pode ser que não seja fácil”, ou então “as suas expectativas são muito diferentes das minhas, mas talvez você consiga”. Todos tão bem-intencionados, ninguém teve fé em me dizer que, ainda sabendo que aquele número é absolutamente normal e saudável para a minha estatura (gente, eu tenho noção das coisas!), confiava que eu iria conseguir.

As pessoas se incomodam de me ver indo na academia todos os dias, tirando fotos de looks no espelho, fazendo comparações de antes e depois. É porque elas se sentem mal com elas mesmas, com a incapacidade delas e a falta de força de vontade delas próprias em tomar uma atitude e mudar. Por isso há um certo incômodo, perguntam quantos quilos eu perdi, dão pitacos na minha alimentação, e mensagens do tipo “cansei de ver você na academia 5:00 AM todo dia”. Não é fácil. 

Mas por que então eu continuo falando tanto sobre minha reeducação? Primeiro porque eu gosto de falar abertamente sobre as coisas que eu vivo. Não há o que esconder. Eu sou assim, sempre fui e não é agora que vou fazer diferente. Segundo, porque é uma maneira de eu mesma tomar consciência de tudo o que eu faço – com relação aos alimentos e aos exercícios. É uma auto-cobrança, algo que me empurra pra frente. Terceiro, porque apesar das pessoas que tentam sempre puxar os outros para baixo, há muito mais pessoas que se sentem inspiradas e motivadas com esse tipo de conteúdo.

Eu sou uma mulher absolutamente normal, posto receitinhas saudáveis com o que tenho na geladeira, faço academia em um lugar super simples, não sou exemplo nenhum de vida fitness, mas pelo menos jogo a real com vocês. Quando vou comer uma fatia de torta de limão passada na massa de bolinho de chuva e frita (aquela que eu postei no dia da quermesse!), eu mostro também! Porque a vida é isso, e não o faz de conta que muita gente prefere publicar. 

No final, conte somente com você. É a minha força de vontade que me faz levantar da cama todos os dias e ir pra academia. É a minha consciência que me faz pensar antes de comer um misto quente com refrigerante e doce na frente da televisão de noite. É o meu amor-próprio que não me deixa desistir.

A caminhada é única e exclusivamente sua, portanto faça dela a melhor e mais feliz de todas. Você merece.

Arrombe a Porta

Por anos e anos (e anos e anos) da minha vida estive recolhida pelos mantos de vontade, cortinas de ordens e telhados de regras de outras pessoas. Aqui cabe, sim, pai e mãe, mas as paredes, as colunas, as escadas e portas iam bem além da sujeição esperada, respeitosa, ainda que por vezes forçada, aos comandos dos meus pais.

Quantas vezes olhei para os lados e senti as limitações das cobranças de todas as outras pessoas? Todas, todas mesmo? Não saberia contar. 

Apesar da personalidade espontânea, da mente e da boca descontroladas, sempre um pensamento à frente e com uma resposta engatilhada; apesar das diversas tentativas de expressão, como todo jovem, fosse pelas gírias faladas, pelas músicas berrantes ouvidas de longe pelos vizinhos, pelas roupas chamativas ou pelo salto alto afiado, apesar do cabelo mudando de cor e forma como mudam as nuvens do céu paulista, apesar de toda uma inteligência demonstrada em textos e números e notas (musicais e de boletim), sempre fui uma manada contida, sentimentos e vontades e planos e ações estancadas como se fossem todos eles grandes afrontas ao que se era aceito, ao que se podia e não podia.

O que se faz necessário é uma grande ilusão. Aceitação é a pior de todas as armas nas mãos de quem controla a guerra. Manipulam tudo – a exigência é o próprio controle. Fingem que esta casa estruturada, estes mantos e cortinas e telhados e portas são um grande refúgio – tudo quase calculado, para que, conformados, aceitos, nunca sintamos o ímpeto de sair dali.

Chute a porta da frente. Arrombe-a. Liberte-se. Ninguém tem o direito de fazer com que você faça menos, queira menos, acredite menos, conquiste menos, SEJA menos. Menos e mais, e mais e menos, isso tudo é bem relativo! Ninguém tem o direito de exigir com que você faça mais, queira mais, acredite mais, conquiste mais – SEJA mais. Você é o que é e, se não sabe o que é, ainda não teve coragem de chutar sua porta da frente.

Tenha o ímpeto. Pare de olhar ao redor, para cima, para baixo e olhe somente o lado de dentro. Todas as respostas estão bem ali. Agora, basta agir.

Força.

Quando o Assunto é a Balança


Recebo dezenas de mensagens de mulheres que me acompanham pelas redes sociais todas as vezes que o assunto abordado é peso. É impressionante enxergar a sede que tantas pessoas tem – e que, na minha opinião, vai além de uma simples curiosidade – em tentar entender como alguém consegue perder peso.

Eu mesma acompanho algumas mulheres que falam especificamente disso na internet, mas nenhuma delas é considerada como um modelo a se seguir da vida fitness. Por quê? Porque são pessoas de verdade, contando as reais histórias dos seus corpos e da sua relação com a comida.

Por algum tempo, evitei falar a respeito da minha própria reeducação alimentar. Minha própria melhor amiga demonstrou uma preocupação profunda com o fato de que me expondo tanto quanto eu fazia, poderia mais me prejudicar do que me ajudar. Ela tem razão.

Não é fácil colocar a cara a tapa quando se trata do nosso próprio corpo. Não é fácil lidar com críticas, principalmente quando os ‘juízes’ decidem apitar seu jogo sem nem ao menos compreender todas as regras que o cercam. A dificuldade de escrever, gravar, fotografar e postar sobre emagrecimento é tão grande quanto o próprio processo de emagrecer. Uma caminhada cheia de obstáculos.

Porém, uma coisa que tento levar comigo para tudo na vida é que ser transparente é sempre a melhor opção. Eu não sei viver pela metade, não sei fazer nada pela metade. Se entro, entro de cabeça. E graças ao post de ontem, percebi que posso ajudar tantas pessoas através da minha própria experiência, tantas, que decidi correr este risco!

Então, vamos deixar algumas coisas bem claras. Primeiro, e mais importante de tudo: eu vou falhar. Vou comer doce, vou comer massas, vou em restaurantes, vou agir como uma pessoa absolutamente normal. Não vou perder peso toda semana, não é esse o meu objetivo, pois conheço meu corpo e entendo minhas limitações. Não vou me comprometer a abrir o quanto peso, mas vou contar o quanto perdi, quando decidir que é hora de contar. 

O que me comprometo a fazer é, sempre que falar sobre emagrecimento, ser absolutamente honesta. Não quero aumentar nem diminuir minhas conquistas e meus fracassos. O meu objetivo é aumentar minha qualidade de vida – uma constante, e não um número na balança – uma variável. 

Gostaria de dividir esta experiência com vocês, e sei que posso contar com o apoio de muitos, e por isso sou infinitamente grata. Aos curiosos (um ou outro, sempre tem) boa sorte em suas vidas, não esqueçam que jogar tetris no seu tempo livre irá agregar muito mais à sua vida do que vir aqui bisbilhotar – dizem que jogar tetris uma vez por dia por uns 30 minutos pode prevenir o Alzheimer. Aproveite melhor o seu tempo!

É isso. Sobre todo o amor de ontem, minha mais sincera gratidão.

Até breve.