Repita o Mantra: “Desembrulhe Menos, Descasque Mais” – E Segue o Baile!

Como mencionei em meu post de saída do armário – muito prazer, sou low carber – o estilo de alimentação que eu sigo é o mais natural possível, portanto, que remeta ao máximo a alimentação dos nossos colegas ancestrais da Era paleolítica.

Qual é a diferença entre uma dieta paleolítica e uma dieta de baixo carboidrato (LCHF)? A gente precisaria fazer esta pergunta a um médico nutrólogo ou a um nutricionista para obter uma resposta exata e muito técnica. Mas eu, Gisele, usuária intermediária (não me considero uma leiga total no assunto), posso explicar superficialmente, ao estilo “Explanations for Dummies”, como uma delas difere da outra. Vamos lá:

1) Uma alimentação paleo é 100% natural, porém não é necessariamente baixa em carboidratos – ela inclui alimentos com maiores quantidades de amido, como a batata branca, por exemplo, e não existe promessa de emagrecimento em aderí-la (já voltaremos nesta ultima parte).

2) Uma alimentação baixa em carboidratos como a LCHF poderá incluir alimentos processados, como por exemplo os refrigerantes diet, que assim como outros produtos industrializados são baixíssimos (ou até mesmo nulos) em porcentagem de carboidratos, mas que não auxiliam na melhoria da nossa saúde – portanto, podem se tornar fatores prejudiciais ao processo de perda de peso (já voltaremos nesta ultima parte).

Ou seja, se seguidos separadamente, estes dois estilos de alimentação oferecem, como tudo na vida, prós e contras. E é por isso que, conforme eu aprendi com a minha coach de emagrecimento, Patrícia Tassinari, e conforme estudei em diversos livros, artigos e sites (como o Blog do Dr. José Carlos Souto), a alimentação ideal para quem quer 1) melhorar muito a saúde e 2) sofre de doenças metabólicas (como a obesidade, doenças do coração – incluindo hipertensão, diabetes, etc) é a junção de ambas – uma alimentação natural de baixo carboidrato, ou, uma dieta paleo-low carb.

Voltando às “Explanations for Dummies” – lembrando que eu sou a Dummy mestre – uma alimentação exclusivamente paleo (ou seja, desconsiderando a quantidade de carbos do que for consumido) pode emagrecer? DEPENDE. Imagina que uma pessoa, acima do peso e com problemas de saúde, vive à base de produtos industrializados, cheios de sódio, conservantes, açúcares de todos os tipos, come fast food várias vezes na semana, bebe muito refrigerante, etc, etc, etc… Se este indivíduo decide eliminar todos estes processados e passa a se alimentar somente com produtos naturais (carnes, folhas, legumes, tubérculos, etc), é MUITO PROVÁVEL que ele irá perder peso consideravelmente, mesmo consumindo alimentos com mais carboidrato. Sua saúde irá melhorar, sem dúvidas, e haverá um impacto positivo em seu organismo. Porém, algumas pessoas, quando se trata de emagrecimento, são menos tolerantes ao consumo do carboidrato – AINDA QUE DE ALIMENTOS NATURAIS – e podem ter um resultado menor do que se controlassem o consumo do mesmo.

Continuando, quanto ao segundo tópico – como e quando alimentos processados com baixo ou nulo carboidrato podem prejudicar o emagrecimento? Primeiro de tudo: a ciência prova que o consumo de adoçantes artificiais é extremamente prejudicial à saúde (pesquise). Quanto aos adoçantes naturais, como o stevia, o xilitol e o eritritol, é claro que são muito menos impactantes e prejudiciais ao nosso organismo, PORÉM, se o intuito é aderir a um estilo de vida saudável, a parte psicológica é tão importante quanto a parte fisiológica. Se “enganamos” nosso cérebro com o uso de adoçantes não calóricos naturais (como os mencionados acima), será mais difícil de se desprender às vontades do consumo de doces e massas, porque o paladar não está sendo treinado para degustar todos os outros sabores. Nossos corpos foram desenhados para degustar não somente do doce, mas também do salgado, do azedo, do amargo, e umami. É importante termos esta consciência para que o doce não seja um ‘controlador’ das nossas vidas, variando nosso humor, nossos desejos, e nem servindo como tapa-buraco de emoções.

A história aqui é bem simples – desembrulhe menos, descasque mais. Não tem segredo. Busque informações a respeito dos alimentos naturais com uma quantidade inferior de carboidratos, como a batata doce, a abóbora, a mandioca, por exemplo, e dê preferência a eles. No demais, pense no seguinte: se Deus quisesse que a Cheetos, pão integral e Coca-Cola zero fossem combustíveis para o nosso corpo, teríamos “pé de Cheetos”, “árvore de pão” e riachos de “Coca-Cola zero” em abudância no jardim do Éden! Há!

Piadinhas a parte, tudo o que é natural, incluindo a gordura natural dos alimentos, faz bem à saúde. Tudo o que é processado, deve ser evitado ao máximo.

Espero que este post tenha ajudado de alguma forma!

Por hoje é só.

Gi

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Desafio do NÃO!

Anos atrás, no auge do meu peso, na minha pior fase, eu costumava dizer que o meu maior problema era que nunca dizia ‘não’ a eu mesma. Nunca.

Aquilo era verdade, principalmente tratando-se de comida. Sempre pensei naquele velho ditado: “negar comida é pecado”, mas espertinha do jeito que sou, usava esta ideia a meu favor, totalmente destorcida, porque afinal de contas, desde quando lanches, doces e guloseimas são comida?

Com o tempo, minha situação só piorou. Não há nada pior do que mimar alguém. Em inglês, inclusive, a malavra ‘mimada’ – spoiled – traduzida ao pé da letra significa ‘estragada’. É o mesmo adjetivo que se usa quando um alimento estraga! E era isso mesmo o que estava acontecendo comigo, aos poucos, fui me estragando com o simples ato de ceder às minhas próprias vontades o tempo todo, todos os dias.

Minhas lembranças desta época são as piores. A quantidade de açúcar e farinha que eu ingeria era assustadora. Não é a toa que eu adoeci, que tive problemas sérios de coração, e que ultrapassei a linha da obesidade.

Nosso corpo não foi feito para digerir tantas porcarias. E a nossa mente também não foi feita para que nos tornássemos pessoas mimadas, ou antes, estragadas.

Quando a minha coach de emagrecimento, Patrícia Tassinari, veio com a ideia do Desafio do Não eu sabia o quanto aquilo me beneficiaria. Esta é a segunda vez que participo dele, que nada mais é do que um exercício psicológico e emocional, onde aprendemos a nos controlar de diversas formas, principalmente cortando os maus hábitos, como a gula e a procrastinação.

Começando ontem e num total de dez dias, o desafio consiste em dizer NÃO a tudo o que me prejudica. Ontem, por exemplo, finalmente voltei a me exercitar. Disse NÃO à minha preguiça, e fui à luta. No decorrer do dia, muitos outros NÃOS foram ditos – ao açúcar, aos processados, aos excessos, aos pensamentos destrutivos, e assim por diante.

Hoje o meu NÃO é para a procrastinação na cozinha. Desde que voltei do Brasil não consegui retomar o hábito de cozinhar todos os dias, e isso vinha me prejudicando muito. Mas hoje será diferente.

Se você também sente que precisa sair da sua zona de conforto, tome este desafio para sua vida também. Estabeleça um prazo e colecione NÃOS contra tudo o que te faz mal, independente do que seja.

É hora de dar um BASTA! É agora!

Viagem X Dieta – Como Foi Passar 1 Mês no Brasil

Cheguei do Brasil há dois dias, depois de uma viagem longa de muito trabalho e com um saldo de +2 kg na balança. Afinal, o que significa ganhar dois quilos em um mês? Poderia ter sido diferente? Foi fácil controlar a alimentação? E as tentações?

Pois é, minha gente. São mesmo muitas perguntas, curiosidades e preocupações que eu mesma tinha antes mesmo de partir. Minha maior ansiedade era pensar que estar fora da minha rotina significaria estar fora do controle de tudo. Para a minha surpresa, não foi bem isso o que aconteceu.

Quando a gente está feliz com o estilo de vida que é adepto, como no meu caso, parece que as coisas ficam mais claras. A verdade é que eu, muitas vezes sem querer e outras intencionalmente, acabei descobrindo uma variedade enorme de opções de restaurantes em São Paulo para quem busca uma alimentação mais saudável. A própria lanchonete do meu hotel, por exemplo, vende hoje em dia opções low carb de comida, lanches e snacks. Até o ano passado não era assim, muita coisa mudou por lá, e eu fiquei bem satisfeita com tais mudanças, porque foi aquela lanchonete que me salvou vários dias durante a semana.

Nos finais de semana também optei por conhecer lugares que ofereciam um cardápio mais natural e de baixo carboidrato, como o Club Life, o Capim Santo, o Empório Frutaria, e tudo mais. São opções maravilhosas. Tudo valeu a pena. Eu experimentei as tais sobremesas fit do Mundo Verde, pedi pizza low carb (com massa feita com farinha de coco e berinjela, uma delícia) da Pizza For Fun, e um dia antes de viajar saí com os amigos em um lugar chamado Quintal do Espeto (conhecido, rodízio de espetinhos com música ao vivo, uma rede, na verdade, ótima opção para agradar low carbers e high carbers também).

No geral, entre buffets e almoços na casa da vovó, deu tudo certo. Eu comi mais pães de queijo do que precisava, comi duas tapiocas de doce de leite (em dias diferentes), comi um pedaço do bolo de coelho da minha vó (tem foto dele no Insta), obviamente, um bolo high carb, e um pouco de uma sobremesa de damasco que ela também fez. Além disso, bebi algumas caipirinhas, sempre com polpa de maracujá e pouco açúcar… E tudo bem, também.

Dois quilos. Sendo muito técnica e compartilhando mais informações do que o normal, a verdade é que estes dois quilos não são gordura. Tem a ver com o período do mês! Tem a ver também com retenção de líquidos, com não dormir bem e/ou não dormir o suficiente, tem a ver com a ansiedade e o stress de que tudo corresse bem a viagem toda. Eu estou feliz com estes dois quilos, porque a verdade é que em qualquer outro momento da minha vida, teria ganho pelo menos quatro!

Mais do que pensar no que eu comi, eu gosto de pensar no que eu DEIXEI de comer. Isso sim é o que me impressiona. Eu entrei em uma padaria UMA vez, e tomei um café puro e uma água. Sério. É absurdo pensar isso. Passei em frente à Ofner milhares de vezes, a única vez que parei lá: tomei um café puro. Entrei na Bauducco no aeroporto antes de ir embora e: um café – puro. Não comi pastel. Não comi coxinha. Não comi pão francês. Não comi esfiha. ALIÁS, falando em esfiha: fui ao restaurante árabe e comi charutinhos de folha de uva! Dá vontade de gritar “QUEM É VOCÊ E O QUE VOCÊ FEZ COM A GISELE????” em frente ao espelho!

Estou orgulhosa destes dois quilos. Estes dois quilos representam, pasmem, auto-controle. Eu comprei roupas P e 38. No Brasil. O que são dois quilos, mesmo? Nada! Absolutamente nada. Eles irão embora tão rápido quanto vieram, e pronto. Fim.

As dificuldades em relação à viagem são muito mais emocionais e psicológicas do que físicas, realmente. Veja bem, tudo muda se um HÁBITO muda. Em 28 dias eu cozinhei UMA vez. Então, obviamente, meu cérebro está induzido a correlacionar comida à facilidade, comodidade ou “ser servida”. Estou, honestamente, com preguiça de cozinhar. Esta vem sendo a minha dificuldade desde quando voltei para casa.

É impressionante perceber como nossos obstáculos, muitas vezes, são o oposto do que imaginávamos que seriam. Meu maior obstáculo não é a minha boca, meu paladar, meu apetite….e sim, a minha própria mente. O que fazer agora? Retomar a rotina, reconstruir o hábito.

Mesmo que esta viagem tenha sido primariamente em função do meu trabalho, obviamente que estar em um ambiente diferente “reseta” o cérebro, e é difícil voltar às configurações estabelecidas como “padrão”. Sabe que isso não tem a ver só com a comida, tem a ver com tudo. Ontem mesmo estava procurando o adaptador da tomada (!) na minha bolsa, e a primeira vez que usei meu próprio toilet tentei dar descarga pressionando um botão imaginário acima do vaso, pois tinha esquecido totalmente que aqui ele fica na parte lateral. São pequenas, porém inúmeras coisas que são alteradas no nosso cérebro graças às repetições de novos hábitos. O negócio é prestar atenção e insistir nos hábitos anteriores, que, inevitavelmente, voltarão com força total. É que nenhum recomeço é fácil – mas podemos falar sobre recomeços em um outro momento. Por hora, foquemos nos dois quilos.

Dois quilos. Dois quilos de puro orgulho.

Dois Meses Fazem Diferença

Entre uma foto e outra temos nove semanas de diferença. Nestas nove semanas, entre o dia que eu recebi este vestido (comprai na Zara, online) e o dia que pude usá-lo com total auto-confiança, houveram muitos altos e baixos.

Eu tive o peso empacado por algumas destas semanas, eu tive a pior TPM da minha vida (de verdade, não lembro de ter passado por nada igual antes), tive festas de aniversário, jantares com amigos, e inúmeras tentações no escritório. Definitivamente, não foram nove semanas fáceis de se viver.

Mas eu sobrevivi. Não só sobrevivi, como aprendi muitas coisas.

A primeira delas é que é necessário ser consistente com a dieta. Faça sol, faça chuva ou neve, o peso empacado na balança ou não, é o quanto eu sou consistente que vai trazer resultados. Uma hora, a balança corresponde.

E correspondeu. Na TPM apelei para o bolinho low carb de caneca, feito no micro, e ao chocolate 85%, às vezes derretido para comer com morangos, outras vezes acompanhando um café preto puro, outras completamente sozinho. Segui, firme e forte.

Eu pensei em desistir. Não uma, duas e nem três vezes. Não foi um começo de ano fácil para mim. Eu tive crises existenciais, crises emocionais, problemas de relacionamento de vários tipos. Segui em frente.

Quando recebi meu vestido pelo correio, corri para a frente do espelho para vestí-lo. Apertado! Marcando muito. Disse para a Carol: “quando eu estiver com uns 5kg a menos ele vai ficar bom”.

Nove semanas mais tarde, depois de muito foco, muita garra e muita paciência, eliminei os quilos necessários para me sentir bem dentro do vestido.

Eu consigo perceber o quanto diminuí nestas nove semanas. Minha barriga, meus braços, as gordurinhas sobre a costela, o busto, as pernas, tudo! Até o rosto. Desinchei demais.

Não comer açúcar nem glúten é o segredo desse desinchaço. Pode não fazer efeito na balança de imediato, mas nas medidas…

Então, algumas conclusões a serem consideradas:

1) A vida acontece. Não adianta querer esperar por um “bom momento” para mudar sua alimentação. E mesmo depois que você já estiver acostumada com uma nova maneira de se alimentar, a vida acontece, e você não pode desistir.

2) Nos momentos de TPM não deixe de pensar na sua saúde. Eu provavelmente comi, naquela semana da TPM intensa, um pouco a mais de chocolate 85% do que deveria, mas não houve nenhum estrago maior, comparado ao que eu costumava comer antes, e o que poderia ter comido.

3) Tire suas medidas. E tire fotos. Não há nada que evidencie mais o progresso do emagrecimento do que estas duas coisas.

4) Por ultimo, e o mais importante de tudo: seja consistente. Não deixe que a balança ou os dias ruins tirem seu foco. Seja consistente, e o resultado virá.

Beijos,

Gi

Olá, Meu Nome É Gisele e Eu Sou Low Carber

Existe apenas uma rede social onde falo com mais frequência sobre meu processo de emagrecimento, o Instagram. Portanto, se você não está por lá (e tudo bem se não estiver), provavelmente não sabe muito sobre minhas aventuras dos últimos tempos.

Muitas coisas tem acontecido, eu mudei. Uma frase tão pequena esta… “eu mudei”. Mas é a única que sintetiza tudo, por dentro, por fora e ao redor da pessoa que eu sou hoje. Como já contei pelo Instagram, não sou muito favorável aos rótulos da vida – acho que quanto mais rótulos, mais separação, mais distinção, mais desunião, mais incompreensão, mais necessidade de se provar e de provar que o outro é errado. Eu detesto tudo isso. Somos todos seres-humanos com total possibilidade de conviver com diferenças – o que falta é empatia, compaixão, sensibilidade. Falta querer. E é por isso que eu venho relutando muito para escrever aqui (onde tenho controle nulo de quem lê) ou de falar a respeito nos meus videos no YouTube (onde tenho controle nulo de quem assiste) a respeito do seguinte fato: eu sou low carber.

É uma frase um pouco idiota, essa. “Eu sou low carber”. Que raios isso quer dizer? Que tipo de rótulo é esse? Por que isso importa? “Não, Gisele, não faz a menor diferença se rotular assim ou não”, foi o que disse a mim mesma centenas de vezes. Substituía termos como “low carb” por “de baixo carboidrato”, ou por “alimento natural”. Mudada e relutante, duas palavras que me descreveriam bem nos últimos meses…

Mas importa. Importa dizer nossa condição em alto e bom tom! Importa vestir a camisa totalmente. Importa, porque, se é assim que eu vivo, qual o problema? “Modinha”. Tudo bem, tudo bem. Mas eu adoro uma modinha…. Pode me odiar. Só que se alimentar de bicho e planta não é modinha. Nossos corpos foram criados para isso! Então tira essa ideia de modinha da cabeça, e pensa nos fatos. Comida de verdade. Alimentação natural. Não aos processados. Não ao artificial. Sem farinha. Sem açúcar. É modinha? Tem certeza?

Hoje completo cinco meses de low carber. Há cinco meses, tomei uma das melhores e mais assertivas decisões da minha vida. Desde então minha vida virou do avesso. Parece que meu cérebro passou a funcionar com mais potência. Parece que eu acordei de uma inércia biológica e psicológica, física e emocional. Tantas coisas que eu desprezava, passei a adorar. Tantas coisas que eu amava, passaram a me incomodar. Eu passei a detectar melhor meus sentimentos, minhas sensações, e fiquei incrivelmente mais…sensível. Esta parte está sendo a mais difícil, eu confesso. Mas é necessária.

E foi o fato de me tornar low carber que me deixou mais sensível? Absolutamente não. O negócio é que todo mundo pensa que emagrecer tem a ver com a boca – ledo engano! Emagrecer tem a ver com a CABEÇA. E tudo o que tem a ver com a cabeça é um processo, um processo longo, um processo longo e complexo. A complexidade do emagrecer envolve tudo, muito além da comida: os ambientes que você frequenta, as atividades que pratica, as conversas que participa, os livros que lê, os programas de TV que assiste, os passeios que sente prazer, o modo de descanso, a busca do novo, o aprimoramento da auto—estima, o empoderamento, o aprender a dizer não, a libertação da escolha, o autocontrole, o lidar com o fracasso, o lidar com o sucesso, a auto-reforma, o entendimento da necessidade da mudança, o objetivo traçado a curto, médio e longo prazos, ou seja, uma decisão iniciada com a cabeça irá com toda certeza tocar todas as áreas da sua vida! Inclusive a espiritual – sabe quantas vezes me peguei pensando no dia que estiver cara a cara com Deus e tiver que me explicar do porquê não cuidei do corpo que Ele me deu? Eu não quero passar por isso. Esta também é uma responsabilidade do espírito.

O dia em que entendi que o que havia de errado comigo era minha relação com a comida, tudo se tornou claro, transparente, óbvio diante dos meus olhos. O choque de realidade não é fácil, mas prefiro mil vezes lidar com a dificuldade do que com a ilusão da minha realidade. Eu estava vinte e cinco quilos acima do peso, doente do coração, com a auto-estima no chão, comendo de forma irresponsável e compulsiva. É difícil enxergar e aceitar a realidade como ela é. Mas só isso pode fazer com que você tome coragem para reverter a situação inteira.

Hoje comemoro cinco meses de low carber (paleo), com 19 kg eliminados e com perspectivas maravilhosas para meu próprio futuro. Hoje decidi que não há porquê ter medo de me rotular, não porque eu queira estar acima do bem e do mal, nem porque acredite ser a dona da razão, a única certa. Mas porque foi este caminho que me trouxe até onde estou. Foi o caminho que escolhi percorrer por muitos anos, o caminho que me trouxe paz de espírito e consciência do que eu quero para mim.

Todo dia 15 de cada mês irei abordar este tema aqui no blog. Hoje foi mesmo a apresentação oficial, mas nos textos futuros irei ser mais prática, mais objetiva, e irei compartilhar tudo o que venho aprendendo do que considero de valia e ajuda a outras pessoas também.

Sigo em frente, muito mais firme e muito mais forte do que nunca.

Gisele

5 Coisas Para Aumentar a Auto-Estima Imediatamente

1) Sua Aparência Importa

Sim, existem milhares de coisas mais importantes do que a nossa aparência: a nossa saúde, as contas pra pagar, cuidar da casa, cuidar da família, a reunião de condomínio, levar os cachorros pro pet, aguar as plantas, afofar as almofadas, responder os grupos do WhatsApp, estabelecer a paz mundial, etc, etc, etc… Todos nós sabemos disso. Mas, de que adianta bancar o super-herói todos os dias para todas as outras pessoas e esquecer de cuidar de nós mesmos? Não adianta muito. Uma hora essa bomba-relógio explode e você vai se sentir ainda mais sobrecarregado tentando correr atrás do prejuizo. Aliás, sendo ainda mais fatídica, o tempo é algo que não volta nunca, jamais. Simples assim. Um dia você vai acordar e vai perceber que uma década se passou e você simplesmente se perdeu em algum momento dentro dela. Sua aparência importa! Não importa só para os outros, mas principalmente para você! Sua aparência é o reflexo do que acontece dentro da sua cabeça, sabia disso? Se você não consegue encontrar tempo, vontade ou motivação para se cuidar, posso afirmar com toda certeza: o problema vem de dentro. Então reflita e faça algo por você!

2) Mudanças, Sim!

Eu sou uma pessoa resistente à grandes mudanças. Não precisa me conhecer muito para perceber esse traço da minha personalidade. Mas também não precisa me conhecer bem para notar que não tenho o menor medo em mudar pequenas coisas da minha vida. Pequenas, digo, inofensivas, mas que podem sim causar um enorme impacto. Meu cabelo é o maior exemplo de todos! Nada melhora mais a minha auto-estima do que mudar meu cabelo! E voltando um pouco na dica anterior, se você é daquelas pessoas que “não abre mão do cabelão de jeito nenhum” mas que simplesmente não consegue cuidar dele como necessário, talvez seja hora de considerar uma mudança! Vive de coque, rabo de cavalo, tem muito cabelo e só consegue “dar um jeito” nele uma ou duas vezes na semana? Colega, é hora de mudar! Vá no salão, corte, pinte, busque sua melhor versão. Falando nisso, nada como encontrar nosso próprio estilo de roupas e acessórios. Você pode fazer muitos testes na internet para descobrir melhor o estilo que combina com você – e se puder, contrate um profissional que te auxilie neste processo. Não tenha medo em mudar ou assumir totalmente o seu estilo, isso apodera!

3) Aquela Roupa Especial

Falando em roupas e acessórios, todo mundo tem aquele look especial, quase “de estimação”, que só usa em ocasiões mais especiais, né? Sabe o que eu descobri? Que podemos usá-lo como “norte” para compor todo o nosso guarda-roupa. Como assim? Eu explico. Você precisa identificar a sensação que tem quando veste esta roupa especial: como você se sente? Provavelmente, muito bem, mais bonita, elegante, ou sexy, ou poderosa, etc. Por que esta roupa faz com que você se sinta assim? É a cor, o tecido, o corte, o caimento? No meu caso, meus looks especiais são geralmente compostos por vestidos e salto alto, mas não posso usar um vestido e um par de sapatos de festa para o trabalho, né? O que eu fiz, então? Coletei todas as informações desse look e transportei para a busca de peças que sejam mais adequadas ao trabalho (e outras ocasiões), mas que tenham estes elementos que fazem minha auto-estima levantar! Então passei a usar mais vestidos com fundos escuros e estampas diversas, meias-calças, e o salto muitas vezes não é um scarpin, mas uma ankle boot, ou seja, poderosa mas confortável. Estes são apenas exemplos, mas você pode fazer isso com absolutamente qualquer tipo de roupa. Componha sua personalidade!

4) Desapegue

Compor e afirmar a nossa personalidade através do closet: esse tema não é possível de ser abordado sem falar do maravilhoso ato de desapegar. Quantas peças de roupa você provavelmente tem estocadas no seu armário que não tem absolutamente nada a ver com você? Isso acontece muitas vezes não porque compramos errado, necessariamente, mas porque acumulamos coisas de várias épocas das nossas vidas. Na minha última grande limpeza do closet eu tirei roupas e sapatos que eu tinha certeza absoluta que não voltaria a usar, pelo menos não pela próxima década (a moda sempre volta, mas existe uma grande diferença entre ser retro e ser um acumulador de tralhas!). Desapegue de: roupas fora de moda, estampas que não te agradam, roupas maiores que o seu número, roupas gastas, sapatos gastos, sapatos que você não usa porque te machucam, sapatos fora de moda, ítens repetidos desnecessariamente, coisas manchadas ou furadas, simplesmente DESAPEGUE! “Tire o velho para dar lugar ao novo”, tá até na bíblia isso. Renove os ares e organize tudo o que ficar.

5) Uma Por Dia

Eu não posso escrever sobre auto-estima e deixar de fora o tema ‘alimentação’. Honestamente, não estou com muita vontade de escrever sobre a minha reeducação alimentar, este texto não é sobre isso. Só que é inevitável dizer o seguinte: se alimentar melhor aumenta a auto-estima. E não estou falando em perder peso. Estou falando em buscar saúde. Então fica aqui minha dica: comece com apenas uma escolha por dia. Apenas uma. “Hoje vou beber água”, ou “Hoje vou comer salada no almoço”, ou “Hoje vou experimentar um legume novo”. Uma coisa só por dia, todos os dias. Você vai perceber um universo de possibilidades se abrir diante dos seus olhos, vai conseguir desmistificar certas coisas, conhecer outras, e até mesmo descobrir outras. Uma por dia, apenas uma.

Foque em você, sempre.

Gisele

Nós Somos Bicho

Eu não sou muito de ir em médico pra coisa nenhuma, mas lembro bem dos médicos que cuidaram de mim durante toda a infância. Eu nasci e cresci em São Paulo, um estado que teve a sorte de receber muitos imigrantes japoneses. Ambos, Dra. Yvete, minha pediatra, e Dr. Mario Yamashita, meu otorrino, eram japoneses.

Lembro de um episódio desses ‘clássicos da infância’ em que tive um tipo qualquer de virose. Devia ter por volta de 8 anos de idade e, naquela época, eu ainda não era muito boa de prato. Nunca fui uma criança obesa, mas também nunca fui magrela. Era, como sempre ouvi, ‘normal’. E neste episódio, mamãe me levou à clínica da Dra. Yvete. Ah! Como tudo era mais simples e despretencioso naquela época.

A Dra. Yvete me receitou um remédio de gosto horroroso, mas de uma coloração tão, mas tão rosa-choque, que eu conseguia até ficar feliz em ter que tomá-lo. Era o remédio (líquido, por sinal) cor-de-rosa mais fosforescente que você pode imaginar. Acompanhadas do remédio, as seguintes recomendações: “Comida: fria. Não tem fome, não come. Gelatina e Coca-Cola, a hora que quiser.” Eu sarei. 

Depois de alguns anos, foi o consultório do Dr. Yamashita o que eu mais frequentei. Foi a fase das intermináveis dores de ouvido e dores de garganta que toda criança passa. Naquela época, já acompanhada da Letícia (minha irmã, caçula). Eu ficava impressionada com a precisão do Dr. Yamashita e com tudo naquele lugar. Até hoje, lembro exatamente da sala de espera e do consultório que era dividido em duas partes, uma com sua escrivaninha, e a outra com a maca e as luminárias que brilhavam e ardiam os olhos apontadas para a nossa cara. Era demais.

O Dr. Mario Yamashita, imagino, já conseguia, naquala época, detectar os meus primeiros sinais de obesidade pré-adolescente (dos onze aos treze anos eu estive bem acima do peso) – bem como o total desinteresse da minha irmã pela comida, no geral. Éramos, naquela época, dois pequenos opostos de ‘fim de infância/início de puberdade’ e ‘fim de desfralde/início de autonomia infantil’. Eu não tinha o menor problema com a comida, minha irmã tinha quase todos.

Meu otorrino era um médico de poucas e sábias palavras. Quisera tê-lo ouvido naquela época, pois teria me poupado de tantos problemas… Ele dizia o seguinte: “Observe a natureza. Os animais bebem água. Os animais comem planta. Os animais comem fruta. Outros, comem carne. Bicho não bebe leite. Bicho não bebe suco. Bicho não bebe refrigerante. Bicho não come açúcar. Nós somos bicho. Temos que comer e beber como bicho.”

Tudo, tudo o que eu levei uma vida toda para entender, simplesmente explicado em pouquíssimas frases pelo médico que cuidou de mim ainda tão nova. Aquele homem, que já era um senhor naquela época, não era necessariamente um visionário (se pensarmos na era paleo/low carb que vivemos atualmente) – ele era prático, simples, era, na verdade, muito óbvio! Ele, meu querido otorrino, Dr. Mario Yamashita, estava certo o tempo todo.

A medicina evoluiu, as doenças também. Ou vice-versa. Acho que uma coisa puxa a outra, na verdade. Mas quase ninguém pensa ou enxerga as indústrias alimentícias e farmacêuticas como o que elas realmente são: máquinas de dinheiro. Primeiro, eles nos entopem com tudo o que nos prejudica, e depois tentam nos consertar com produtos químicos de todos os tipos. Isso é contra a nossa natureza. “Nós somos bicho.”

Hoje quando chegar em casa, faça um exercício. Abra sua dispensa e sua geladeira e procure tudo o que é processado. Adoçante químico é algo que não existe na natureza. É como plástico. Cada vez que você ingere qualquer adoçante químico, é como se estivesse comendo um pedaço de tupperware. Como isso pode ser bom? Como podemos beber líquidos que não conseguimos se quer detectar do que são compostos? Como isso não é assustador?

Eu não quero soar hipócrita. Não quero mesmo. Mas há uma venda enorme caindo dos meus olhos por estes tempos, e é chocante. A realidade é chocante. Precisamos pensar que nossos corpos não são compactadoras de lixo. Não foi assim que Deus nos criou. Temos que cuidar bem dele, é tudo o que nos resta. 

Desejo a você uma vida mais consciênte, com escolhas que apenas te façam bem. Lembre-se do que o Dr. Yamashita dizia. Nos somos bicho – mas precisamos ser mais racionais. É a nossa condição.

É isso.