Adeus, 2017

Quanto tempo!

E quantos posts começados, repensados, deletados nestes últimos meses. Eu poderia começar este last post of the year dizendo que está tudo bem, que eu continuo a mesma de sempre, indo e vindo e coisa e tal. Mas seriam inverdades.

Eu não sou mais a mesma desde Setembro. Não somente pelos vários quilos que eliminei do meu corpo, mas principalmente porque estou, como costumo descrever, em processo de desabrochamento.

Como todo bom e velho discurso de final de ano, preciso sintetizar 2017 em uma única frase, e no meu caso, salvo engano, 2017 resume-se a um belo “O que foi isso?”.

Eu nunca vivi tantas coisas boas e tantas coisas ruins em um ano só. Nunca me senti tão nômade, viajando como never before, e nunca me senti tão enraizada a um único lugar, a minha casa.

Não me lembro de ter conhecido – ou melhor – instituído tantos amigos como em 2017, e também não me lembro de nenhum outro ano em que sofri tanto por questões fraternas.

Acredito também que 2017 foi o primeiro grande ano no meu casamento, sem escandalizações ou hipocrisia, quem já casou alguma vez na vida – principalmente se conseguiu permanecer casado – sabe a dificuldade que é o início de um casamento. 2017 foi nosso quarto ano de casados, e finalmente posso acreditar que o casamento foi feito para a felicidade, e não angústia, dos seres humanos.

Este ano comecei agarrada na igreja, e terminei agarrada em Deus.

Um ano de absurdos políticos, crises econômicas, com mais corrupção, com discursos de xenofobia, diminuição da mulher, separação de raças, um ano em que milhares de idiotas saíram dos seus armários imundos e preconceituosos. Nunca me senti tão brasileira, em nenhum outro ano vivendo fora do Brasil. Nunca me senti mais forte e orgulhosa por ser mulher. Nunca estive mais atenta e empática ao alheio. O alheio, de fato, não existe – e tolos são os que acreditam nisso.

E, não poderia deixar de mencionar algo, no mínimo, inesperado – 2017 foi o ano que me tornei Facebook-free! Ou seja, desativei minha conta, desapeguei dos dramas particulares e da negatividade que aquela plataforma jorrava na minha cara logo pela manhã, todos os dias da semana, todas as semanas do mês, todos os meses dos últimos dez anos. Dez anos foi o tempo que levou para que um prazer tornasse-se um desgosto. Talvez esta tenha sido não a maior, mas a mais qualitativa de todas as decisões que tomei em 2017.

Que grande ano, 2017. O ano da minha iniciação em Star Wars. O ano em que passei a acreditar na Força e admirar os Jedi. Parece bobagem, mas só para quem não entende.

Me despeço de 2017 com muito alívio e muita gratidão. Costumo dizer que anos ímpares são sempre os mais difíceis para mim. Não é mitologia, crendice, superstição. É apenas o que é. Anos ímpares são, por algum motivo, muito desafiadores. São a dor muscular que se sente depois do exercício físico puxado – aquela dor necessária, que vem acompanhada do sentimento de missão cumprida. É isso.

Espero que as lições aprendidas neste ano sejam perpetuadas durante minha existência. Espero não esquecer o que vivi, porque tudo foi de muita importância.

A você que leu este texto, deixo toda minha gratidão. Se me acompanhou, seja lá por qual motivo, durante o ano de 2017, espero também ter agregado algo de bom à sua vida. Se não agreguei, peço então mais uma chance – deixo aqui a lista de todos os livros lidos por mim no ano de 2017:

1- Quando Você Voltar – Kristin Hannah

2- Eu Acho que Amo Você – Allison Pearson

3- A Melhor Coisa que Nunca Aconteceu na Minha Vida – Laura Tait

4- A Memória de Uma Amizade Eterna – Gail Caldwell

5- Desaparecida – Catherine McKenzie

6- O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wild

7- Mulheres Francesas Não Engordam – Mireille Guiliano

8- Sissi – A Imperatriz Solitária – Allison Pataki

9- 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo – Mo Daviau

10- Por Que Engordamos – Gary Taubes

11- Além da Esperança – Kristin Hannah

12- Barriga de Trigo – William Davis

13- Um Dia – David Nicholls

Um ótimo final de ano a todos!

Abraços,

Gisele

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Tu

Tudo aberto.

Teu número.

Tomo coragem.

“Ai meu Deus, faço ou não faço? Vai, menina. Toma vergonha. Faz de uma vez. Vai. Disca.”

Tuuuuuuuu….

“Eita… 729..23.. Tá mudo. Tá mudo. Deu zica, vou desligar. AI MEU DEUS, TÁ CHAMANDO!”

Tuuuu… Tuuu…. Tuuu….

“ – Alô?” – Tua voz.

“…”

“ – Alô?! …” (… “Quem é?!” Outra voz ao fundo, a tal intrusa, tão sortuda.)

“…”

“ – Alô? … Não sei, um número esquisito. Olha aqui, que estranho o que aparece… Tá vendo?….” 

Mostra a bina.

“ – Alô?… Alô?!?”

“…”

Tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.

“Tá certo. Prende a respiração. Vai! AGORA, PRENDE!”

Tua boca, meu coração. Meu coração na boca, disparado. Um todo.

Tu-tu. Tu-tu. Tu-tu. Tu-tu.

“Segura a respiração, conta até 15.”

Um… Dois… Três… Quatro…

Tempo. Aquele filminho flutuando, os olhos fechados, segurando o nariz. Um dia no sítio, um ônibus, um apartamento, um secador de cabelo queimado. Você consertou. Mas eu te deixei.

…Quinze.

“Solta, dá risada, fica nervosa, dá uma tremidinha. Tá, chega.”

Travei. 

Dois mil e seis. 

É tarde.

Dois mil e dezesseis.

Eu com tu, eu sem tu. 

Eu com vinte, eu sem trinta.

Tudo muda. Todo mundo. 

Tudo. Muda.

Até Eu. E tu.

Gisele T. G., 26/7/16 – Poema dedicado à 2006 e tudo o que ele representou. Certas marcas são para sempre. Certos anos também.

Perdidos Numa Ilha de Aventuras

Bate uma saudade cada vez que eu penso nesse dia. A gente riu tanto, falou tanto, se divertiu tanto, que o dia pareceu ter umas 80 e poucas horas… E ainda deu pra deixar aquele gostinho de quero mais!

Não dá pra descrever a alegria que é ter a Carolina junto de mim. Sabe, esse dia a gente construiu uma memória tão linda, que tenho certeza que iremos carregar conosco até ficarmos bem velhinhas. 

Deus é tão bom. Sou muito grata por tudo o que Ele me permite viver e mais ainda pelas pessoas maravilhosas que Ele permite que compartilhem essa vida comigo! 

Quero mais! Já estou com saudades! 

“A amizade verdadeira não é inseparável. É estar separado e nada mudar.”

Te amo, Ca. Obrigada por trazer tanto sentido à minha existência.

Gi. 

O Fio

Não dá pra saber o que vai acontecer no segundo seguinte.

Os segundos não param, não seguram, não soam.

Apenas seguem, segundo a segundo, nem primeiro, nem último.

Não importa se é o jovem ou o velho, ou o branco ou o preto, o direito ou o esquerdo. 

O fio segue, continuamente, sem trégua, sem freio.

Se é mais longo ou mais curto, o fio é o fio. Seco e vazio. 

Quando rompe, repente, responde, doente. Sem rumo, dormiu.

No corpo o fio líquido, fora dele é todo luz.

Se líquido, vaza, escorre de dor em cruz. Se luz, amorna, sem som nem jus.

Se o fio se vai, num segundo capaz, escoa, molha, mancha, desfaz. À luz, em paz, o silêncio se faz.

Foi-se o fio, segundo a segundo, o velho, o novo, o fraco e o viril. 

Não importa mais. Só fica saudade, lembrança, história de amor juvenil.

Se foi, num segundo, dormente, o fio. Segundos seguidos, semblantes vazios. O choro, os olhos, a voz que partiu. 

A luz que ficou, o fiasco do frio, calor da esperança que é viver por um fio.

Gisele T. G. – Em memória daqueles que partiram cedo demais.