O Que Vale

Há exatamente um ano minha melhor amiga foi diagnosticada com a doença celíaca. Há exatamente um ano, as nossas vidas mudaram completamente.

Não vou escrever sobre isso. Mas vou escrever ao redor disso.

Quantas vezes você se deparou com mudanças radicais em sua vida? De onde elas vieram? Por que aconteceram? Foram escolhas? Foram consequências? Foram riscos tomados? Foram resultados? Até que ponto temos o controle do que nos acontece? Até onde devemos nos cobrar ou nos forçar?

São muitas perguntas, provavelmente ninguém tenha uma resposta concreta a todas elas. Acho que tudo bem, pois eu muito menos.

O que eu sei é que quanto mais o tempo passa, mais temos a possibilidade de desvendar pequenos mistérios sobre a nossa própria existência. Imagine que a sua vida é um longo labirinto, não necessariamente assustador, não absolutamente enigmático, não completamente confuso. Apenas um labirinto, com portas e janelas, e que conforme você caminha, pé ante pé, as portas e janelas se abrem, e você consegue enxergar o que há do outro lado. Acho que a maturidade acontece assim. Talvez este seja o significado da frase “eu sei porque já passei por isso”. Talvez muitas das janelas e portas se repitam, em proporções e momentos distintos, nas vidas de todos nós.

O que importa, afinal, é entender que o labirinto deve ser percorrido. Você pode até parar aqui ou ali, para tomar um ar, observar uma paisagem, quem sabe até fazer um picnic, tirar uma soneca. Mas no final, seguirá em frente. 

Se você sofre, por exemplo, com a ansiedade ou com a depressão, insista na idéia do labirinto. Pensar muito nos caminhos que você já percorreu, ser obcecado pela trilha que ficou para trás, nada mais é do que a depressão. Se preocupar ao extremo com o caminho à frente, questionar demais as portas e janelas, não conseguir alcançar a tranquilidade pensando em quantos passos mais você terá que percorrer, nada mais é do que a ansiedade. Nem o passado, nem o futuro devem prendê-lo ao presente. O que foi, foi. O que virá, virá. Ter desapego e ter paciência é o que vale.

No caminho, cada experiência é uma oportunidade de crescimento, mas nenhuma delas, boa ou ruim, é o veredito final do quanto vale a sua vida. Apenas recolha os ensinamentos, descarte os maus sentimentos, e cuide para não tropeçar de novo nos mesmos erros. 

Falar é fácil, mas viver tudo isso é muito complexo – e eu sei bem. Talvez você tenha recebido uma notícia muito difícil hoje. Talvez você esteja frente a frente com uma porta em seu labirinto que acaba de ser aberta e revelar a você uma caminhada de dificuldades. Não desanime. Outras janelas e portas virão, tenha certeza disso. Os caminhos de dificuldade o tornarão mais forte, mais consciente, mais assertivo.

O que vale é o que se vive, não há destino final, há apenas uma jornada. Portanto, respire, reflita, e foque suas energias no presente. O presente é o que vale. 

Força.

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Na Jornada da Perda de Peso, Conte Somente com Você

Esta semana completei mais um ciclo de cinco dias seguidos de academia. Me comprometi a me exercitar todos os dias úteis da semana, entre 45 e 60 minutos por dia, por um período indeterminado. O objetivo é fazer com que meu corpo se acostume ao máximo a praticar atividades físicas a ponto de me enviar sinais de cobrança nos dias em que eu não me exercitar. O meu objetivo maior, na realidade, é ter uma vida adulta com muita saúde, agora e durante a terceira idade.

“Mas Gisele, você só tem 31 anos, não é um pouco de exagero pensar na terceira idade assim?” – no meu caso e na minha opinião, não. Nem todos podemos ser filhos e netos de grandes atletas. Nem todos temos este estímulo da prática de esportes constante vindo de pessoas ao nosso redor. Nem todos temos a bênção dos genes magro-alto-sem colesterol-sem diabetes-sem hipertensão presenteado a nossos corpos. Eu preciso entender que o agora é meu futuro, e que o futuro é meu agora. Não tenho outra senão optar pela prevenção.

A questão não é ter um corpo sarado – veja bem, eu nem se quer tomo sol! Não é por exibicionismo. Vaidade pessoal? Com toda certeza. Preciso me amar, e preciso me amar primeiro. Mas o fato é que quero ter uma vida com o mínimo de remorso possível, e isso começa pela minha saúde, que está no topo desta lista. Deve ser horrível ter um diagnóstico de alguma doença limitadora, para não dizer fatal, com 40, 50, ou 60 anos, e se dar conta de que se houvesse mudado meus hábitos décadas antes, aquilo poderia ter sido evitado. Significa de que me tornarei imune a doenças e problemas? Não. Mas significa que estarei com a consciência tranquila sabendo que dei o melhor de mim, por mim. Significa que não fui um fator a mais (se não o mais poderoso deles) a tornar uma situação ainda pior, potencialmente.

Mas o que importa é fazer tudo isso pensando de uma maneira bem egoísta. Quando se trata de peso, reeducação alimentar, prática de exercícios, você pode e deve ser muito egoísta, pensar somente no seu bem-estar, olhar somente para o seu próprio umbigo. Acredite, olhar para o próprio umbigo ajuda muito nessas horas, principalmente quando a única visão que se tem dele é uma visão ‘semi-periférica’ (graças às saliências da pança!). 

Além do mais, digo por experiência própria: você não terá ninguém para contar além de você mesmo nessa caminhada. Nem as pessoas mais próximas de você, por mais bem-intencionadas que sejam, conseguirão dar o apoio que você realmente precisa. Muitas delas provavelmente não irão acreditar que você tem a capacidade de conseguir alcançar o seu objetivo – baseiam-se nas suas próprias fraquezas e sentem uma ponta de inveja quando percebem que há quem seja mais forte.

Eu caí na infelicidade de comentar com algumas pessoas a minha meta de peso. Foi uma grande estupidez da minha parte. Ninguém, nenhum deles, teve a capacidade de me apoiar e dizer “eu tenho certeza que você consegue”. Ouvi coisas como “mas a sua estrutura, não vai ficar bom”, ou “é que você tem ossos largos, então pode ser que não seja fácil”, ou então “as suas expectativas são muito diferentes das minhas, mas talvez você consiga”. Todos tão bem-intencionados, ninguém teve fé em me dizer que, ainda sabendo que aquele número é absolutamente normal e saudável para a minha estatura (gente, eu tenho noção das coisas!), confiava que eu iria conseguir.

As pessoas se incomodam de me ver indo na academia todos os dias, tirando fotos de looks no espelho, fazendo comparações de antes e depois. É porque elas se sentem mal com elas mesmas, com a incapacidade delas e a falta de força de vontade delas próprias em tomar uma atitude e mudar. Por isso há um certo incômodo, perguntam quantos quilos eu perdi, dão pitacos na minha alimentação, e mensagens do tipo “cansei de ver você na academia 5:00 AM todo dia”. Não é fácil. 

Mas por que então eu continuo falando tanto sobre minha reeducação? Primeiro porque eu gosto de falar abertamente sobre as coisas que eu vivo. Não há o que esconder. Eu sou assim, sempre fui e não é agora que vou fazer diferente. Segundo, porque é uma maneira de eu mesma tomar consciência de tudo o que eu faço – com relação aos alimentos e aos exercícios. É uma auto-cobrança, algo que me empurra pra frente. Terceiro, porque apesar das pessoas que tentam sempre puxar os outros para baixo, há muito mais pessoas que se sentem inspiradas e motivadas com esse tipo de conteúdo.

Eu sou uma mulher absolutamente normal, posto receitinhas saudáveis com o que tenho na geladeira, faço academia em um lugar super simples, não sou exemplo nenhum de vida fitness, mas pelo menos jogo a real com vocês. Quando vou comer uma fatia de torta de limão passada na massa de bolinho de chuva e frita (aquela que eu postei no dia da quermesse!), eu mostro também! Porque a vida é isso, e não o faz de conta que muita gente prefere publicar. 

No final, conte somente com você. É a minha força de vontade que me faz levantar da cama todos os dias e ir pra academia. É a minha consciência que me faz pensar antes de comer um misto quente com refrigerante e doce na frente da televisão de noite. É o meu amor-próprio que não me deixa desistir.

A caminhada é única e exclusivamente sua, portanto faça dela a melhor e mais feliz de todas. Você merece.

Arrombe a Porta

Por anos e anos (e anos e anos) da minha vida estive recolhida pelos mantos de vontade, cortinas de ordens e telhados de regras de outras pessoas. Aqui cabe, sim, pai e mãe, mas as paredes, as colunas, as escadas e portas iam bem além da sujeição esperada, respeitosa, ainda que por vezes forçada, aos comandos dos meus pais.

Quantas vezes olhei para os lados e senti as limitações das cobranças de todas as outras pessoas? Todas, todas mesmo? Não saberia contar. 

Apesar da personalidade espontânea, da mente e da boca descontroladas, sempre um pensamento à frente e com uma resposta engatilhada; apesar das diversas tentativas de expressão, como todo jovem, fosse pelas gírias faladas, pelas músicas berrantes ouvidas de longe pelos vizinhos, pelas roupas chamativas ou pelo salto alto afiado, apesar do cabelo mudando de cor e forma como mudam as nuvens do céu paulista, apesar de toda uma inteligência demonstrada em textos e números e notas (musicais e de boletim), sempre fui uma manada contida, sentimentos e vontades e planos e ações estancadas como se fossem todos eles grandes afrontas ao que se era aceito, ao que se podia e não podia.

O que se faz necessário é uma grande ilusão. Aceitação é a pior de todas as armas nas mãos de quem controla a guerra. Manipulam tudo – a exigência é o próprio controle. Fingem que esta casa estruturada, estes mantos e cortinas e telhados e portas são um grande refúgio – tudo quase calculado, para que, conformados, aceitos, nunca sintamos o ímpeto de sair dali.

Chute a porta da frente. Arrombe-a. Liberte-se. Ninguém tem o direito de fazer com que você faça menos, queira menos, acredite menos, conquiste menos, SEJA menos. Menos e mais, e mais e menos, isso tudo é bem relativo! Ninguém tem o direito de exigir com que você faça mais, queira mais, acredite mais, conquiste mais – SEJA mais. Você é o que é e, se não sabe o que é, ainda não teve coragem de chutar sua porta da frente.

Tenha o ímpeto. Pare de olhar ao redor, para cima, para baixo e olhe somente o lado de dentro. Todas as respostas estão bem ali. Agora, basta agir.

Força.

Quando o Assunto é a Balança


Recebo dezenas de mensagens de mulheres que me acompanham pelas redes sociais todas as vezes que o assunto abordado é peso. É impressionante enxergar a sede que tantas pessoas tem – e que, na minha opinião, vai além de uma simples curiosidade – em tentar entender como alguém consegue perder peso.

Eu mesma acompanho algumas mulheres que falam especificamente disso na internet, mas nenhuma delas é considerada como um modelo a se seguir da vida fitness. Por quê? Porque são pessoas de verdade, contando as reais histórias dos seus corpos e da sua relação com a comida.

Por algum tempo, evitei falar a respeito da minha própria reeducação alimentar. Minha própria melhor amiga demonstrou uma preocupação profunda com o fato de que me expondo tanto quanto eu fazia, poderia mais me prejudicar do que me ajudar. Ela tem razão.

Não é fácil colocar a cara a tapa quando se trata do nosso próprio corpo. Não é fácil lidar com críticas, principalmente quando os ‘juízes’ decidem apitar seu jogo sem nem ao menos compreender todas as regras que o cercam. A dificuldade de escrever, gravar, fotografar e postar sobre emagrecimento é tão grande quanto o próprio processo de emagrecer. Uma caminhada cheia de obstáculos.

Porém, uma coisa que tento levar comigo para tudo na vida é que ser transparente é sempre a melhor opção. Eu não sei viver pela metade, não sei fazer nada pela metade. Se entro, entro de cabeça. E graças ao post de ontem, percebi que posso ajudar tantas pessoas através da minha própria experiência, tantas, que decidi correr este risco!

Então, vamos deixar algumas coisas bem claras. Primeiro, e mais importante de tudo: eu vou falhar. Vou comer doce, vou comer massas, vou em restaurantes, vou agir como uma pessoa absolutamente normal. Não vou perder peso toda semana, não é esse o meu objetivo, pois conheço meu corpo e entendo minhas limitações. Não vou me comprometer a abrir o quanto peso, mas vou contar o quanto perdi, quando decidir que é hora de contar. 

O que me comprometo a fazer é, sempre que falar sobre emagrecimento, ser absolutamente honesta. Não quero aumentar nem diminuir minhas conquistas e meus fracassos. O meu objetivo é aumentar minha qualidade de vida – uma constante, e não um número na balança – uma variável. 

Gostaria de dividir esta experiência com vocês, e sei que posso contar com o apoio de muitos, e por isso sou infinitamente grata. Aos curiosos (um ou outro, sempre tem) boa sorte em suas vidas, não esqueçam que jogar tetris no seu tempo livre irá agregar muito mais à sua vida do que vir aqui bisbilhotar – dizem que jogar tetris uma vez por dia por uns 30 minutos pode prevenir o Alzheimer. Aproveite melhor o seu tempo!

É isso. Sobre todo o amor de ontem, minha mais sincera gratidão.

Até breve.

O Caminho do Sucesso na Reeducação Alimentar Morando Fora


É a primeira vez na minha vida em que eu decido de todo coração mudar os meus hábitos. Esta caminhada começou, timidamente, em 2015, na primeira vez em que eu me associei aos Vigilantes do Peso (em inglês, Weight Watchers). Eu perdi, eu ganhei. Não apenas na balança, mas em vários sentidos.

De lá para cá muitas coisas não são mais as mesmas. Eu mudei de casa, mudei de emprego, mudei o visual, mudei alguns hobbies, até o meu círculo social também mudou. E essa é a vida, essa é a jornada. Cheia de altos e baixos, de bons e maus momentos, de conquistas e obstáculos, formada por avalanches de dificuldades e campos de calmaria. 

Mas hoje, depois de algumas experiências, acho que sou capaz de entender melhor o que a comida tem a ver com isso tudo. E tem muito a ver.

Ontem conversando com um grande e velho amigo, ele me confessou que se fosse ele morando aqui nos EUA não conseguiria ter a mesma força de vontade que eu tenho, em buscar uma alimentação mais saudável. Verdade seja dita, os EUA são o reino dos fast foods e das porcarias, que – diga-se de passagem – são maravilhosas. São tantas guloseimas, tantas opções, e a um custo tão baixo, que não é de se admirar que a droga número um dos americanos sejam elas. Qualquer um pode ter uma overdose de açúcar e fritura aqui por menos de $10. Não é a toa que aqui o que reina é a obesidade.

E quando esse meu amigo fez tal declaração, a primeira coisa que eu pensei foi: mas eu levei dez anos para conseguir decidir mudar meus hábitos alimentares! Dez anos! E foi justamente isso que eu respondi a ele. 

Não foi uma decisão tomada da noite para o dia. E é, na realidade, uma decisão tomada todos os dias, multiplas vezes ao dia. As tentações são inúmeras – houve uma semana aqui no trabalho onde em quatro dos cinco dias úteis foi servida alguma comida gorda aos funcionários, como forma de “motivação” ou para comemorar algum marco incrível de algum colega. 

A coisa mais comum nas empresas americanas é ter caixas e caixas de cookies e donuts na salinha do café à vontade para os funcionários. Tem noção?

E eu não estou aqui para julgar o estilo de vida, a cultura ou os hábitos dos meus não-conterrâneos. Isso, na realidade, não é problema meu. E esta é a chave de tudo.

Enquanto eu perdia meu tempo criticando os americanos pelos seus hábitos e culpando o ambiente ao meu redor pelo meu ganho de peso, nada mudava nas vidas deles, e eu continuava a engordar. Lembre-se: enquanto você tiver uma desculpa para continuar onde está, pode ter certeza, você continuará onde está.

A vida americana é sedentária e gordurosa? Absolutamente. Mas eu não sou obrigada a viver desta maneira. Acima do sedentarismo e da maneira de se alimentar, muito acima deles, está uma coisa chamada LIBERDADE. A América é um país livre. Aqui sou livre para usar maquiagem sem ser julgada, sou livre para pintar o cabelo sem ser mal interpretada, sou livre para usar o estilo de roupas que eu quiser, inclusive sou livre para ser gorda! Seria só mais uma.

Mas então, o que me impede de NÃO ser gorda? Nada. Bom, provavelmente minha própria cabeça, meus próprios maus-hábitos, minha própria preguiça, minhas próprias desculpas, ou seja, resumidamente: minha própria atitude.

Aqui tenho toda a liberdade do mundo e todo o acesso à academias, parques, até mesmo a um magnífico rio (se eu pudesse nadar) cheio de praias, e piscinas, e supermercados com – pasmem – uma seção inteira só para frutas, verduras e legumes! 

Abramos um parênteses sobre o ‘ser gorda’: aqui não cabe o sentido da palavra ‘gorda’ discriminado e submetido à ditadura da beleza. Ninguém é obrigado a ser magro, assim como ninguém é obrigado a ser gordo. Fisicamente isso não importa – do pó viemos, ao pó voltaremos. O que eu quero dizer com ‘ser gorda’ aqui é ter uma atitude irresponsável e negligente em relação ao que se ingere, ter uma mentalidade gorda, sofrer quando se olha no espelho e quando se mede a pressão sanguínea, não saber o limite e a ponderação entre o que se quer e o que se deve fazer. No meu caso é isso.

As pessoas me perguntam como consigo levantar todos os dias as 5:00 AM (5:15 AM, na verdade) para ir malhar. A resposta é muito simples: eu odeio malhar. Por isso, decido que é a primeira coisa do dia que vou fazer, para poder eliminá-la do meu pensamento no decorrer do dia. Além disso, se eu não fosse para a academia teria que estar de pé às 6:30 AM de todo jeito. Ou seja, não estou perdendo quase nada – me deito por volta das 22:00 e se me sinto muito cansada em um determinado dia, me recolho ainda mais cedo. 

É questão de hábito, é questão de escolha. Escolher o caminho que você quer percorrer. É muito difícil, todos os dias, mas minha falta de saúde e insatisfação com a minha própria imagem são coisas ainda mais difíceis de encarar.

A conclusão deste post é a seguinte: não importa se você vive no Brasil, nos EUA, na Europa ou em qualquer lugar do mundo, o segredo do sucesso é parar de olhar à sua volta e olhar unicamente para você. Não use desculpas esfarrapadas, não busque culpados, e desencane da genética. Se você quer, você pode e você irá conseguir.

Força!

Vida Que Segue

Semana passada fui à Florida a trabalho. Quem me acompanha pelo Instagram e tem paciência de seguir meus Stories e fotos já deve saber. Estive em Orlando e em Miami, e devo dizer que esta foi uma viagem muito produtiva, graças a Deus.

Trabalhei muito, o que realmente foi maravilhoso, conheci pessoas incríveis, e voltei para casa com a sensação de dever cumprido. Tive um contratempo na volta para casa, fiquei presa no aeroporto de Chicago por algumas boas horas, meu vôo para Moline foi cancelado (por motivos de mau tempo) e tive que voltar de lá dirigindo – pouco mais de 3 horas de estrada sob um temporal incessante o caminho todo. Cheguei às 3 da manhã no meu doce lar, quebrada mas feliz.

Feliz de estar de volta. Fiquei contente com tudo o que aconteceu durante a viagem, mas estou feliz de estar aqui, no meu canto. Todas as vezes que eu viajo me sinto assim, feliz por ir e mais feliz por voltar.

O que há de novo para registrar aqui? Nada de especial, na verdade. Quem viaja assim, a trabalho, com uma certa frequência como eu sabe bem o que são os momentos de ‘solidão’ da estrada. Não necessariamente solidão do tipo deprimente, mas os momentos onde, de repente, você está sozinho. 

Eu fico rodeada de pessoas o tempo inteiro quando viajo a trabalho. Mas quando volto para o hotel, entro no quarto e fecho a porta, me sinto estranhamente sozinha – não deprimida, nem triste, nem solitária, apenas sozinha. Eu, Gisele, sendo minha única companhia.

Hillstone Restaurant, Winter Park, FL


São nestes raros momentos em que eu consigo refletir (seria demais dizer ‘meditar’, demais para um pessoa como eu que pensa e age e se contorce e ri e fala sozinha, as vezes tudo ao mesmo tempo) sobre aquelas questões filosóficas da vida, algumas que valem bastante a pena, e outras que não valem absolutamente nada.

Mais estranhamente ainda, nesta viagem pensei repetidamente – e involuntariamente, diga-se de passagem – sobre a maternidade. Acho que foi porque mais uma pessoa, na melhor de suas intenções, me sugeriu que congelasse meus óvulos. O que se faz com óvulos congelados que a mulher decide não usar? Onde é que eles ficam guardados? Quanto custa alugar um espaço na geladeira de óvulos? E se decidir usar, como eles vão parar lá dentro de novo? Da mulher?

Enfim, depois pensei em filhos grandes. Pensei na Disney, não sei por quê (!?). Eu estava em Orlando, né? E depois Miami.

Pensei muito em coisas que, bom, não posso escrever a respeito – mas tudo bem, se fosse seu este texto você também iria preferir não escrever a respeito de determinada coisa, e mencioná-la mesmo assim, só porque você sabe que não há sensação mais legal do que a de provocar a curiosidade alheia! Nós, seres humanos, somos todos iguais mesmo.

E então, tive imensos diálogos com Carolina, que como sempre é a pessoa que tira a cegueira dos meus olhos. Como é que as pessoas vivem sem ter uma Carolina? Eu não sei. Graças a Deus, não sei. Mas ela me disse coisas que fazem muito sentido. A gente gosta mesmo é de especular! Mas as teorias de Carolina são sempre as melhores. Ela tem razão, sempre. Eu acredito nisso.

E foi praticamente isso o que aconteceu. Uma semana cheia, dias intensos.

Perspectiva

Desde que comecei minha reeducação alimentar com o VP acompanho uma moça de outro estado que perdeu 40 kg só com o VP, e que é uma enorme inspiração para mim. Ela tem 44 anos, dois filhos, é casada, dona de casa, e é um dos membros do programa com maior número de seguidores no Connect (rede social exclusiva do VP).

Todas as vezes que esta moça, Holy, tem uma recaída (porque sim, todos nós seres humanos temos todos os tipos de recaída, porque nossas fraquezas não mudam, o que muda é a nossa motivação) ela escreve sobre ‘perspectiva’. 

É claro que quando a Holy fala sobre isso ela fala unicamente sobre alimentação, e os fatores emocionais que estão ligados a ela. Mas muito além da alimentação, tudo o que a Holy escreve sobre perspectiva pode ser aplicado em todas as demais áreas das nossas vidas.

É muito interessante pensar que uma única situação irá, necessariamente, ser interpretada de muitas maneiras se observada por ângulos diferentes. Isso é uma coisa muito ruim, pra quem gosta de ser o dono da verdade (meu caso), mas também pode ser algo maravilhoso, pra quem precisa insistir em recomeços (meu caso).

Perspectiva, muitas vezes é disso que se precisa para mudar o rumo das coisas. 

Eu estava vivendo uma situação que – literalmente – me tirou o sono algumas vezes. Nada grave, tudo muito abstrato, na realidade, resultado da minha enorme capacidade de criar eventos, ou seja, pra dizer de uma maneira bem vulgar: fruto da minha imaginação.

Então, a vida acontece, os ventos sopram, e de repente estou de cara com a realidade. Tinha duas opções: insistir ou desistir.

Decidi desistir. Mas não é fácil desistir do que tem importância, não é mesmo? Mesmo que seja abstrato? Mesmo que seja uma irrealidade (essa palavra existe?)? Tive apenas uma opção: buscar outras perspectivas.

E, para a minha surpesa, encontrei várias perspectivas sobre este assunto. Um assunto único, uma singular situação, com multiplas facetas. A gente querer olhar para uma só faceta nada mais é do que uma escolha, muitas vezes por comodidade, muitas vezes por medo, algumas vezes por ambos (meu caso).

Mas é isso mesmo. Perspectiva. Quando você consegue dar um passo, um só passo que seja, para a direita ou para a esquerda e consegue enxergar além. Perspectiva.

É isso que desejo a você no dia de hoje.