Exercícios, Restrições e Resultados

As sugestões que vocês me mandam pelo Instagram são preciosíssimas. Preciso agradecer a cada pessoa que, de alguma forma, sendo através de pedidos, sugestões ou simplesmente demonstrando tanto apoio e carinho nesta minha jornada tem, indiscutivelmente, impactado e agregado tanto ao conteúdo do blog. Eu realmente preciso desses incentivos para conseguir guiar e abordar os assuntos mais pertinentes a vocês, portanto, muito obrigada!

O post de hoje foi sugerido pela minha querida Fernanda Fontana, e ela me mandou a seguinte mensagem: “Fala do HIIT, Gi… Também gostaria de saber mais sobre os alimentos que você baniu da sua dieta e os efeitos positivos que está vendo nesses meses.” – Ou seja, falaremos sobre exercícios físicos, restrições e resultado. É muito assunto bom para um único post! Vamos lá!

O que é o HIIT? HIIT é uma sigla para o seguinte termo: High-Intensity Interval Training – traduzindo ao pé da letra: Treino de Alta Intensidade com Intervalos ou, traduzindo do meu jeitinho: canseira desgramada que queima até a gordura dos cabelos! Há!

Eu vou falar unica e exclusivamente sobre o treino que EU faço, que é o mais, mais, MAIS BÁSICO tipo de HIIT que existe. Portanto, aos experts de plantão: tomem nota disso! E aos leigos que necessitam de mais informações: 1) pesquise muito pela internet e 2) não deixe de procurar um profissional da área que possa te auxiliar. Existe uma variedade de estilos de HIIT, você pode fazer HIIT na bicicleta, na esteira, no elíptico, etc, etc, etc, ou pode também fazer em casa, sem aparelho nenhum – que é o meu caso.

O que este treino tem de especial? Ele é rápido. Você pode fazer um HIIT de 15 minutos e queimar o dobro de calorias de uma hora de esteira ou bicicleta. O diferencial é que ele realmente consiste em períodos de movimentos com alta intensidade intercalados com intervalos de “descanso em movimento”, por exemplo, 30 segundos em alta intensidade seguidos de 10 segundos de descanso em movimento, repetidas vezes.

É isso o que posso dizer a respeito do meu treino. Uso dois canais no YouTube, o Fitness Blender e o Exercícios em Casa. Dá resultado? Sim! Muito! Mas tem que fazer com cuidado pra não se machucar. O melhor caminho é contratar um personal trainer que te auxilie nas atividades físicas, mas caso esta não seja uma possibilidade, faça em casa, mas vá com calma. NÃO DEIXE DE ALONGAR ANTES E DEPOIS DE CADA TREINO! E procure um profissional. Sério.

Alimentos que bani da dieta: como você provavelmente já sabe, eu sou adepta da alimentação LCHF (low carb high fat), cuja base é o consumo de vegetais em geral e proteína animal junto à sua gordura natural. O que eu considero que bani do meu dia-a-dia – farinha (glúten) e açúcar (de todos os tipos). O que comer? Quanto comer? Não posso te dizer! O que posso dizer é: procure um médico que te auxilie nessa parte. Mas informação nunca é demais, portanto sugiro três leituras básicas para quem se interessa na alimentação LCHF:

– Barriga de Trigo do Dr. William Davis

– Por Que Engordamos e o Que Fazer Para Evitar do jornalista Gary Taubes

Blog Ciência Low Carb do Dr. José Carlos Souto

Sobre efeitos positivos: tudo muda. Quando a gente muda por dentro, tudo muda por fora. Seja para o bem ou para o mal. No meu caso, inquestionavelmente, ocorreu uma mudança para o bem. Eu me sinto infinitamente mais disposta, mais atenta, mais produtiva, todos os efeitos fisiológicos de um corpo saudável. Houve melhora na minha queda capilar, na minha pele, e até mesmo no meu ciclo menstrual, que se regularizou (falarei sobre isso em outro post). Isso, é claro, além dos muitos quilos eliminados.

É inegável que a combinação “dieta + exercícios físicos” dão certo. Mas você precisa encontrar o seu caminho. A dieta que você se adequa, o exercício que você gosta. Tudo isso é, na minha opinião, o que mais importa. Como você se sente fazendo o que está fazendo. A LCHF não é para todos (mas todos deveriam banir o glúten e o açúcar, e isso nada tem a ver com uma alimentação low carb!), assim como o HIIT não é para todos (mas todos deveriam alongar antes e depois de qualquer exercício físico!).

O fundamental é encontrar o seu caminho, encontrar o que te faz feliz, e sempre, acima de qualquer coisa, acima da vaidade e da competitividade, buscar melhorar a sua saúde em primeiro lugar.

É isso, turma.

Gi

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Dieta X Vida Social

Agosto de 2014 x Janeiro de 2017

Hoje é dia 15 de Março de 2018. Hoje, completo exatos seis meses vivendo com a liberdade e os deleites da alimentação low carb. Hoje é dia de conversarmos sobre o meu processo de emagrecimento, do ponto de vista do “usuário” (não sou médica, lembra?), onde abro alguns capítulos da minha nova vida, compartilhando minhas lutas e conquistas.

O tema de hoje foi sugerido pela Tamilis, lá no Instagram (onde costumo abordar mais o assunto emagrecimento/corpo) e eu achei mais do que pertinente escrever a respeito. A Tamilis me mandou a seguinte mensagem: “Como você lidou com o fato de estar de dieta e sua família/amigos não? Em relação aos encontros, festas de família/amigos, como você venceu e não jogou a dieta para cima?” – em outras palavras, como é a vida social de quem é adepto a uma dieta?

Para responder tal pergunta, preciso dividir minha resposta em duas partes, já que meu processo de emagrecimento aconteceu em duas partes – a primeira com o Vigilantes do Peso, e a segunda com a alimentação LCHF (Low Carb High Fat).

Entre junho de 2015 e junho de 2017 segui a dieta dos Vigilantes do Peso. Naquela época, com o sistema de contagem de pontos, teoricamente ou supostamente as ocasiões sociais deveriam ser mais fáceis – você economiza os pontos do dia, os pontos extras da semana e os pontos adquiridos através da prática de atividades física (o aplicativo calcula tudo pra você) e pode, então, utilizá-los para eventuais compromissos sociais. Realmente, na teoria era lindo. Na prática, outra história.

Como a dieta dos Vigilantes do Peso é baseada no baixo consumo de gordura e alto consumo do carboidrato, a única fórmula para que a perda de peso ocorra é através do corte (redução drástica) de calorias por dia. Isso é muito, mas muito difícil. Não é uma dieta ineficaz, mas demanda um esforço muito maior por parte do cliente, e é extremamente fácil de ser sabotada. Era o meu caso. Eu guardava os tais pontos para determinadas ocasiões, mas na hora H não contabilizava com precisão os de cada coisinha que eu ingeria. Primeiro, porque isto é algo muito trabalhoso (tem o fator esquecimento acidental, o fator esquecimento proposital e o fator preguiça). Segundo, porque às vezes, torna-se impossível – não dá pra saber a quantidade exata de cada ingrediente de cada prato da festa, nem mesmo do restaurante. Era mais fácil desistir, ou só “contar por cima”, comer até explodir e seguir em frente, lidando com toda aquela culpa…

O negócio é que é muito difícil estar num círculo social e ser o único a comer uma salada (sem azeite, diga-se de passagem) enquanto todos ao redor da mesa devoram seus hambúrgueres e fritas. Mesmo um pratinho com arroz e peixe, ou um peito de frango seco com brócolis sem gosto. Não há comparação. Você olha para a situação e pensa: “não é justo…”

Minha história mudou quando me tornei low carber. Tem noção do que é entrar numa churrascaria e arrebentar, e no dia seguinte ver ZERO diferença na balança? Pois é, aconteceu comigo duas semanas atrás.

A dieta LCHF tem pouquíssimo impacto na minha vida social. Não estou dizendo que seja fácil ou que eu não passe vontade, afinal não consumo açúcar e farinha, então obviamente há momentos em que fico com vontade de comer algumas coisas. Mas, veja bem, o jogo da Low Carb é um jogo mais justo. Enquanto todos ao meu redor comem seus hambúrgueres com fritas, eu, na minha “dieta” posso comer um super t-bone mal passado feito na manteiga, com vegetais temperados com azeite e uma batata doce maravilhosa (frita, assada, em purê…). E o melhor: sem a neura das porções! Como até ficar satisfeita. Se é mais ou menos, não tem importância! É muita liberdade. Isso não é perder! Isso é aproveitar tanto, ou até mais, do que todos na mesa! Qualquer estranho que não me conheça jamais saberia que estou “de dieta”. É um jogo onde eu só saio ganhando.

Além disso, qualquer restaurante irá oferecer uma opção que se encaixa ao meu estilo de vida. Qualquer um, em qualquer lugar do mundo. Bicho e planta, não tem dificuldade. Não tem que andar com balança e medidor na bolsa. Não precisa de aplicativo nenhum. Você simplesmente sabe o que fazer. Tudo fica muito mais simples.

Para responder mais especificamente à pergunta da Tamilis, primeiro de tudo, deve haver aceitação por parte de quem está em processo de emagrecimento. Aceite. A decisão de emagrecer foi sua, e o sucesso do processo só depende de você.

Eu sou casada com um americano que não faz dieta. Não é fácil. Eu passo vontade as vezes, sim. Mas tento me lembrar de uma técnica muito boa que aprendi com a minha coach: a técnica do céu-inferno. Quando me vejo em qualquer situação de vontade de comer o que não entra na minha alimentação, me pergunto: “quantos segundos vou estar ‘no céu’ comendo esse pedaço de pizza e quantas horas ou até mesmo dias vou ficar no ‘inferno’ por causa dele, depois?” – veja bem, não estou falando só de culpa, mas de efeitos fisiológicos, que serão acusados na balança e fora dela! Desisto de comer. A vontade passa.

Outra coisa que faço muito se começo a ter vontades e estou em casa – saio da cozinha e vou provar minhas roupas. Não há inibidor de apetite melhor! Pego a calça mais justa, a blusa mais colada, o vestido mais agarrado! As vezes, até mesmo meus biquinis, e vou pra frente do espelho. Se não está bom, por quê comer o que não preciso? É como eu me ajudo. Tenho uma meta a cumprir.

A verdade é que enquanto a pessoa continuar dando desculpas a ela mesma, nada irá mudar. Aniversários, feriados, batizados, casamentos, viagens, gente, tudo isso faz parte da vida! Nenhum desses eventos sociais vão deixar de acontecer. E, perceba, 90% destas ocasiões acontecem NAS MESMAS ÉPOCAS TODOS OS ANOS. Natal é sempre dia 25 de Dezembro. Isso NÃO vai mudar! Entende? É uma data especial? Sim. Mas não precisa ser uma data gorda! A mesma coisa com todas as outras ocasiões! Trate estes eventos como dias comuns de alimentação. Desvincule aquela ocasião da comida. Pense no real motivo da ocasião: comemorar algo, alguém! Foque nisso. Você não tem noção do quanto irá se sentir mais forte poucas horas depois destes eventos terem terminado. A sensação de auto controle é impagável.

No escritório toda semana tem alguma guloseima – cookies, donuts, chocolate, cheesecake! Toda semana! Eu percebi isso e entendi que estas JAMAIS serão minhas últimas chances de comer estas besteiras! Aliás, todas essas gordices vem de mercados e restaurantes que ficam minutos de onde eu moro. Posso comprá-las a qualquer hora! Por que preciso comer um donut às 15h de uma terça-feira? Qual a necessidade? Eu adoro donuts, mas comê-los sem nenhum motivo faz com que eles deixem de ser especiais. Torna-se algo banal. Entende?

A vida das pessoas ao nosso redor NÃO vai parar porque EU estou de dieta. Não mesmo! Mas quando você perceber que 1) todos esses eventos sociais fazem parte de um ciclo infinito e irão se repetir todos os anos, todos os meses e até todas as semanas e você não está perdendo nada se não partilhar das gordices e 2) quando você encontrar uma dieta que faça você feliz, que seja saborosa, fácil e simples de seguir, e que te dê ótimos resultados, você terá encontrado o caminho para vencer todas as tentações da vida social, e sua dieta terá muito mais valor do que a comida daquela ocasião, portanto você jamais irá jogá-la pra cima!

Por hoje é isso.

Gi

Dois Meses Fazem Diferença

Entre uma foto e outra temos nove semanas de diferença. Nestas nove semanas, entre o dia que eu recebi este vestido (comprai na Zara, online) e o dia que pude usá-lo com total auto-confiança, houveram muitos altos e baixos.

Eu tive o peso empacado por algumas destas semanas, eu tive a pior TPM da minha vida (de verdade, não lembro de ter passado por nada igual antes), tive festas de aniversário, jantares com amigos, e inúmeras tentações no escritório. Definitivamente, não foram nove semanas fáceis de se viver.

Mas eu sobrevivi. Não só sobrevivi, como aprendi muitas coisas.

A primeira delas é que é necessário ser consistente com a dieta. Faça sol, faça chuva ou neve, o peso empacado na balança ou não, é o quanto eu sou consistente que vai trazer resultados. Uma hora, a balança corresponde.

E correspondeu. Na TPM apelei para o bolinho low carb de caneca, feito no micro, e ao chocolate 85%, às vezes derretido para comer com morangos, outras vezes acompanhando um café preto puro, outras completamente sozinho. Segui, firme e forte.

Eu pensei em desistir. Não uma, duas e nem três vezes. Não foi um começo de ano fácil para mim. Eu tive crises existenciais, crises emocionais, problemas de relacionamento de vários tipos. Segui em frente.

Quando recebi meu vestido pelo correio, corri para a frente do espelho para vestí-lo. Apertado! Marcando muito. Disse para a Carol: “quando eu estiver com uns 5kg a menos ele vai ficar bom”.

Nove semanas mais tarde, depois de muito foco, muita garra e muita paciência, eliminei os quilos necessários para me sentir bem dentro do vestido.

Eu consigo perceber o quanto diminuí nestas nove semanas. Minha barriga, meus braços, as gordurinhas sobre a costela, o busto, as pernas, tudo! Até o rosto. Desinchei demais.

Não comer açúcar nem glúten é o segredo desse desinchaço. Pode não fazer efeito na balança de imediato, mas nas medidas…

Então, algumas conclusões a serem consideradas:

1) A vida acontece. Não adianta querer esperar por um “bom momento” para mudar sua alimentação. E mesmo depois que você já estiver acostumada com uma nova maneira de se alimentar, a vida acontece, e você não pode desistir.

2) Nos momentos de TPM não deixe de pensar na sua saúde. Eu provavelmente comi, naquela semana da TPM intensa, um pouco a mais de chocolate 85% do que deveria, mas não houve nenhum estrago maior, comparado ao que eu costumava comer antes, e o que poderia ter comido.

3) Tire suas medidas. E tire fotos. Não há nada que evidencie mais o progresso do emagrecimento do que estas duas coisas.

4) Por ultimo, e o mais importante de tudo: seja consistente. Não deixe que a balança ou os dias ruins tirem seu foco. Seja consistente, e o resultado virá.

Beijos,

Gi

Olá, Meu Nome É Gisele e Eu Sou Low Carber

Existe apenas uma rede social onde falo com mais frequência sobre meu processo de emagrecimento, o Instagram. Portanto, se você não está por lá (e tudo bem se não estiver), provavelmente não sabe muito sobre minhas aventuras dos últimos tempos.

Muitas coisas tem acontecido, eu mudei. Uma frase tão pequena esta… “eu mudei”. Mas é a única que sintetiza tudo, por dentro, por fora e ao redor da pessoa que eu sou hoje. Como já contei pelo Instagram, não sou muito favorável aos rótulos da vida – acho que quanto mais rótulos, mais separação, mais distinção, mais desunião, mais incompreensão, mais necessidade de se provar e de provar que o outro é errado. Eu detesto tudo isso. Somos todos seres-humanos com total possibilidade de conviver com diferenças – o que falta é empatia, compaixão, sensibilidade. Falta querer. E é por isso que eu venho relutando muito para escrever aqui (onde tenho controle nulo de quem lê) ou de falar a respeito nos meus videos no YouTube (onde tenho controle nulo de quem assiste) a respeito do seguinte fato: eu sou low carber.

É uma frase um pouco idiota, essa. “Eu sou low carber”. Que raios isso quer dizer? Que tipo de rótulo é esse? Por que isso importa? “Não, Gisele, não faz a menor diferença se rotular assim ou não”, foi o que disse a mim mesma centenas de vezes. Substituía termos como “low carb” por “de baixo carboidrato”, ou por “alimento natural”. Mudada e relutante, duas palavras que me descreveriam bem nos últimos meses…

Mas importa. Importa dizer nossa condição em alto e bom tom! Importa vestir a camisa totalmente. Importa, porque, se é assim que eu vivo, qual o problema? “Modinha”. Tudo bem, tudo bem. Mas eu adoro uma modinha…. Pode me odiar. Só que se alimentar de bicho e planta não é modinha. Nossos corpos foram criados para isso! Então tira essa ideia de modinha da cabeça, e pensa nos fatos. Comida de verdade. Alimentação natural. Não aos processados. Não ao artificial. Sem farinha. Sem açúcar. É modinha? Tem certeza?

Hoje completo cinco meses de low carber. Há cinco meses, tomei uma das melhores e mais assertivas decisões da minha vida. Desde então minha vida virou do avesso. Parece que meu cérebro passou a funcionar com mais potência. Parece que eu acordei de uma inércia biológica e psicológica, física e emocional. Tantas coisas que eu desprezava, passei a adorar. Tantas coisas que eu amava, passaram a me incomodar. Eu passei a detectar melhor meus sentimentos, minhas sensações, e fiquei incrivelmente mais…sensível. Esta parte está sendo a mais difícil, eu confesso. Mas é necessária.

E foi o fato de me tornar low carber que me deixou mais sensível? Absolutamente não. O negócio é que todo mundo pensa que emagrecer tem a ver com a boca – ledo engano! Emagrecer tem a ver com a CABEÇA. E tudo o que tem a ver com a cabeça é um processo, um processo longo, um processo longo e complexo. A complexidade do emagrecer envolve tudo, muito além da comida: os ambientes que você frequenta, as atividades que pratica, as conversas que participa, os livros que lê, os programas de TV que assiste, os passeios que sente prazer, o modo de descanso, a busca do novo, o aprimoramento da auto—estima, o empoderamento, o aprender a dizer não, a libertação da escolha, o autocontrole, o lidar com o fracasso, o lidar com o sucesso, a auto-reforma, o entendimento da necessidade da mudança, o objetivo traçado a curto, médio e longo prazos, ou seja, uma decisão iniciada com a cabeça irá com toda certeza tocar todas as áreas da sua vida! Inclusive a espiritual – sabe quantas vezes me peguei pensando no dia que estiver cara a cara com Deus e tiver que me explicar do porquê não cuidei do corpo que Ele me deu? Eu não quero passar por isso. Esta também é uma responsabilidade do espírito.

O dia em que entendi que o que havia de errado comigo era minha relação com a comida, tudo se tornou claro, transparente, óbvio diante dos meus olhos. O choque de realidade não é fácil, mas prefiro mil vezes lidar com a dificuldade do que com a ilusão da minha realidade. Eu estava vinte e cinco quilos acima do peso, doente do coração, com a auto-estima no chão, comendo de forma irresponsável e compulsiva. É difícil enxergar e aceitar a realidade como ela é. Mas só isso pode fazer com que você tome coragem para reverter a situação inteira.

Hoje comemoro cinco meses de low carber (paleo), com 19 kg eliminados e com perspectivas maravilhosas para meu próprio futuro. Hoje decidi que não há porquê ter medo de me rotular, não porque eu queira estar acima do bem e do mal, nem porque acredite ser a dona da razão, a única certa. Mas porque foi este caminho que me trouxe até onde estou. Foi o caminho que escolhi percorrer por muitos anos, o caminho que me trouxe paz de espírito e consciência do que eu quero para mim.

Todo dia 15 de cada mês irei abordar este tema aqui no blog. Hoje foi mesmo a apresentação oficial, mas nos textos futuros irei ser mais prática, mais objetiva, e irei compartilhar tudo o que venho aprendendo do que considero de valia e ajuda a outras pessoas também.

Sigo em frente, muito mais firme e muito mais forte do que nunca.

Gisele

5 Coisas Para Aumentar a Auto-Estima Imediatamente

1) Sua Aparência Importa

Sim, existem milhares de coisas mais importantes do que a nossa aparência: a nossa saúde, as contas pra pagar, cuidar da casa, cuidar da família, a reunião de condomínio, levar os cachorros pro pet, aguar as plantas, afofar as almofadas, responder os grupos do WhatsApp, estabelecer a paz mundial, etc, etc, etc… Todos nós sabemos disso. Mas, de que adianta bancar o super-herói todos os dias para todas as outras pessoas e esquecer de cuidar de nós mesmos? Não adianta muito. Uma hora essa bomba-relógio explode e você vai se sentir ainda mais sobrecarregado tentando correr atrás do prejuizo. Aliás, sendo ainda mais fatídica, o tempo é algo que não volta nunca, jamais. Simples assim. Um dia você vai acordar e vai perceber que uma década se passou e você simplesmente se perdeu em algum momento dentro dela. Sua aparência importa! Não importa só para os outros, mas principalmente para você! Sua aparência é o reflexo do que acontece dentro da sua cabeça, sabia disso? Se você não consegue encontrar tempo, vontade ou motivação para se cuidar, posso afirmar com toda certeza: o problema vem de dentro. Então reflita e faça algo por você!

2) Mudanças, Sim!

Eu sou uma pessoa resistente à grandes mudanças. Não precisa me conhecer muito para perceber esse traço da minha personalidade. Mas também não precisa me conhecer bem para notar que não tenho o menor medo em mudar pequenas coisas da minha vida. Pequenas, digo, inofensivas, mas que podem sim causar um enorme impacto. Meu cabelo é o maior exemplo de todos! Nada melhora mais a minha auto-estima do que mudar meu cabelo! E voltando um pouco na dica anterior, se você é daquelas pessoas que “não abre mão do cabelão de jeito nenhum” mas que simplesmente não consegue cuidar dele como necessário, talvez seja hora de considerar uma mudança! Vive de coque, rabo de cavalo, tem muito cabelo e só consegue “dar um jeito” nele uma ou duas vezes na semana? Colega, é hora de mudar! Vá no salão, corte, pinte, busque sua melhor versão. Falando nisso, nada como encontrar nosso próprio estilo de roupas e acessórios. Você pode fazer muitos testes na internet para descobrir melhor o estilo que combina com você – e se puder, contrate um profissional que te auxilie neste processo. Não tenha medo em mudar ou assumir totalmente o seu estilo, isso apodera!

3) Aquela Roupa Especial

Falando em roupas e acessórios, todo mundo tem aquele look especial, quase “de estimação”, que só usa em ocasiões mais especiais, né? Sabe o que eu descobri? Que podemos usá-lo como “norte” para compor todo o nosso guarda-roupa. Como assim? Eu explico. Você precisa identificar a sensação que tem quando veste esta roupa especial: como você se sente? Provavelmente, muito bem, mais bonita, elegante, ou sexy, ou poderosa, etc. Por que esta roupa faz com que você se sinta assim? É a cor, o tecido, o corte, o caimento? No meu caso, meus looks especiais são geralmente compostos por vestidos e salto alto, mas não posso usar um vestido e um par de sapatos de festa para o trabalho, né? O que eu fiz, então? Coletei todas as informações desse look e transportei para a busca de peças que sejam mais adequadas ao trabalho (e outras ocasiões), mas que tenham estes elementos que fazem minha auto-estima levantar! Então passei a usar mais vestidos com fundos escuros e estampas diversas, meias-calças, e o salto muitas vezes não é um scarpin, mas uma ankle boot, ou seja, poderosa mas confortável. Estes são apenas exemplos, mas você pode fazer isso com absolutamente qualquer tipo de roupa. Componha sua personalidade!

4) Desapegue

Compor e afirmar a nossa personalidade através do closet: esse tema não é possível de ser abordado sem falar do maravilhoso ato de desapegar. Quantas peças de roupa você provavelmente tem estocadas no seu armário que não tem absolutamente nada a ver com você? Isso acontece muitas vezes não porque compramos errado, necessariamente, mas porque acumulamos coisas de várias épocas das nossas vidas. Na minha última grande limpeza do closet eu tirei roupas e sapatos que eu tinha certeza absoluta que não voltaria a usar, pelo menos não pela próxima década (a moda sempre volta, mas existe uma grande diferença entre ser retro e ser um acumulador de tralhas!). Desapegue de: roupas fora de moda, estampas que não te agradam, roupas maiores que o seu número, roupas gastas, sapatos gastos, sapatos que você não usa porque te machucam, sapatos fora de moda, ítens repetidos desnecessariamente, coisas manchadas ou furadas, simplesmente DESAPEGUE! “Tire o velho para dar lugar ao novo”, tá até na bíblia isso. Renove os ares e organize tudo o que ficar.

5) Uma Por Dia

Eu não posso escrever sobre auto-estima e deixar de fora o tema ‘alimentação’. Honestamente, não estou com muita vontade de escrever sobre a minha reeducação alimentar, este texto não é sobre isso. Só que é inevitável dizer o seguinte: se alimentar melhor aumenta a auto-estima. E não estou falando em perder peso. Estou falando em buscar saúde. Então fica aqui minha dica: comece com apenas uma escolha por dia. Apenas uma. “Hoje vou beber água”, ou “Hoje vou comer salada no almoço”, ou “Hoje vou experimentar um legume novo”. Uma coisa só por dia, todos os dias. Você vai perceber um universo de possibilidades se abrir diante dos seus olhos, vai conseguir desmistificar certas coisas, conhecer outras, e até mesmo descobrir outras. Uma por dia, apenas uma.

Foque em você, sempre.

Gisele

Adeus, 2017

Quanto tempo!

E quantos posts começados, repensados, deletados nestes últimos meses. Eu poderia começar este last post of the year dizendo que está tudo bem, que eu continuo a mesma de sempre, indo e vindo e coisa e tal. Mas seriam inverdades.

Eu não sou mais a mesma desde Setembro. Não somente pelos vários quilos que eliminei do meu corpo, mas principalmente porque estou, como costumo descrever, em processo de desabrochamento.

Como todo bom e velho discurso de final de ano, preciso sintetizar 2017 em uma única frase, e no meu caso, salvo engano, 2017 resume-se a um belo “O que foi isso?”.

Eu nunca vivi tantas coisas boas e tantas coisas ruins em um ano só. Nunca me senti tão nômade, viajando como never before, e nunca me senti tão enraizada a um único lugar, a minha casa.

Não me lembro de ter conhecido – ou melhor – instituído tantos amigos como em 2017, e também não me lembro de nenhum outro ano em que sofri tanto por questões fraternas.

Acredito também que 2017 foi o primeiro grande ano no meu casamento, sem escandalizações ou hipocrisia, quem já casou alguma vez na vida – principalmente se conseguiu permanecer casado – sabe a dificuldade que é o início de um casamento. 2017 foi nosso quarto ano de casados, e finalmente posso acreditar que o casamento foi feito para a felicidade, e não angústia, dos seres humanos.

Este ano comecei agarrada na igreja, e terminei agarrada em Deus.

Um ano de absurdos políticos, crises econômicas, com mais corrupção, com discursos de xenofobia, diminuição da mulher, separação de raças, um ano em que milhares de idiotas saíram dos seus armários imundos e preconceituosos. Nunca me senti tão brasileira, em nenhum outro ano vivendo fora do Brasil. Nunca me senti mais forte e orgulhosa por ser mulher. Nunca estive mais atenta e empática ao alheio. O alheio, de fato, não existe – e tolos são os que acreditam nisso.

E, não poderia deixar de mencionar algo, no mínimo, inesperado – 2017 foi o ano que me tornei Facebook-free! Ou seja, desativei minha conta, desapeguei dos dramas particulares e da negatividade que aquela plataforma jorrava na minha cara logo pela manhã, todos os dias da semana, todas as semanas do mês, todos os meses dos últimos dez anos. Dez anos foi o tempo que levou para que um prazer tornasse-se um desgosto. Talvez esta tenha sido não a maior, mas a mais qualitativa de todas as decisões que tomei em 2017.

Que grande ano, 2017. O ano da minha iniciação em Star Wars. O ano em que passei a acreditar na Força e admirar os Jedi. Parece bobagem, mas só para quem não entende.

Me despeço de 2017 com muito alívio e muita gratidão. Costumo dizer que anos ímpares são sempre os mais difíceis para mim. Não é mitologia, crendice, superstição. É apenas o que é. Anos ímpares são, por algum motivo, muito desafiadores. São a dor muscular que se sente depois do exercício físico puxado – aquela dor necessária, que vem acompanhada do sentimento de missão cumprida. É isso.

Espero que as lições aprendidas neste ano sejam perpetuadas durante minha existência. Espero não esquecer o que vivi, porque tudo foi de muita importância.

A você que leu este texto, deixo toda minha gratidão. Se me acompanhou, seja lá por qual motivo, durante o ano de 2017, espero também ter agregado algo de bom à sua vida. Se não agreguei, peço então mais uma chance – deixo aqui a lista de todos os livros lidos por mim no ano de 2017:

1- Quando Você Voltar – Kristin Hannah

2- Eu Acho que Amo Você – Allison Pearson

3- A Melhor Coisa que Nunca Aconteceu na Minha Vida – Laura Tait

4- A Memória de Uma Amizade Eterna – Gail Caldwell

5- Desaparecida – Catherine McKenzie

6- O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wild

7- Mulheres Francesas Não Engordam – Mireille Guiliano

8- Sissi – A Imperatriz Solitária – Allison Pataki

9- 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo – Mo Daviau

10- Por Que Engordamos – Gary Taubes

11- Além da Esperança – Kristin Hannah

12- Barriga de Trigo – William Davis

13- Um Dia – David Nicholls

Um ótimo final de ano a todos!

Abraços,

Gisele

O Que Vale

Há exatamente um ano minha melhor amiga foi diagnosticada com a doença celíaca. Há exatamente um ano, as nossas vidas mudaram completamente.

Não vou escrever sobre isso. Mas vou escrever ao redor disso.

Quantas vezes você se deparou com mudanças radicais em sua vida? De onde elas vieram? Por que aconteceram? Foram escolhas? Foram consequências? Foram riscos tomados? Foram resultados? Até que ponto temos o controle do que nos acontece? Até onde devemos nos cobrar ou nos forçar?

São muitas perguntas, provavelmente ninguém tenha uma resposta concreta a todas elas. Acho que tudo bem, pois eu muito menos.

O que eu sei é que quanto mais o tempo passa, mais temos a possibilidade de desvendar pequenos mistérios sobre a nossa própria existência. Imagine que a sua vida é um longo labirinto, não necessariamente assustador, não absolutamente enigmático, não completamente confuso. Apenas um labirinto, com portas e janelas, e que conforme você caminha, pé ante pé, as portas e janelas se abrem, e você consegue enxergar o que há do outro lado. Acho que a maturidade acontece assim. Talvez este seja o significado da frase “eu sei porque já passei por isso”. Talvez muitas das janelas e portas se repitam, em proporções e momentos distintos, nas vidas de todos nós.

O que importa, afinal, é entender que o labirinto deve ser percorrido. Você pode até parar aqui ou ali, para tomar um ar, observar uma paisagem, quem sabe até fazer um picnic, tirar uma soneca. Mas no final, seguirá em frente. 

Se você sofre, por exemplo, com a ansiedade ou com a depressão, insista na idéia do labirinto. Pensar muito nos caminhos que você já percorreu, ser obcecado pela trilha que ficou para trás, nada mais é do que a depressão. Se preocupar ao extremo com o caminho à frente, questionar demais as portas e janelas, não conseguir alcançar a tranquilidade pensando em quantos passos mais você terá que percorrer, nada mais é do que a ansiedade. Nem o passado, nem o futuro devem prendê-lo ao presente. O que foi, foi. O que virá, virá. Ter desapego e ter paciência é o que vale.

No caminho, cada experiência é uma oportunidade de crescimento, mas nenhuma delas, boa ou ruim, é o veredito final do quanto vale a sua vida. Apenas recolha os ensinamentos, descarte os maus sentimentos, e cuide para não tropeçar de novo nos mesmos erros. 

Falar é fácil, mas viver tudo isso é muito complexo – e eu sei bem. Talvez você tenha recebido uma notícia muito difícil hoje. Talvez você esteja frente a frente com uma porta em seu labirinto que acaba de ser aberta e revelar a você uma caminhada de dificuldades. Não desanime. Outras janelas e portas virão, tenha certeza disso. Os caminhos de dificuldade o tornarão mais forte, mais consciente, mais assertivo.

O que vale é o que se vive, não há destino final, há apenas uma jornada. Portanto, respire, reflita, e foque suas energias no presente. O presente é o que vale. 

Força.