O Problema da Igreja Evangélica é o Crente

Antes de entrar diretamente no assunto “problema”, gostaria de deixar claro alguns pontos sobre esse post:

– Eu nasci e fui criada dentro da igreja evangélica, e deixei de frequentá-la já adulta.

– Nunca pertenci a nenhuma outra religião, portanto não tenho o direito de analisar e criticar outras religiões além da minha própria. Entretanto, acredito que meus pensamentos aqui descritos poderiam se encaixar em qualquer religião, não apenas à crença evangélica.

– O objetivo do meu artigo não é o de ofender nenhum evangélico, nem nenhum dos evangélicos que eu conheço, sejam eles familiares ou amigos.

– Por último, o que exponho aqui é a minha opinião, baseada na minha interpretação sobre a religião evangélica e sobre o cristianismo em geral, com base no meu entendimento da bíblia e dos princípios de Jesus Cristo. 

Agora que temos uma introdução clara e objetiva, gostaria de dizer que eventualmente irei escrever no blog a respeito da minha visão sobre o cristianismo. Hoje, não me considero uma pessoa religiosa, e penso que a religiosidade em si é uma prática vazia, pois sem fé e sem o verdadeiro entendimento do que é o cristianismo, a religião nada faz, nada muda (de um ponto de vista individual, pois eu acredito que a religião antes de qualquer coisa é um neutralizador social, um auxiliador – ou pelo menos deveria ser).

Nós vivemos em uma Era muito problemática, onde levantar uma bandeira significa automaticamente colecionar inimigos. Todos colocam a intolerância em um grau muito mais alto do que deveriam. Não existe liberdade real, ela vem fantasiada. A liberdade não passa de uma grande e inacabável utopia.

E o que os crentes evangélicos tem a ver com isso? Muita coisa. Nessa ânsia de buscar uma vida santa, ou seja, uma vida tentando ao máximo seguir os passos de Jesus, muitas pessoas se perdem. Irônico sim, mas muito mais do que isso – uma grande tristeza. Quando é que as pessoas se perdem? E como é que elas se perdem? É justamente no momento em que deixam de ter empatia e compaixão pelos demais que estão à sua volta. 

Isso é demonstrado de inúmeras maneiras, e na minha opinião, a pior de todas é o orgulho, é achar que porque entende o que é o pecado, não é mais um pecador. Nenhum ser humano jamais deixará de ser pecador. Nascemos assim, é a nossa natureza, criada justamente por Deus. E por quê? Para que ao errarmos, aprendamos a deixar de lado o nosso orgulho, e para que nos rendamos a Ele, e a mais ninguém. É um processo individual, entre Deus e o homem. Neste processo não há intermediários – diácono, pastor, bispo, apóstolo… Pois estes são todos humanos, e assim como a ovelhinha negra que não vai à igreja todo domingo, passíveis de erro.

Uma vez uma pessoa muito querida me disse assim “Gi, o mal do evangélico é não saber ouvir. Só ele pode falar e só ele pode ter razão.” Eu concordei. Foi a primeira vez que uma pessoa de fora da igreja fez uma crítica que fez tanto sentido pra mim, e sem me ofender. É a mais pura verdade, nós não sabemos ouvir. Não sabemos escutar. Eu vivencio isso pois vivo rodeada de crentes! Não escutar, não entender de onde vem uma opinião, uma experiência, ou mesmo um simples achismo.

O religioso evangélico se recusa a ouvir porque acha que o ato de ouvir já o corrompe. Isso para mim é que é inaceitável. Eu que sou evangélica – acreditem ou não, ainda me considero evangélica – quando abro minha boca para dar qualquer tipo de opinião em meio àqueles que vivem dentro da igreja sou muitas vezes ignorada, ou simplesmente não tenho a chance de me expressar. 

Essa prática entre os crentes, por mais inconsciente que seja (a gente acostuma a achar que tem sempre razão porque conhecemos a verdade, que é o evangelho e o amor de Cristo), precisa acabar. Não entendo porque temos que agir de modo intolerante, a começar por uma simples conversa. Se você é evangélico e é incapaz de se interessar por entender outras religiões, talvez sua fé esteja fraca. Se você tem medo de ouvir outras pessoas falando a respeito de suas vidas e crenças que são opostas às que você vive e acredita, algo dentro de você está errado.

Ouvir também faz parte do processo de evangelização. Escutar é sempre mais importante do que falar. Sabe como posso afirmar isso com tanta certeza? Porque eu sou a crente ponto fora da curva que mais ouve do que fala – ou antes, que primeiro ouve e que depois, dada a chance, fala. E todas as pessoas de fora da igreja que me conhecem e que tem qualquer nível de proximidade comigo me procuram o tempo todo para falar de Deus. Não querem saber de falar com os intolerantes, afinal de contas, quem quer conversar com alguém que não te escuta? Ninguém. Então sou eu que sempre tenho a oportunidade de conhecer melhor estas pessoas e de orar por elas, de falar sobre a importância do jejum, da oração, e da vida com Jesus. Isso é o verdadeiro evangelismo.

A base do evangelismo é a comunicação, e a comunicação só existe quando ambas as partes são ouvidas, e quando ambas tem o direito de se expressar. A bíblia também fala disso, e sobre como a religiosidade não tem base se o coração não está onde deveria estar.

Tiago 1:19 “Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.”

Tiago 1:26-27 “26 Alguém está pensando que é religioso? Se não souber controlar a língua, a sua religião não vale nada, e ele está enganando a si mesmo. 27 Para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo.”

Portanto meus amigos e amigas evangélicos, antes de falar, escutem. Não sejam um problema, sejam um canal, uma via para que o Espírito Santo se manifeste na vida de outras pessoas. Cuidem das suas bocas, das suas atitudes e principalmente dos seus corações. 

Gi

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