Na Jornada da Perda de Peso, Conte Somente com Você

Esta semana completei mais um ciclo de cinco dias seguidos de academia. Me comprometi a me exercitar todos os dias úteis da semana, entre 45 e 60 minutos por dia, por um período indeterminado. O objetivo é fazer com que meu corpo se acostume ao máximo a praticar atividades físicas a ponto de me enviar sinais de cobrança nos dias em que eu não me exercitar. O meu objetivo maior, na realidade, é ter uma vida adulta com muita saúde, agora e durante a terceira idade.

“Mas Gisele, você só tem 31 anos, não é um pouco de exagero pensar na terceira idade assim?” – no meu caso e na minha opinião, não. Nem todos podemos ser filhos e netos de grandes atletas. Nem todos temos este estímulo da prática de esportes constante vindo de pessoas ao nosso redor. Nem todos temos a bênção dos genes magro-alto-sem colesterol-sem diabetes-sem hipertensão presenteado a nossos corpos. Eu preciso entender que o agora é meu futuro, e que o futuro é meu agora. Não tenho outra senão optar pela prevenção.

A questão não é ter um corpo sarado – veja bem, eu nem se quer tomo sol! Não é por exibicionismo. Vaidade pessoal? Com toda certeza. Preciso me amar, e preciso me amar primeiro. Mas o fato é que quero ter uma vida com o mínimo de remorso possível, e isso começa pela minha saúde, que está no topo desta lista. Deve ser horrível ter um diagnóstico de alguma doença limitadora, para não dizer fatal, com 40, 50, ou 60 anos, e se dar conta de que se houvesse mudado meus hábitos décadas antes, aquilo poderia ter sido evitado. Significa de que me tornarei imune a doenças e problemas? Não. Mas significa que estarei com a consciência tranquila sabendo que dei o melhor de mim, por mim. Significa que não fui um fator a mais (se não o mais poderoso deles) a tornar uma situação ainda pior, potencialmente.

Mas o que importa é fazer tudo isso pensando de uma maneira bem egoísta. Quando se trata de peso, reeducação alimentar, prática de exercícios, você pode e deve ser muito egoísta, pensar somente no seu bem-estar, olhar somente para o seu próprio umbigo. Acredite, olhar para o próprio umbigo ajuda muito nessas horas, principalmente quando a única visão que se tem dele é uma visão ‘semi-periférica’ (graças às saliências da pança!). 

Além do mais, digo por experiência própria: você não terá ninguém para contar além de você mesmo nessa caminhada. Nem as pessoas mais próximas de você, por mais bem-intencionadas que sejam, conseguirão dar o apoio que você realmente precisa. Muitas delas provavelmente não irão acreditar que você tem a capacidade de conseguir alcançar o seu objetivo – baseiam-se nas suas próprias fraquezas e sentem uma ponta de inveja quando percebem que há quem seja mais forte.

Eu caí na infelicidade de comentar com algumas pessoas a minha meta de peso. Foi uma grande estupidez da minha parte. Ninguém, nenhum deles, teve a capacidade de me apoiar e dizer “eu tenho certeza que você consegue”. Ouvi coisas como “mas a sua estrutura, não vai ficar bom”, ou “é que você tem ossos largos, então pode ser que não seja fácil”, ou então “as suas expectativas são muito diferentes das minhas, mas talvez você consiga”. Todos tão bem-intencionados, ninguém teve fé em me dizer que, ainda sabendo que aquele número é absolutamente normal e saudável para a minha estatura (gente, eu tenho noção das coisas!), confiava que eu iria conseguir.

As pessoas se incomodam de me ver indo na academia todos os dias, tirando fotos de looks no espelho, fazendo comparações de antes e depois. É porque elas se sentem mal com elas mesmas, com a incapacidade delas e a falta de força de vontade delas próprias em tomar uma atitude e mudar. Por isso há um certo incômodo, perguntam quantos quilos eu perdi, dão pitacos na minha alimentação, e mensagens do tipo “cansei de ver você na academia 5:00 AM todo dia”. Não é fácil. 

Mas por que então eu continuo falando tanto sobre minha reeducação? Primeiro porque eu gosto de falar abertamente sobre as coisas que eu vivo. Não há o que esconder. Eu sou assim, sempre fui e não é agora que vou fazer diferente. Segundo, porque é uma maneira de eu mesma tomar consciência de tudo o que eu faço – com relação aos alimentos e aos exercícios. É uma auto-cobrança, algo que me empurra pra frente. Terceiro, porque apesar das pessoas que tentam sempre puxar os outros para baixo, há muito mais pessoas que se sentem inspiradas e motivadas com esse tipo de conteúdo.

Eu sou uma mulher absolutamente normal, posto receitinhas saudáveis com o que tenho na geladeira, faço academia em um lugar super simples, não sou exemplo nenhum de vida fitness, mas pelo menos jogo a real com vocês. Quando vou comer uma fatia de torta de limão passada na massa de bolinho de chuva e frita (aquela que eu postei no dia da quermesse!), eu mostro também! Porque a vida é isso, e não o faz de conta que muita gente prefere publicar. 

No final, conte somente com você. É a minha força de vontade que me faz levantar da cama todos os dias e ir pra academia. É a minha consciência que me faz pensar antes de comer um misto quente com refrigerante e doce na frente da televisão de noite. É o meu amor-próprio que não me deixa desistir.

A caminhada é única e exclusivamente sua, portanto faça dela a melhor e mais feliz de todas. Você merece.

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Fui Na Pedicure Pela Primeira Vez nos EUA

O plano era fazer um post primeiro aqui no blog a respeito da minha experiência – mas não me aguentei, acabei falando um pouco sobre isso no Insta. Acontece que eu não contei muito sobre a experiência em sí, sobre os detalhes, então farei isso neste momento, aqui no blog mesmo.

Aqui os salões de manicure são, geralmente, conhecidos como ‘nail spa’, porque realmente vão bem além dos serviços comuns de unha – oferecem massagem, exfoliação, tratamentos para a pele, entre outras coisas.

O spa que eu decidi conhecer foi o La Vie, cuja proprietária é nada mais, nada menos do que a minha vizinha! Isso já me deu uma certa tranquilidade porque, bom, sou brasileira e por mais que não seja mineira como minhas amigas, sou um pouco desconfiada.

Cheguei no local e já fiquei encantada. Totalmente diferente dos salões que eu já tinha visto (da porta pra fora, principalmente dentro de shoppings), e muito parecido com o salão de cabeleireiro que eu frequento. Tudo moderno, bem decorado, extremamente limpo e organizado.

Algumas curiosidades, acho que 99% dos nail spas que eu já vi são geridos e operados por asiáticos, principalmente do Vietnã. Muitos dos profissionais, inclusive, são homens – sim, eles fazem todo o trabalho da manicure, e pelo que pude perceber fazem tudo muito bem.

A senhora que me atendeu era irmã da minha vizinha, ambas do Vietnã. Ela fez tudo como as nossas manicures, tirou SIM toda minha cutícula, fez exfoliação e massagem nas pernas (do joelho pra baixo), lixou, deixou tudo bonitinho. 

Interessante foi na hora que ela foi passar o esmalte. Ela simplesmente não borrou. Diferente de nós, ela não usou um palitinho pra tirar os excessos das bordas, simplesmente porque não tinha excesso nenhum. O pouquíssimo de esmalte que encostou na minha pele, ela tirou com um lencinho descartável umedecido no removedor de esmaltes, nem algodão ela usou!

A cadeira onde os clientes sentam já tem esse tanquinho de água (foto) e uma torneira, tudo embutido. Ela colocou um plástico descartável forrando o tanque antes. A cadeira é de massagem, e o cliente pode controlar como quiser. 

No final, ela me colocou sentadinha em outro canto do salão e pediu para colocar meus pés dentro de uma maquininha (um ventiladorzinho) para secar mais rápido as unhas. Como eu não fiz unha em gel, precisei esperar o esmalte secar naturalmente. Além disso, ela vestiu minha sandália antes de esmaltar, passou o esmalte com a sandália já vestida, o que eu achei muito bom para evitar acidentes (sou mestre nisso).

Como o serviço que eu pedi era o que tinha a massagem e a exfoliação, no total fiquei 45 minutos lá. Eu fiquei muito satisfeita. 

E o preço? Ah, gente. É caro. Poderíamos entrar numa discussão de macroeconomia sem fim aqui, e a conclusão é uma só: os EUA tem uma economia forte de produto e não de serviços. Por isso as coisas aqui são tão baratas (é mais barato comprar um microondas novo do que mandar consertar um que quebrou, e é assim com praticamente tudo), e é por isso que os americanos são os reis do DIY (do it yourself, ou, faça você mesmo), porque todo e qualquer serviço aqui custa caro.

Na região onde eu moro, você não irá encontrar um nail spa bom (qualidade, higiene, atendimento) por menos de US$30. É, dólares. Mas aí vem a tal sabedoria popular, quem converte não se diverte! Hahahahaha! 

Amei, acho que valeu a pena, e com certeza voltarei mais vezes. Pena que demorou mais de dez anos para eu tomar coragem e passar por cima do meu preconceito! Se soubesse o quanto ia gostar, teria ido muito antes.

Vida Que Segue

Semana passada fui à Florida a trabalho. Quem me acompanha pelo Instagram e tem paciência de seguir meus Stories e fotos já deve saber. Estive em Orlando e em Miami, e devo dizer que esta foi uma viagem muito produtiva, graças a Deus.

Trabalhei muito, o que realmente foi maravilhoso, conheci pessoas incríveis, e voltei para casa com a sensação de dever cumprido. Tive um contratempo na volta para casa, fiquei presa no aeroporto de Chicago por algumas boas horas, meu vôo para Moline foi cancelado (por motivos de mau tempo) e tive que voltar de lá dirigindo – pouco mais de 3 horas de estrada sob um temporal incessante o caminho todo. Cheguei às 3 da manhã no meu doce lar, quebrada mas feliz.

Feliz de estar de volta. Fiquei contente com tudo o que aconteceu durante a viagem, mas estou feliz de estar aqui, no meu canto. Todas as vezes que eu viajo me sinto assim, feliz por ir e mais feliz por voltar.

O que há de novo para registrar aqui? Nada de especial, na verdade. Quem viaja assim, a trabalho, com uma certa frequência como eu sabe bem o que são os momentos de ‘solidão’ da estrada. Não necessariamente solidão do tipo deprimente, mas os momentos onde, de repente, você está sozinho. 

Eu fico rodeada de pessoas o tempo inteiro quando viajo a trabalho. Mas quando volto para o hotel, entro no quarto e fecho a porta, me sinto estranhamente sozinha – não deprimida, nem triste, nem solitária, apenas sozinha. Eu, Gisele, sendo minha única companhia.

Hillstone Restaurant, Winter Park, FL


São nestes raros momentos em que eu consigo refletir (seria demais dizer ‘meditar’, demais para um pessoa como eu que pensa e age e se contorce e ri e fala sozinha, as vezes tudo ao mesmo tempo) sobre aquelas questões filosóficas da vida, algumas que valem bastante a pena, e outras que não valem absolutamente nada.

Mais estranhamente ainda, nesta viagem pensei repetidamente – e involuntariamente, diga-se de passagem – sobre a maternidade. Acho que foi porque mais uma pessoa, na melhor de suas intenções, me sugeriu que congelasse meus óvulos. O que se faz com óvulos congelados que a mulher decide não usar? Onde é que eles ficam guardados? Quanto custa alugar um espaço na geladeira de óvulos? E se decidir usar, como eles vão parar lá dentro de novo? Da mulher?

Enfim, depois pensei em filhos grandes. Pensei na Disney, não sei por quê (!?). Eu estava em Orlando, né? E depois Miami.

Pensei muito em coisas que, bom, não posso escrever a respeito – mas tudo bem, se fosse seu este texto você também iria preferir não escrever a respeito de determinada coisa, e mencioná-la mesmo assim, só porque você sabe que não há sensação mais legal do que a de provocar a curiosidade alheia! Nós, seres humanos, somos todos iguais mesmo.

E então, tive imensos diálogos com Carolina, que como sempre é a pessoa que tira a cegueira dos meus olhos. Como é que as pessoas vivem sem ter uma Carolina? Eu não sei. Graças a Deus, não sei. Mas ela me disse coisas que fazem muito sentido. A gente gosta mesmo é de especular! Mas as teorias de Carolina são sempre as melhores. Ela tem razão, sempre. Eu acredito nisso.

E foi praticamente isso o que aconteceu. Uma semana cheia, dias intensos.

31 anos, 1 mês, uma Viagem, dois Livros e uma Raposa

Há exatamente um mês completei trinta-e-um-anos-de-vida. Eu não imaginei que minha vida estaria como está – não imaginei que estaria assim, sendo eu, esse eu de agora.

Mas isso deve ser uma coisa boa, já que a maioria dos meus planos falha. Se eu estivesse vivendo um plano meu, provavelmente, estaria falhando muito mais (nessa parte poderia usar aquela #deusnocomando mas eu não sou assim).

Meu aniversário de 31 foi inusitado. O dia, em si, 11 de Junho. Do momento em que eu acordei até o segundo que fechei os olhos para dormir, tive um dia muito, muito inusitado. 

Estava na cidade do Rio de Janeiro, na companhia da minha melhor amiga, Carolina. Havíamos decidido como seria aquele domingo dias antes, mais ou menos assim:

Ca – “E no seu aniversário, melhor, o que você quer fazer?

Eu – “Ah amiga, não sei, quem conhece o Rio é você, você que tem que me falar o que é legal fazer.”

Ca – “Tá, mas o aniversário é seu, então você decide. O que você quiser fazer, eu tô dentro.”

Eu – “Beleza, então quero ir no Cristo. (… 15 minutos de explicação)…e estava muito nublado naquele dia, não deu pra ver nada, e eu era muito nova, não lembro dele direito, foi em 2004 (… mais uns 10 minutos de explicação)…e eu preciso mesmo viver isso de novo porque é uma experiência única, eu acho que as pessoas deveriam ir no Cristo pelo menos uma vez a cada dez anos (…mais 5 minutos de explicação)…então era lá que eu queria ir no meu aniversário!

Ca – “Tá bom, ami. Vamos no Cristo.

Eu – “De bondinho?


Já disse a sorte que tenho de ter a Carolina na minha vida? Ela me levou até o Cristo Redentor no dia do meu aniversário. De bondinho.


Como tudo o que fazemos juntas, aquele momento foi incrível. Mais uma linda lembrança para guardar comigo e carregar pro resto da vida. Eu cheguei no pé da escultura e pensei em tantas coisas. Primeiro, obviamente, tive que me concentrar e tentar esquecer as dezenas de pessoas perambulando ao meu redor, e os corpos deitados no chão pra conseguir o melhor ângulo das fotos dos cidadãos que abriam seus braços em frente ao Todo Poderoso de pedra. 

Concentração, Gisele.

Foi um momento especial, alguns segundos de meditação, pensando na minha vida até aquele momento e no que viria daquele dia em diante.


Trinta e um anos, Gisele. Feliz aniversário!


Passamos bastante tempo lá, conversando, observando a cidade, e obviamente, comprando souvenirs. Mais tarde, fomos à praia, depois jantamos em uma churrascaria. Foi um aniversário inesquecível.


Daquele dia em diante, muitas coisas mudaram, algumas apenas continuaram. Não sei se contei aqui, provavelmente não, mas estou escrevendo dois livros. Um que é uma história bem adolescente, e outro que é uma coletânea das poesias que eu escrevo. Novidade que estou estagnada em ambos? Claro que não.

Escrever, que é algo tão natural e simples para mim, se torna um enorme desafio quando penso que preciso de uma história que deverá, necessariamente, fazer sentido. Um dos motivos por eu desfrutar tanto de escrever aqui no Blog é exatamente a liberdade da falta de compromisso e comprometimento e lógica que ele representa. Hoje eu falo do meu aniversário, amanhã falarei de uma raposa, e nada precisa fazer sentido.

Por isso, acho, o livro de poesias é mais fácil. Os poemas que eu escrevo, os contos, as poesias, os versos, são todos avulsos e livres e representam, cada qual, sua própria história, seu único momento. E, no final, quando juntos, são como uma colcha de retalhos, colorida, confusa e estranhamente aconchegante.

Não deveria ter contado sobre meus livros aqui, e já me arrependi, mas vou publicar o texto assim de todas as formas porque eu sou assim mesmo, prefiro me arrepender do que está feito. O que está feito, está feito. 

Ah! Sobre a raposa?

Não há nenhuma grande história sobra a raposa. Ela olha diretamente em meus olhos todas as manhãs, e no decorrer do dia, com a feição de quem sabe como me questionar. “Até quando, Gisele?

Às vezes, encaro a raposa de volta. Ainda não tenho nenhuma resposta aos seus petulantes questionamentos.

A raposa, antes que comece o burburinho de que estou absolutamente louca, não é nada mais do que o background do meu computador. Ou talvez seja. Ainda não sei.

Todo Brasileiro Precisa Conhecer Brasília

Devo começar este texto com dois alertas:

1 – Caro leitor não-paulista, lembre-se que nasci e fui criada em São Paulo, o que significa que sou uma pessoa tendenciosa, ainda que inconscientemente, e graças ao estilo de vida que se leva em uma cidade como Guarulhos, que é só uma extensão da cidade de São Paulo, really, a maioria de nós, paulistas, paulistanos, guarulhenses e afins, nunca sentiu muita necessidade de explorar os demais estados brasileiros (a não ser, é claro, os pontos turísticos ‘da moda’, como um dia foi Porto Seguro, como hoje em dia é Trancoso – ou Jericoacoara, de acordo com Carolina que me corrigiu, e essa coisa toda). 

2 – Caro leitor paulista: quanto à declaração anterior – há exceções, e eu espero de todo coração que você seja uma delas.

Ressalvas declaradas e entendidas, vamos ao texto.

Como descrever Brasília? Eu diria que é quase impossível descrever Brasília com uma só palavra. Brasília não é como outras cidades, não é como nenhuma outra cidade que eu conheci. Consigo encontrar uma única palavra para descrever muitos dos lugares que visitei, e estas palavras surgem de imediato só de pensar no cartão portal de cada uma delas. Quer ver só? São Paulo – caótica. Guarulhos – provinciana. Rio de Janeiro – contrastante. Viena – cultural. Chicago – sofisticada. Los Angeles – hipster. Santiago – compacta. Las Vegas – descartável. Miami – exibida. É tão fácil descrever estes lugares, tão óbvios. Menos Brasília. Brasília não tem absolutamente nada de óbvia. 

Em 2004 quando entrei na faculdade de Arquitetura falamos incansavelmente sobre Brasília, graças ao gênio Niemeyer, que no finalzinho da década de 50 juntou todos os seus croquis, esquadros, compassos, transferidores e escalímetros, colocou embaixo do braço e construiu a única cidade planejada do nosso país. Vista de cima, ou através da maquete, como na foto abaixo, fica evidente que a composição da cidade é no formato de um avião. Por isso, e agora passei a entender muito mais as letras do meu amado Renato Russo, existem áreas chamadas Asa Norte e Asa Sul – as asas do avião, formato da cidade. (A propósito, clichê que sou, tive que escutar Legião o tempo todo que pude enquanto estive lá. Todas as letras tomaram um sentido muito único, muito real. É muito bom ser clichê. Gisele – clichê. Ainda bem que não sou cidade.)

Eu tive uma única janela de tempo entre as minhas reuniões onde pude, num período curto de tempo, passear pela cidade. Tive muita, mas muita sorte, porque o taxista que me atendeu, Sr. Raimundo, é um mineiro que vive na nossa capital há mais de 40 anos. Ele conhecia Brasília como a palma da própria mão. Sr. Raimundo me levou para conhecer praticamente todos os lugares imperdíveis da cidade, mas não foi apenas isso – ele parou local por local para que eu pudesse conhecer tudo o máximo possível, entrou junto comigo em tudo o que eu queria ver, e ainda se prontificou a tirar fotos minhas com as paisagens! Sr. Raimundo, não há palavra suficientes para agradecê-lo pela sua enorme gentileza e disposição.

Nossa primeira parada foi no Santuário Dom Bosco, uma igreja católica criada por Lúcio Costa em homenagem ao padroeiro da cidade. Eu não sou católica, mas sou apaixonada por igrejas e templos, e mesmo com todas as igrejas que eu já visitei até hoje, na minha opinião nenhuma conseguiu superar a beleza ímpar e a atmosfera de paz desse lugar. Deus permita que eu volte com mais tempo, porque quero realmente me sentar e contemplá-la como ela merece.

Passamos por todos os prédios das nossas instituições, como o prédio da Caixa Econômica Federal, o prédio da FUNAI, a Biblioteca e o Museu Nacional, os prédios de todos os Ministérios (isso é muito interessante, olhando da rodovia parece até uma biblioteca onde cada prédio dos Ministérios é uma prateleira separada por gênero – Trabalho, Fazenda, Cultura, Educação, Saúde, etc).

Sr. Raimundo me levou também para conhecer a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, essa sim de Oscar Niemeyer. Não há palavras para sintetizar a beleza desta igreja.

Chegamos, então até a Praça dos Três Poderes. E foi aí que eu senti algo que, mesmo com toda a minha facilidade de dissertação, serei incapaz de descrever. Estive frente à frente com a Gisele brasileira, a Gisele 100% brasileira, sem interferências de etnias ou da genética, eu encontrei a Gisele que nasceu em solo brasileiro. Parece loucura. Talvez seja, mesmo. Principalmente quando não se vive mais no Brasil. Estar na Praça dos Três Poderes, enxergar com meus próprios olhos o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, neste momento tão crítico em que vive a nossa nação, a minha nação, o meu povo, significou tanto na minha vida que eu não consegui conter uma emoção que eu, com toda honestidade, não imaginava carregar dentro de mim.

Eu me senti tão profundamente grata por ter nascido no Brasil. Me senti orgulhosa, porque apesar de todas as dificuldades, apesar de todas as péssimas escolhas relacionadas aos nossos governantes, apesar de tanta injustiça, de tantos problemas, somos uma nação forte, resistente, corajosa! Talvez todas as minhas palavras soem como um grande devaneio, mas não há maior verdade na vida do que esta: só passamos a enxergar um cenário todo e realmente compreendê-lo quando o observamos à distância. E eu venho observando meu país na última década, e percebo que, ainda que pareça impossível, ainda que não se encontre alternativas permanentes de mudança e melhoria, ainda assim há esperança. 

Eu não sei como, não sei quando, mas tenho certeza de que um dia conseguiremos superar tanta opressão e desigualdade. Brasília, por mais irônico que seja, me ensinou exatamente isso. Sabe quantas pessoas de bem eu encontrei nesta viagem? Sabe quantas gentilezas me foram prestadas? Sabe quantas demonstrações de honestidade, trabalho árduo, empreendedorismo e sucesso me foram ofertadas? Eu não saberia contar. Foram muitas.

Fui ao Palácio da Alvorada, fiquei admirada com as emas ciscando como galinhas e com a guarda do nosso Exército que protege o local. 

Acho que no fundo, Brasília pode ser descrita como o Sr. Raimundo. Tanto potencial, tanta engenhosidade, tantas histórias, tanto trabalho. Brasília é muito mais do que os políticos que alí vivem. Brasília é muito mais do que um pedaço de solo e uma maquete. Brasília é o espelho do nosso povo. 

É impossível falar tantas coisas sobre uma cidade inteira, ainda mais sendo a capital de uma nação, em um único post. Como fiquei um tempo muito curto por lá e por ter ído a trabalho, infelizmente não posso comentar muita coisa sobre a parte do entretenimento, restaurantes, shoppings, etc. Também preciso voltar para fazer o passeio do Itamaraty e do Instituto JK, que já sei que são imperdíveis. Volterei, Deus permita, muitas vezes para a minha Brasília (espero que meus queridos leitores donos verdadeiros desta terra não se incomodem e me perdoem pela linguagem possessiva, mas eu realmente acredito que todos nós, brasileiros, temos o direito e o dever de tratar Brasília como o nosso lar – porque no fundo, na estrutura, nas leis, nas decisões e nas consequências, ela realmente é).

Minha maior tristeza foi ter esquecido meu ímã de geladeira de Brasília. Não me perdoarei por isso! Mas quando voltar, comprarei dois.

Brasília, agradeço imensamente por ter despertado minha consciência cívica, minha real identidade, e por ter me recebido da maneira como me recebeu. A você, meus eternos respeito e admiração.

Quem quiser os serviços de táxi do Sr. Raimundo, que recomendo inequivocamente, o número é +61-99982-7460.

Riso Solto, Brasil e 31


Mais de um mês sem atualizar meu pobre blog. O que está acontecendo? Gisele, você já foi melhor em administrar suas prioridades!

É que… Sabe como é? As prioridades mudam. De vez em quando, mudam temporariamente, outras vezes simplesmente mudam, sem data de validade. Mudanças sem data de validade.

Mas não, não os deixarei. 

Como sempre, estive fora a trabalho. Eu já disse que amo meu trabalho? Amo mesmo. Deus me abriu essa porta e eu, honestamente, não tinha muita noção de quantas pessoas, lugares e experiências especiais passariam pelo meu caminho através dele.

Então, fui ao Brasil, a trabalho, por duas semanas. No final de semana recheio da viagem, fiz aniversário. Trinta e um anos de vida, meu. É ano pra cacete, mas ainda me sinto igual aos vinte e um, só que mais legal, mais desencanada, mais livre, leve e loira.

Passei meu aniversário no topo do Corcovado, agradecendo ao Pai por todas as bênçãos. Quero mesmo falar especificamente sobre este dia em um post separado, porque há muitas coisas para contar.

Nesta viagem também pude conhecer a capital do nosso país. De verdade, esse assunto também merece um post separado. Brasília é simplesmente inesquecível. Simplesmente incomparável. Vou escrever tudo sobre isso também, prometo. 

Agora que já matamos dois tópicos do título do post, falemos sobre o riso solto – de fato, a parte fundamental deste texto.

Não sei se você acompanha meu blog, muito menos se acompanha há um tempo, mas se é este o seu caso, talvez você se lembre que no ano passado, em Novembro, estive no Brasil e saí de lá com o coração partido em mil pedaços. Não foi fácil, e eu confesso que graças àquele infeliz episódio eu havia perdido a vontade de voltar.

Só que eu sabia que voltaria, eu tinha certeza que não iria demorar pra isso acontecer. Se eu estava preparada psicologicamente para voltar? Não, não estava. Mas sabe aquela história de males que vem pra bem? Então, ela é muito verdade.

Quando soube com certeza que voltaria, reuni forças (que atendem pelos nomes de ‘mãe’, Josh e Carolina) e já era. Já era MESMO. Coloquei tudo em órdem e entrei no avião repetindo mentalmente o ‘mantra’: essa viagem vai ser ótima, essa viagem vai ser ótima, essa viagem vai ser ótima…

Do minuto que eu cheguei até o minuto que eu parti: a viagem foi ótima.

Mesmo com TPMs cruzadas (eita, Carolina!), mesmo com as quase contaminações cruzadas (eita, Carolina!) mesmo tendo seis vôos em quinze dias, mesmo com as chuvas torrenciais paulistas, mesmo com a logística das malas (Pai amado, essa foi f*#$!), mesmo com os piores motoristas cariocas (desculpa gente, foram todos ruins, menos o Átila – sério, preciso fazer um post contando exclusivamente sobre o Átila!), mesmo com TUDO o que poderia ter dado errado, foi tudo TÃO MARAVILHOSO que eu realmente, do fundo do meu coração, e pela primeira vez desde a primeira vez, não queria ir embora.

Eu acho que nunca ri TANTO na minha vida. É sério. 

Não tenho como descrever o quanto me diverti, quantas pessoas incríveis fizeram desta viagem um momento inesquecível. Me reconectei com algumas pessoas tão importantes pra mim (Naty, como foi bom estar com você, você não imagina), rever pessoas que significam tanto na minha história (Karen, você é pra mim o que sempre foi e o que sempre será), fiz novos amigos (Fátima, com ou sem arroz de polvo, você é a melhor pessoa!!! Sônia, você é exatamente o doce de pessoa que eu pensei que você seria!), conheci minhas bebês Laura e Rafaela, filhas dos meus primos que nasceram este ano, e é claro, pude estar com a minha avó que amo tanto, rever meus tios, meus primos, e pessoas que fazem tanta diferença na minha vida.

Não, eu não pude me encontrar com todo mundo que eu queria. Isso nunca é possível, por alguns motivos, em especial pelo fato de que o meu foco nestas viagens é o trabalho, o trabalho é a minha prioridade. Então é muito difícil conseguir conciliar o que eu gostaria com o que eu posso fazer. Mas acho que tudo na vida é assim, não é?

O que eu aprendi com esta viagem? Que não há nada melhor do que dar risada. Não há. Minha tia Marili, a Fátima, o Eric, a Miriam, a Bruna, a Karen… e a Carolina! Não dá pra ficar perto dessas pessoas sem dar risada. Eu ri de passar mal. Sabe o que é isso? Rir de passar mal? De doer as mandíbulas (eita, Carolina!)? De não conseguir dormir porque não consegue parar de pensar nas asneiras todas? Todos os momentos que estive com eles foram assim. 

A vida é engraçada. Ela realmente não é uma constante. Ou é, mas com ondas de altos e baixos que só podem ser enxergadas à distancia, sabe?! Esta viagem foi uma onda alta. 

Agora, é manter a vibe feliz e seguir em frente, porque com toda certeza as próximas ondas virão (só que dessa vez eu já estarei mais preparada).

Até breve, turma.

G.

Sobre a Imaginação 

O mal de quem tem a imaginação fértil é ter a capacidade de auto-sabotagem num nível quase extremo. Quem será que, além de mim, já passou por algo assim? Viver uma história fora da sua própria por 48 horas, ou menos até?Eu queria conseguir sair do meu corpo e assistir às minhas próprias ações nestes momentos, acho que sentiria…. vergonha alheia! E sim, isto é quase uma piada. Seria engraçado se não fosse (quase) trágico!

O bom de quem tem a imaginação fértil é que, quando se dão estas presepadas de auto-sabotagem a gente tem um tipo de “wake up call”, um chamado de volta à realidade, e a frustração daquele pequeno…surto, vira uma (fonte? Bica, bica é melhor) bica de autoconhecimento, uma bica que gera um (lago? Não, lago não. Espelho d’água, espelho d’água é melhor) espelho d’água que vai refletir a imagem do ser que você é, e não do ser que gostaria de ter se tornado.

Eu gostaria tanto, mas tanto de poder escrever abertamente sobre tudo o que eu sinto e penso e vivo, mas não posso. Me restam apenas as minhas grandes amigas, analogia e figura de linguagem, e boa sorte pra quem tentar decifrar qualquer uma delas! Não vai conseguir.

Eu dou meia-volta nessa conversa, de repente me sinto uma menininha de oito anos, olhando pela janela do quarto e pensando, com minhas marias-chiquinhas, como será que é o lado de fora. Não o quintal, mas as ruas, a cidade, os barulhos, os céus, as nuvens e os sóis que eu não vejo.

Continuo sendo muito amiga da minha imaginação. E continuarei fazendo uso da auto-sabotagem, porque pessoas como eu são assim, entende? Não, eu sei. Mas tudo bem. 

O fato é que, seja lá o que for que eu sinta, ou que invente que sinta, fico feliz por sentir. Sentir é estar vivo. Estar vivo é, às vezes, se auto-sabotar assim. De maneiras estupidamente necessárias. 

Isso.