Conhecendo Madison, a Capital de Wisconsin – Parte II – Passeios Gastronômicos

Uma das minhas partes prediletas quando monto o roteiro de qualquer viagem é selecionar meus passeios gastronômicos, afinal, comer bem pode ser uma das melhores experiências de qualquer viagem.

Não foi nada difícil encontrar opções ótimas em Madison, por alguns motivos. Primeiro, como já comentado no post anterior, Madison é uma cidade universitária, ou seja, um prato cheio para restaurantes e bares que gostam de inovar e criar sem medo da rejeição de comunidades mais, digamos, conservadoras (para não dizer antiquadas).

Começamos pelo Gates & Brovi, um restaurante-bar que serve um cardápio especial de hambúrguers e sanduíches, e que conta com uma carta de cervejas artesanais mais do que completa. Começamos pela entrada deliciosa de cheese curds (Wisconsin!!!). De acordo com minha amiga Quézia “o melhor hamburguer já experimentado na vida!” – ela disse que dirigiria 3 horas só para comer aquele hambúrguer e depois voltar para casa. Eu concordo, a comida é uma delícia, o ambiente muito descontraído (e totalmente familiar durante o dia, mas acredito que menores não possam entrar depois das 22h), o serviço é muito bom e o preço bem justo (cerca de $15 por pessoa, com bebidas não alcoólicas).








Fomos também conhecer o restaurante belga Brasserie V – de todos, o que eu estava mais animada, e foi outra experiência muito boa. Pedimos uma tábua de queijos de entrada, afinal, estando em Wisconsin não tinha como não provar queijos deliciosos, e eu me joguei no meu croque monsieur (puro amor), que na verdade sogreu um upgrade com um ovo frito, tornando-se então um belíssimo croque madame, com uma taça de vinho branco. O prato mais caro do Brasserie V é o pato, que custa $20, ou seja, um restaurante de muita qualidade e que super vale a pena. O ambiente é muito aconchegante, com uma decoração que remete mesmo a Europa, só que sem nuvens de fumaça de cigarro sobre as nossas cabeças (ufa!).





Outro lugar que foi muito bem avaliado internet afora e que fomos almoçar foi um pub chamado The Coopers Tavern – que infelizmente eu esqueci de tirar fotos, por isso estou usando uma do site deles, porque o lugar é super descontraído (um pub, né Gisele?!?), bem em frente ao Capitólio, super movimentado, realmente, um lugar ‘descolado’. A Quézia e o Danilo pediram uma entrada de fritas com queijo derretido (Wisconsin!!!) e gravy, e nós pedimos um pretzel com molho de queijo (Wisconsin!!!) com cerveja artesanal, uma delícia. Depois pedimos sliders (eu pedi, são três mini-hamburgueres com queijo gruyère), sanduíches e hambúrgueres do tamanho convencional. A média de preço segue a mesma dos outros lugares.





O restaurante mais legal e aprovado por nós quatro na viagem foi onde tivemos nosso último jantar, o Eno Vino Bar & Bistro. O lugar, apesar de ter sido o mais sofisticado de todos, foi curiosamente o mais acolhedor também. Chegamos lá por volta das 22h e eles não serviam mais o menu completo do jantar, apenas o menu do bar – que foi sensacional. Quézia e eu provamos seis tipos diferentes de bruschetta, uma mais diferente e maravilhosa que a outra, o Josh pediu uma pizza brotinho espetacular, e o Danilo pediu um prato de pasteizinhos de atum no estilo asiático. No final, pedimos uma sobremesa (que era para ter sido fondue, mas infelizmente eles estavam sold out), então nossa super simpática garçonete nos sugeriu o bread pudding com sorvete de caramelo salgado e nós acatamos. No final, com as bebidas, tudo ficou por cerca de $25 por pessoa. Eu pretendo voltar no Eno Vino, vale a pena, o lugar é realmente fantástico.







Entre sorvetes em downtown e cheesecakes na feirinha do centro, encontramos duas lojas de chocolates que não poderiam ficar de fora deste post.

A primeira delas, a Madison Chocolate Company, simplesmente encantadora, de chocolates artesanais, e o melhor de tudo, todos os produtos são 100% gluten free! Isso para mim significa algo especial, porque minha melhor amiga é celíaca, e eu sei muito bem como é difícil encontrar lugares onde celíacos ou pessoas com outras doenças crônicas potencializadas pela ingestão de glúten (como é o caso da dona dessa loja, eu conversei com ela) sintam-se totalmente seguros em comer algo sem o medo de intoxicação através de contaminação cruzada. O chocolate de lá é incrível, e ela fabrica tudo lá mesmo. Os sabores variam dos mais convencionais, como trufas e bombons recheados, como sabores exóticos, como uma trufa de manjericão que nós provamos. O preço, obviamente, é mais alto do que a média, mas a experiência é incrível, e dar apoio a pequenos negócios como este fazem toda diferença. O chocolate é de extrema qualidade, e o atendimento é muito, muito acima da média (além do lugar ser uma graça).


A segunda e última loja de chocolates é a Kilwins, que fica bem próxima ao Capitólio, na beiradinha de downtown Madison. Essa loja é daquelas que o aroma se espalha pela rua, convidativo de uma maneira quase provocadora. Irresistível. O conceito desta loja é diferente, porque é uma franquia de uma rede espalhada por todo o país. Mas isso não diminui sua mágica. A loja é linda, os chocolates tem o aspecto mais artesanal, assim como os sorvetes vendidos lá (Josh comeu um sabor cheesecake, todos são de massa), os detalhes das embalagens, a vitrine, os funcionários e o atendimento, tudo muito charmoso. O preço é bem mais camarada também, e eu ataquei quatro ou cinco tipos de doces com chocolate branco (o único que eu realmente gosto). Algumas das atrocidades encontradas nessa loja incluem: oreos cobertos com chocolate, pretzels cobertos com chocolate, barras e mais barras de fudge em pedaços de diversos sabores, todos os tipos de trufas, bombons e barrinhas, e claro, os sorvetes. Sim, vale a pena.


Então é isso, um resumo dos quilos adquiridos no feriado em um único post. Ah! Não falei do café da manhã porque comemos no hotel (incluso), mas essa parte vocês já podem imaginar, né?

Madison, se você não for até lá pela sua beleza, vá pela sua comida.

Gi

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Conhecendo Madison, a Capital de Wisconsin – Parte I

Na segunda-feira comemoramos o Labor Day aqui nos EUA, feriado do Dia do Trabalho, que nos deu a oportunidade de tirar umas “mini-férias” e ir até nosso estado vizinho, Wisconsin, conhecer a cidade de Madison, sua capital. 

Pegamos a estrada no sábado de manhã e em menos de três horas chegamos ao nosso destino. A estrada estava linda, muito verde, com muitas plantações e muitos pastos – Wisconsin é um estado fortíssimo na pecuária e conhecido pela fabricação de excelentes queijos (é como Minas Gerais nesse sentido).


Madison é uma cidade universitária com cerca de 250 mil habitantes. Ela é famosa pelos seus grandes lagos, sendo o maior deles o Lake Mendota, que durante o verão fica incrivelmente agitado com barcos de esporte e de lazer, emoldurado por banhistas que aproveitam a areia fofa e pantanosa para colocar o bronzeado em dia nas pequenas praias espalhadas por toda sua margem.




Durante o final de semana, tivemos a companhia de nossos queridos amigos Quézia e Danilo, e exploramos juntos vários pontos da cidade, a começar pelo Capitólio, sede do gabinete do Governador de Wisconsin. Aos finais de semana existe uma feirinha que acontece na praça do Capitólio, com muitas barracas de comidas e artesanato, também com palcos distintos com bandas ao vivo que tocam o dia todo. Passamos pela feirinha e seguimos direto ao Capitólio, um verdadeiro monumento de tão bonito. Não precisamos pagar nada para entrar, e pudemos subir até o terraço, onde nos deparamos com uma vista linda. Como estava um dia frio, chuvoso e nublado, não aguentamos ficar lá no topo por muito tempo, mas valeu a pena.









A poucos metros do Capitólio fica o centro da cidade, uma área muito charmosa, repleta de restaurantes, lojas e museus. Visitamos o Madison Museum of Contemporary Art que também é gratuito, e foi fantástico, principalmente porque algumas obras do Andy Warhol pertencem ao seu acervo. 









Domingo foi o dia de mais andanças – de acordo com o fit bit da Quézia, andamos cerca de 13 mil passos (por isso não ficamos com peso na consciência após nossas refeições! Conto sobre os restaurantes no próximo post), passamos a manhã toda visitando o Zoo de Madison e a tarde fomos conhecer a Governor’s Island, ambos passeios também gratuitos.

O zoológico opera através de doações e trabalho voluntário, e também pela sua recheada lojinha de souveniers. Os animais estavam visivelmente bem cuidados, e alguns deles foram um show a parte (uma girafa se esguelando para alcançar os galhos de uma árvore, o rinoceronte brincando com um tronco enorme, depois trotando feliz em direção à sua cuidadora que trazia comida, a família de Leões tomando sol, todos juntos, o urso polar adubando o solo na nossa cara, e até mesmo uma tartaruguinha fugitiva… Sem contar os exibidos flamingos e as topeiras de gritos escandalosos. Eu sei que é triste ver animais enjaulados, mas estes todos já nasceram em cativeiro, não sobreviveram à natureza, e realmente estavam bem cuidados.)









Na Governor’s Island fizemos uma “trilha” (leia-se: demos uma volta toda na ilha seguindo o caminho pré-determinado para pessoas nada aventureiras e totalmente inexperientes como nós), que não era muito longa, na verdade, mas que é muito bonita, com vista para o Lake Mendota, formando um balão, e a determinada altura da trilha você consegue avistar o centro de Madison, inclusive o Capitólio. 







Na segunda-feira, convenci meu marido (como boa geminiana que sou) a me levar ao shopping (como boa paulista que sou), de West Towne Mall, onde pude ir, fisicamente, às compras na H&M (como aqui onde eu moro, apesar de ser uma área metropolitana com cerca de meio milhão de habitantes, não tem H&M e eu só compro pela internet). Me diverti por alguns minutos (pergunte ao meu marido e ele lhe dirá que foram algumas horas, mas o tempo é subjetivo e questão de perspectiva!) e fiz ótimas compras. 



Achei Madison uma cidade encantadora, honestamente, muito parecida com Iowa City, só que bem maior e mais movimentada. O povo de Wisconsin também me lembra muito o povo de Iowa, muito educados, prestativos e gentis. 

Vale a pena conhecer Madison. Daqui a pouco volto para contar sobre a comida.

Gi.

Na Jornada da Perda de Peso, Conte Somente com Você

Esta semana completei mais um ciclo de cinco dias seguidos de academia. Me comprometi a me exercitar todos os dias úteis da semana, entre 45 e 60 minutos por dia, por um período indeterminado. O objetivo é fazer com que meu corpo se acostume ao máximo a praticar atividades físicas a ponto de me enviar sinais de cobrança nos dias em que eu não me exercitar. O meu objetivo maior, na realidade, é ter uma vida adulta com muita saúde, agora e durante a terceira idade.

“Mas Gisele, você só tem 31 anos, não é um pouco de exagero pensar na terceira idade assim?” – no meu caso e na minha opinião, não. Nem todos podemos ser filhos e netos de grandes atletas. Nem todos temos este estímulo da prática de esportes constante vindo de pessoas ao nosso redor. Nem todos temos a bênção dos genes magro-alto-sem colesterol-sem diabetes-sem hipertensão presenteado a nossos corpos. Eu preciso entender que o agora é meu futuro, e que o futuro é meu agora. Não tenho outra senão optar pela prevenção.

A questão não é ter um corpo sarado – veja bem, eu nem se quer tomo sol! Não é por exibicionismo. Vaidade pessoal? Com toda certeza. Preciso me amar, e preciso me amar primeiro. Mas o fato é que quero ter uma vida com o mínimo de remorso possível, e isso começa pela minha saúde, que está no topo desta lista. Deve ser horrível ter um diagnóstico de alguma doença limitadora, para não dizer fatal, com 40, 50, ou 60 anos, e se dar conta de que se houvesse mudado meus hábitos décadas antes, aquilo poderia ter sido evitado. Significa de que me tornarei imune a doenças e problemas? Não. Mas significa que estarei com a consciência tranquila sabendo que dei o melhor de mim, por mim. Significa que não fui um fator a mais (se não o mais poderoso deles) a tornar uma situação ainda pior, potencialmente.

Mas o que importa é fazer tudo isso pensando de uma maneira bem egoísta. Quando se trata de peso, reeducação alimentar, prática de exercícios, você pode e deve ser muito egoísta, pensar somente no seu bem-estar, olhar somente para o seu próprio umbigo. Acredite, olhar para o próprio umbigo ajuda muito nessas horas, principalmente quando a única visão que se tem dele é uma visão ‘semi-periférica’ (graças às saliências da pança!). 

Além do mais, digo por experiência própria: você não terá ninguém para contar além de você mesmo nessa caminhada. Nem as pessoas mais próximas de você, por mais bem-intencionadas que sejam, conseguirão dar o apoio que você realmente precisa. Muitas delas provavelmente não irão acreditar que você tem a capacidade de conseguir alcançar o seu objetivo – baseiam-se nas suas próprias fraquezas e sentem uma ponta de inveja quando percebem que há quem seja mais forte.

Eu caí na infelicidade de comentar com algumas pessoas a minha meta de peso. Foi uma grande estupidez da minha parte. Ninguém, nenhum deles, teve a capacidade de me apoiar e dizer “eu tenho certeza que você consegue”. Ouvi coisas como “mas a sua estrutura, não vai ficar bom”, ou “é que você tem ossos largos, então pode ser que não seja fácil”, ou então “as suas expectativas são muito diferentes das minhas, mas talvez você consiga”. Todos tão bem-intencionados, ninguém teve fé em me dizer que, ainda sabendo que aquele número é absolutamente normal e saudável para a minha estatura (gente, eu tenho noção das coisas!), confiava que eu iria conseguir.

As pessoas se incomodam de me ver indo na academia todos os dias, tirando fotos de looks no espelho, fazendo comparações de antes e depois. É porque elas se sentem mal com elas mesmas, com a incapacidade delas e a falta de força de vontade delas próprias em tomar uma atitude e mudar. Por isso há um certo incômodo, perguntam quantos quilos eu perdi, dão pitacos na minha alimentação, e mensagens do tipo “cansei de ver você na academia 5:00 AM todo dia”. Não é fácil. 

Mas por que então eu continuo falando tanto sobre minha reeducação? Primeiro porque eu gosto de falar abertamente sobre as coisas que eu vivo. Não há o que esconder. Eu sou assim, sempre fui e não é agora que vou fazer diferente. Segundo, porque é uma maneira de eu mesma tomar consciência de tudo o que eu faço – com relação aos alimentos e aos exercícios. É uma auto-cobrança, algo que me empurra pra frente. Terceiro, porque apesar das pessoas que tentam sempre puxar os outros para baixo, há muito mais pessoas que se sentem inspiradas e motivadas com esse tipo de conteúdo.

Eu sou uma mulher absolutamente normal, posto receitinhas saudáveis com o que tenho na geladeira, faço academia em um lugar super simples, não sou exemplo nenhum de vida fitness, mas pelo menos jogo a real com vocês. Quando vou comer uma fatia de torta de limão passada na massa de bolinho de chuva e frita (aquela que eu postei no dia da quermesse!), eu mostro também! Porque a vida é isso, e não o faz de conta que muita gente prefere publicar. 

No final, conte somente com você. É a minha força de vontade que me faz levantar da cama todos os dias e ir pra academia. É a minha consciência que me faz pensar antes de comer um misto quente com refrigerante e doce na frente da televisão de noite. É o meu amor-próprio que não me deixa desistir.

A caminhada é única e exclusivamente sua, portanto faça dela a melhor e mais feliz de todas. Você merece.

Fui Na Pedicure Pela Primeira Vez nos EUA

O plano era fazer um post primeiro aqui no blog a respeito da minha experiência – mas não me aguentei, acabei falando um pouco sobre isso no Insta. Acontece que eu não contei muito sobre a experiência em sí, sobre os detalhes, então farei isso neste momento, aqui no blog mesmo.

Aqui os salões de manicure são, geralmente, conhecidos como ‘nail spa’, porque realmente vão bem além dos serviços comuns de unha – oferecem massagem, exfoliação, tratamentos para a pele, entre outras coisas.

O spa que eu decidi conhecer foi o La Vie, cuja proprietária é nada mais, nada menos do que a minha vizinha! Isso já me deu uma certa tranquilidade porque, bom, sou brasileira e por mais que não seja mineira como minhas amigas, sou um pouco desconfiada.

Cheguei no local e já fiquei encantada. Totalmente diferente dos salões que eu já tinha visto (da porta pra fora, principalmente dentro de shoppings), e muito parecido com o salão de cabeleireiro que eu frequento. Tudo moderno, bem decorado, extremamente limpo e organizado.

Algumas curiosidades, acho que 99% dos nail spas que eu já vi são geridos e operados por asiáticos, principalmente do Vietnã. Muitos dos profissionais, inclusive, são homens – sim, eles fazem todo o trabalho da manicure, e pelo que pude perceber fazem tudo muito bem.

A senhora que me atendeu era irmã da minha vizinha, ambas do Vietnã. Ela fez tudo como as nossas manicures, tirou SIM toda minha cutícula, fez exfoliação e massagem nas pernas (do joelho pra baixo), lixou, deixou tudo bonitinho. 

Interessante foi na hora que ela foi passar o esmalte. Ela simplesmente não borrou. Diferente de nós, ela não usou um palitinho pra tirar os excessos das bordas, simplesmente porque não tinha excesso nenhum. O pouquíssimo de esmalte que encostou na minha pele, ela tirou com um lencinho descartável umedecido no removedor de esmaltes, nem algodão ela usou!

A cadeira onde os clientes sentam já tem esse tanquinho de água (foto) e uma torneira, tudo embutido. Ela colocou um plástico descartável forrando o tanque antes. A cadeira é de massagem, e o cliente pode controlar como quiser. 

No final, ela me colocou sentadinha em outro canto do salão e pediu para colocar meus pés dentro de uma maquininha (um ventiladorzinho) para secar mais rápido as unhas. Como eu não fiz unha em gel, precisei esperar o esmalte secar naturalmente. Além disso, ela vestiu minha sandália antes de esmaltar, passou o esmalte com a sandália já vestida, o que eu achei muito bom para evitar acidentes (sou mestre nisso).

Como o serviço que eu pedi era o que tinha a massagem e a exfoliação, no total fiquei 45 minutos lá. Eu fiquei muito satisfeita. 

E o preço? Ah, gente. É caro. Poderíamos entrar numa discussão de macroeconomia sem fim aqui, e a conclusão é uma só: os EUA tem uma economia forte de produto e não de serviços. Por isso as coisas aqui são tão baratas (é mais barato comprar um microondas novo do que mandar consertar um que quebrou, e é assim com praticamente tudo), e é por isso que os americanos são os reis do DIY (do it yourself, ou, faça você mesmo), porque todo e qualquer serviço aqui custa caro.

Na região onde eu moro, você não irá encontrar um nail spa bom (qualidade, higiene, atendimento) por menos de US$30. É, dólares. Mas aí vem a tal sabedoria popular, quem converte não se diverte! Hahahahaha! 

Amei, acho que valeu a pena, e com certeza voltarei mais vezes. Pena que demorou mais de dez anos para eu tomar coragem e passar por cima do meu preconceito! Se soubesse o quanto ia gostar, teria ido muito antes.

Vida Que Segue

Semana passada fui à Florida a trabalho. Quem me acompanha pelo Instagram e tem paciência de seguir meus Stories e fotos já deve saber. Estive em Orlando e em Miami, e devo dizer que esta foi uma viagem muito produtiva, graças a Deus.

Trabalhei muito, o que realmente foi maravilhoso, conheci pessoas incríveis, e voltei para casa com a sensação de dever cumprido. Tive um contratempo na volta para casa, fiquei presa no aeroporto de Chicago por algumas boas horas, meu vôo para Moline foi cancelado (por motivos de mau tempo) e tive que voltar de lá dirigindo – pouco mais de 3 horas de estrada sob um temporal incessante o caminho todo. Cheguei às 3 da manhã no meu doce lar, quebrada mas feliz.

Feliz de estar de volta. Fiquei contente com tudo o que aconteceu durante a viagem, mas estou feliz de estar aqui, no meu canto. Todas as vezes que eu viajo me sinto assim, feliz por ir e mais feliz por voltar.

O que há de novo para registrar aqui? Nada de especial, na verdade. Quem viaja assim, a trabalho, com uma certa frequência como eu sabe bem o que são os momentos de ‘solidão’ da estrada. Não necessariamente solidão do tipo deprimente, mas os momentos onde, de repente, você está sozinho. 

Eu fico rodeada de pessoas o tempo inteiro quando viajo a trabalho. Mas quando volto para o hotel, entro no quarto e fecho a porta, me sinto estranhamente sozinha – não deprimida, nem triste, nem solitária, apenas sozinha. Eu, Gisele, sendo minha única companhia.

Hillstone Restaurant, Winter Park, FL


São nestes raros momentos em que eu consigo refletir (seria demais dizer ‘meditar’, demais para um pessoa como eu que pensa e age e se contorce e ri e fala sozinha, as vezes tudo ao mesmo tempo) sobre aquelas questões filosóficas da vida, algumas que valem bastante a pena, e outras que não valem absolutamente nada.

Mais estranhamente ainda, nesta viagem pensei repetidamente – e involuntariamente, diga-se de passagem – sobre a maternidade. Acho que foi porque mais uma pessoa, na melhor de suas intenções, me sugeriu que congelasse meus óvulos. O que se faz com óvulos congelados que a mulher decide não usar? Onde é que eles ficam guardados? Quanto custa alugar um espaço na geladeira de óvulos? E se decidir usar, como eles vão parar lá dentro de novo? Da mulher?

Enfim, depois pensei em filhos grandes. Pensei na Disney, não sei por quê (!?). Eu estava em Orlando, né? E depois Miami.

Pensei muito em coisas que, bom, não posso escrever a respeito – mas tudo bem, se fosse seu este texto você também iria preferir não escrever a respeito de determinada coisa, e mencioná-la mesmo assim, só porque você sabe que não há sensação mais legal do que a de provocar a curiosidade alheia! Nós, seres humanos, somos todos iguais mesmo.

E então, tive imensos diálogos com Carolina, que como sempre é a pessoa que tira a cegueira dos meus olhos. Como é que as pessoas vivem sem ter uma Carolina? Eu não sei. Graças a Deus, não sei. Mas ela me disse coisas que fazem muito sentido. A gente gosta mesmo é de especular! Mas as teorias de Carolina são sempre as melhores. Ela tem razão, sempre. Eu acredito nisso.

E foi praticamente isso o que aconteceu. Uma semana cheia, dias intensos.

31 anos, 1 mês, uma Viagem, dois Livros e uma Raposa

Há exatamente um mês completei trinta-e-um-anos-de-vida. Eu não imaginei que minha vida estaria como está – não imaginei que estaria assim, sendo eu, esse eu de agora.

Mas isso deve ser uma coisa boa, já que a maioria dos meus planos falha. Se eu estivesse vivendo um plano meu, provavelmente, estaria falhando muito mais (nessa parte poderia usar aquela #deusnocomando mas eu não sou assim).

Meu aniversário de 31 foi inusitado. O dia, em si, 11 de Junho. Do momento em que eu acordei até o segundo que fechei os olhos para dormir, tive um dia muito, muito inusitado. 

Estava na cidade do Rio de Janeiro, na companhia da minha melhor amiga, Carolina. Havíamos decidido como seria aquele domingo dias antes, mais ou menos assim:

Ca – “E no seu aniversário, melhor, o que você quer fazer?

Eu – “Ah amiga, não sei, quem conhece o Rio é você, você que tem que me falar o que é legal fazer.”

Ca – “Tá, mas o aniversário é seu, então você decide. O que você quiser fazer, eu tô dentro.”

Eu – “Beleza, então quero ir no Cristo. (… 15 minutos de explicação)…e estava muito nublado naquele dia, não deu pra ver nada, e eu era muito nova, não lembro dele direito, foi em 2004 (… mais uns 10 minutos de explicação)…e eu preciso mesmo viver isso de novo porque é uma experiência única, eu acho que as pessoas deveriam ir no Cristo pelo menos uma vez a cada dez anos (…mais 5 minutos de explicação)…então era lá que eu queria ir no meu aniversário!

Ca – “Tá bom, ami. Vamos no Cristo.

Eu – “De bondinho?


Já disse a sorte que tenho de ter a Carolina na minha vida? Ela me levou até o Cristo Redentor no dia do meu aniversário. De bondinho.


Como tudo o que fazemos juntas, aquele momento foi incrível. Mais uma linda lembrança para guardar comigo e carregar pro resto da vida. Eu cheguei no pé da escultura e pensei em tantas coisas. Primeiro, obviamente, tive que me concentrar e tentar esquecer as dezenas de pessoas perambulando ao meu redor, e os corpos deitados no chão pra conseguir o melhor ângulo das fotos dos cidadãos que abriam seus braços em frente ao Todo Poderoso de pedra. 

Concentração, Gisele.

Foi um momento especial, alguns segundos de meditação, pensando na minha vida até aquele momento e no que viria daquele dia em diante.


Trinta e um anos, Gisele. Feliz aniversário!


Passamos bastante tempo lá, conversando, observando a cidade, e obviamente, comprando souvenirs. Mais tarde, fomos à praia, depois jantamos em uma churrascaria. Foi um aniversário inesquecível.


Daquele dia em diante, muitas coisas mudaram, algumas apenas continuaram. Não sei se contei aqui, provavelmente não, mas estou escrevendo dois livros. Um que é uma história bem adolescente, e outro que é uma coletânea das poesias que eu escrevo. Novidade que estou estagnada em ambos? Claro que não.

Escrever, que é algo tão natural e simples para mim, se torna um enorme desafio quando penso que preciso de uma história que deverá, necessariamente, fazer sentido. Um dos motivos por eu desfrutar tanto de escrever aqui no Blog é exatamente a liberdade da falta de compromisso e comprometimento e lógica que ele representa. Hoje eu falo do meu aniversário, amanhã falarei de uma raposa, e nada precisa fazer sentido.

Por isso, acho, o livro de poesias é mais fácil. Os poemas que eu escrevo, os contos, as poesias, os versos, são todos avulsos e livres e representam, cada qual, sua própria história, seu único momento. E, no final, quando juntos, são como uma colcha de retalhos, colorida, confusa e estranhamente aconchegante.

Não deveria ter contado sobre meus livros aqui, e já me arrependi, mas vou publicar o texto assim de todas as formas porque eu sou assim mesmo, prefiro me arrepender do que está feito. O que está feito, está feito. 

Ah! Sobre a raposa?

Não há nenhuma grande história sobra a raposa. Ela olha diretamente em meus olhos todas as manhãs, e no decorrer do dia, com a feição de quem sabe como me questionar. “Até quando, Gisele?

Às vezes, encaro a raposa de volta. Ainda não tenho nenhuma resposta aos seus petulantes questionamentos.

A raposa, antes que comece o burburinho de que estou absolutamente louca, não é nada mais do que o background do meu computador. Ou talvez seja. Ainda não sei.

Todo Brasileiro Precisa Conhecer Brasília

Devo começar este texto com dois alertas:

1 – Caro leitor não-paulista, lembre-se que nasci e fui criada em São Paulo, o que significa que sou uma pessoa tendenciosa, ainda que inconscientemente, e graças ao estilo de vida que se leva em uma cidade como Guarulhos, que é só uma extensão da cidade de São Paulo, really, a maioria de nós, paulistas, paulistanos, guarulhenses e afins, nunca sentiu muita necessidade de explorar os demais estados brasileiros (a não ser, é claro, os pontos turísticos ‘da moda’, como um dia foi Porto Seguro, como hoje em dia é Trancoso – ou Jericoacoara, de acordo com Carolina que me corrigiu, e essa coisa toda). 

2 – Caro leitor paulista: quanto à declaração anterior – há exceções, e eu espero de todo coração que você seja uma delas.

Ressalvas declaradas e entendidas, vamos ao texto.

Como descrever Brasília? Eu diria que é quase impossível descrever Brasília com uma só palavra. Brasília não é como outras cidades, não é como nenhuma outra cidade que eu conheci. Consigo encontrar uma única palavra para descrever muitos dos lugares que visitei, e estas palavras surgem de imediato só de pensar no cartão portal de cada uma delas. Quer ver só? São Paulo – caótica. Guarulhos – provinciana. Rio de Janeiro – contrastante. Viena – cultural. Chicago – sofisticada. Los Angeles – hipster. Santiago – compacta. Las Vegas – descartável. Miami – exibida. É tão fácil descrever estes lugares, tão óbvios. Menos Brasília. Brasília não tem absolutamente nada de óbvia. 

Em 2004 quando entrei na faculdade de Arquitetura falamos incansavelmente sobre Brasília, graças ao gênio Niemeyer, que no finalzinho da década de 50 juntou todos os seus croquis, esquadros, compassos, transferidores e escalímetros, colocou embaixo do braço e construiu a única cidade planejada do nosso país. Vista de cima, ou através da maquete, como na foto abaixo, fica evidente que a composição da cidade é no formato de um avião. Por isso, e agora passei a entender muito mais as letras do meu amado Renato Russo, existem áreas chamadas Asa Norte e Asa Sul – as asas do avião, formato da cidade. (A propósito, clichê que sou, tive que escutar Legião o tempo todo que pude enquanto estive lá. Todas as letras tomaram um sentido muito único, muito real. É muito bom ser clichê. Gisele – clichê. Ainda bem que não sou cidade.)

Eu tive uma única janela de tempo entre as minhas reuniões onde pude, num período curto de tempo, passear pela cidade. Tive muita, mas muita sorte, porque o taxista que me atendeu, Sr. Raimundo, é um mineiro que vive na nossa capital há mais de 40 anos. Ele conhecia Brasília como a palma da própria mão. Sr. Raimundo me levou para conhecer praticamente todos os lugares imperdíveis da cidade, mas não foi apenas isso – ele parou local por local para que eu pudesse conhecer tudo o máximo possível, entrou junto comigo em tudo o que eu queria ver, e ainda se prontificou a tirar fotos minhas com as paisagens! Sr. Raimundo, não há palavra suficientes para agradecê-lo pela sua enorme gentileza e disposição.

Nossa primeira parada foi no Santuário Dom Bosco, uma igreja católica criada por Lúcio Costa em homenagem ao padroeiro da cidade. Eu não sou católica, mas sou apaixonada por igrejas e templos, e mesmo com todas as igrejas que eu já visitei até hoje, na minha opinião nenhuma conseguiu superar a beleza ímpar e a atmosfera de paz desse lugar. Deus permita que eu volte com mais tempo, porque quero realmente me sentar e contemplá-la como ela merece.

Passamos por todos os prédios das nossas instituições, como o prédio da Caixa Econômica Federal, o prédio da FUNAI, a Biblioteca e o Museu Nacional, os prédios de todos os Ministérios (isso é muito interessante, olhando da rodovia parece até uma biblioteca onde cada prédio dos Ministérios é uma prateleira separada por gênero – Trabalho, Fazenda, Cultura, Educação, Saúde, etc).

Sr. Raimundo me levou também para conhecer a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, essa sim de Oscar Niemeyer. Não há palavras para sintetizar a beleza desta igreja.

Chegamos, então até a Praça dos Três Poderes. E foi aí que eu senti algo que, mesmo com toda a minha facilidade de dissertação, serei incapaz de descrever. Estive frente à frente com a Gisele brasileira, a Gisele 100% brasileira, sem interferências de etnias ou da genética, eu encontrei a Gisele que nasceu em solo brasileiro. Parece loucura. Talvez seja, mesmo. Principalmente quando não se vive mais no Brasil. Estar na Praça dos Três Poderes, enxergar com meus próprios olhos o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, neste momento tão crítico em que vive a nossa nação, a minha nação, o meu povo, significou tanto na minha vida que eu não consegui conter uma emoção que eu, com toda honestidade, não imaginava carregar dentro de mim.

Eu me senti tão profundamente grata por ter nascido no Brasil. Me senti orgulhosa, porque apesar de todas as dificuldades, apesar de todas as péssimas escolhas relacionadas aos nossos governantes, apesar de tanta injustiça, de tantos problemas, somos uma nação forte, resistente, corajosa! Talvez todas as minhas palavras soem como um grande devaneio, mas não há maior verdade na vida do que esta: só passamos a enxergar um cenário todo e realmente compreendê-lo quando o observamos à distância. E eu venho observando meu país na última década, e percebo que, ainda que pareça impossível, ainda que não se encontre alternativas permanentes de mudança e melhoria, ainda assim há esperança. 

Eu não sei como, não sei quando, mas tenho certeza de que um dia conseguiremos superar tanta opressão e desigualdade. Brasília, por mais irônico que seja, me ensinou exatamente isso. Sabe quantas pessoas de bem eu encontrei nesta viagem? Sabe quantas gentilezas me foram prestadas? Sabe quantas demonstrações de honestidade, trabalho árduo, empreendedorismo e sucesso me foram ofertadas? Eu não saberia contar. Foram muitas.

Fui ao Palácio da Alvorada, fiquei admirada com as emas ciscando como galinhas e com a guarda do nosso Exército que protege o local. 

Acho que no fundo, Brasília pode ser descrita como o Sr. Raimundo. Tanto potencial, tanta engenhosidade, tantas histórias, tanto trabalho. Brasília é muito mais do que os políticos que alí vivem. Brasília é muito mais do que um pedaço de solo e uma maquete. Brasília é o espelho do nosso povo. 

É impossível falar tantas coisas sobre uma cidade inteira, ainda mais sendo a capital de uma nação, em um único post. Como fiquei um tempo muito curto por lá e por ter ído a trabalho, infelizmente não posso comentar muita coisa sobre a parte do entretenimento, restaurantes, shoppings, etc. Também preciso voltar para fazer o passeio do Itamaraty e do Instituto JK, que já sei que são imperdíveis. Volterei, Deus permita, muitas vezes para a minha Brasília (espero que meus queridos leitores donos verdadeiros desta terra não se incomodem e me perdoem pela linguagem possessiva, mas eu realmente acredito que todos nós, brasileiros, temos o direito e o dever de tratar Brasília como o nosso lar – porque no fundo, na estrutura, nas leis, nas decisões e nas consequências, ela realmente é).

Minha maior tristeza foi ter esquecido meu ímã de geladeira de Brasília. Não me perdoarei por isso! Mas quando voltar, comprarei dois.

Brasília, agradeço imensamente por ter despertado minha consciência cívica, minha real identidade, e por ter me recebido da maneira como me recebeu. A você, meus eternos respeito e admiração.

Quem quiser os serviços de táxi do Sr. Raimundo, que recomendo inequivocamente, o número é +61-99982-7460.