Viagem X Dieta – Como Foi Passar 1 Mês no Brasil

Cheguei do Brasil há dois dias, depois de uma viagem longa de muito trabalho e com um saldo de +2 kg na balança. Afinal, o que significa ganhar dois quilos em um mês? Poderia ter sido diferente? Foi fácil controlar a alimentação? E as tentações?

Pois é, minha gente. São mesmo muitas perguntas, curiosidades e preocupações que eu mesma tinha antes mesmo de partir. Minha maior ansiedade era pensar que estar fora da minha rotina significaria estar fora do controle de tudo. Para a minha surpresa, não foi bem isso o que aconteceu.

Quando a gente está feliz com o estilo de vida que é adepto, como no meu caso, parece que as coisas ficam mais claras. A verdade é que eu, muitas vezes sem querer e outras intencionalmente, acabei descobrindo uma variedade enorme de opções de restaurantes em São Paulo para quem busca uma alimentação mais saudável. A própria lanchonete do meu hotel, por exemplo, vende hoje em dia opções low carb de comida, lanches e snacks. Até o ano passado não era assim, muita coisa mudou por lá, e eu fiquei bem satisfeita com tais mudanças, porque foi aquela lanchonete que me salvou vários dias durante a semana.

Nos finais de semana também optei por conhecer lugares que ofereciam um cardápio mais natural e de baixo carboidrato, como o Club Life, o Capim Santo, o Empório Frutaria, e tudo mais. São opções maravilhosas. Tudo valeu a pena. Eu experimentei as tais sobremesas fit do Mundo Verde, pedi pizza low carb (com massa feita com farinha de coco e berinjela, uma delícia) da Pizza For Fun, e um dia antes de viajar saí com os amigos em um lugar chamado Quintal do Espeto (conhecido, rodízio de espetinhos com música ao vivo, uma rede, na verdade, ótima opção para agradar low carbers e high carbers também).

No geral, entre buffets e almoços na casa da vovó, deu tudo certo. Eu comi mais pães de queijo do que precisava, comi duas tapiocas de doce de leite (em dias diferentes), comi um pedaço do bolo de coelho da minha vó (tem foto dele no Insta), obviamente, um bolo high carb, e um pouco de uma sobremesa de damasco que ela também fez. Além disso, bebi algumas caipirinhas, sempre com polpa de maracujá e pouco açúcar… E tudo bem, também.

Dois quilos. Sendo muito técnica e compartilhando mais informações do que o normal, a verdade é que estes dois quilos não são gordura. Tem a ver com o período do mês! Tem a ver também com retenção de líquidos, com não dormir bem e/ou não dormir o suficiente, tem a ver com a ansiedade e o stress de que tudo corresse bem a viagem toda. Eu estou feliz com estes dois quilos, porque a verdade é que em qualquer outro momento da minha vida, teria ganho pelo menos quatro!

Mais do que pensar no que eu comi, eu gosto de pensar no que eu DEIXEI de comer. Isso sim é o que me impressiona. Eu entrei em uma padaria UMA vez, e tomei um café puro e uma água. Sério. É absurdo pensar isso. Passei em frente à Ofner milhares de vezes, a única vez que parei lá: tomei um café puro. Entrei na Bauducco no aeroporto antes de ir embora e: um café – puro. Não comi pastel. Não comi coxinha. Não comi pão francês. Não comi esfiha. ALIÁS, falando em esfiha: fui ao restaurante árabe e comi charutinhos de folha de uva! Dá vontade de gritar “QUEM É VOCÊ E O QUE VOCÊ FEZ COM A GISELE????” em frente ao espelho!

Estou orgulhosa destes dois quilos. Estes dois quilos representam, pasmem, auto-controle. Eu comprei roupas P e 38. No Brasil. O que são dois quilos, mesmo? Nada! Absolutamente nada. Eles irão embora tão rápido quanto vieram, e pronto. Fim.

As dificuldades em relação à viagem são muito mais emocionais e psicológicas do que físicas, realmente. Veja bem, tudo muda se um HÁBITO muda. Em 28 dias eu cozinhei UMA vez. Então, obviamente, meu cérebro está induzido a correlacionar comida à facilidade, comodidade ou “ser servida”. Estou, honestamente, com preguiça de cozinhar. Esta vem sendo a minha dificuldade desde quando voltei para casa.

É impressionante perceber como nossos obstáculos, muitas vezes, são o oposto do que imaginávamos que seriam. Meu maior obstáculo não é a minha boca, meu paladar, meu apetite….e sim, a minha própria mente. O que fazer agora? Retomar a rotina, reconstruir o hábito.

Mesmo que esta viagem tenha sido primariamente em função do meu trabalho, obviamente que estar em um ambiente diferente “reseta” o cérebro, e é difícil voltar às configurações estabelecidas como “padrão”. Sabe que isso não tem a ver só com a comida, tem a ver com tudo. Ontem mesmo estava procurando o adaptador da tomada (!) na minha bolsa, e a primeira vez que usei meu próprio toilet tentei dar descarga pressionando um botão imaginário acima do vaso, pois tinha esquecido totalmente que aqui ele fica na parte lateral. São pequenas, porém inúmeras coisas que são alteradas no nosso cérebro graças às repetições de novos hábitos. O negócio é prestar atenção e insistir nos hábitos anteriores, que, inevitavelmente, voltarão com força total. É que nenhum recomeço é fácil – mas podemos falar sobre recomeços em um outro momento. Por hora, foquemos nos dois quilos.

Dois quilos. Dois quilos de puro orgulho.

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10 Adultices dos Últimos Tempos

Trinta e um anos, oito meses e doze dias de vida com certeza fizeram de mim uma adulta muito diferente da afrontadora adolescente que saltitava por ruas Guarulhenses nos anos 2000. Se eu tivesse a possibilidade de trocar uma meia-dúzia (mais pra muitas dúzias) de palavras com aquela garota esperta e diferentona de AllStar pink, simplesmente diria: aproveite, aproveite mais – porque tudo isso vai passar (só não abuse da paciência do papai e da mamãe, sério…)!

Portanto, quis deixar aqui o registro de dez ítens que mudaram da água para o vinho na minha vida. Dez coisas que, se me contassem que eu chegaria nesse nível de maturidade, eu provavelmente daria risada… Mas, aconteceu!

Então, vamos lá:

1- Viagens São Investimento

Eu nunca tive muito interesse em viajar. Falava algumas vezes, aqui e ali, que queria visitar certos lugares, mas nada de muito concreto. Quando comecei a viajar, percebi que nada, absolutamente nada substitui ou agrega mais do que a experiência do novo. É um ítem meio óbvio, na verdade, mas eu realmente saí da minha zona de conforto. Hoje entendo porque quem viaja não consegue parar. Uma vez que você sai dessa caixinha, não tem mais como voltar atrás. Investir em viagens é algo realmente importante para mim.

2- Listas!

Muitas, muitas listas! A vida é feita de listas – a minha, pelo menos. Adoro contabilizar todas as minhas tarefas, adoro listar o que precisa ou não ser feito no trabalho, adoro meu planner, me sinto muito mais produtiva e eficiente quando sigo listas. Essa parte de planejamento, seja de uma viagem, de um compromisso, de uma atividade cotidiana, realmente me ajuda muito – e eu percebo o valor desta ‘auto-ajuda’. Prestar atenção em datas e processos é algo relativamente novo na minha rotina, e que se torna cada vez mais forte. Eu realmente tive que, mais uma vez, sair da minha zona de conforto para alcançar este nível de organização. Não é fácil para mim por não ser algo natural, mas eu entendo minha necessidade em utilizar este tipo de ferramenta no meu dia a dia, e só me beneficio disso. (Super madura!)

3- Menos Quantidade, Mais Qualidade

Este ítem também é um pouco óbvio (talvez todos sejam), mas houve uma época em que eu comprava muito pela oportunidade, já que nos EUA os produtos são muito baratos, e sempre deixava de pensar se aquilo realmente duraria, ou se havia necessidade de adquirí-lo, ou mesmo se era algo que eu realmente gostava. Não compro mais volume, e sim qualidade. Isso eu digo em relação a tudo, todo tipo de produto e até mesmo serviços. Não, não é questão de esbanjar além do que se deve, mas de tomar decisões mais inteligentes, realmente pesar o custo-benefício de cada coisa, não só no imediato, mas a médio e longo prazo também. Muitas vezes, o barato sai caro. Aprender isso pode mudar tudo – inclusive te ajudar a economizar dinheiro e/ou dores de cabeça.

4- Adeus, TV

Essa é ótima! Eu não assisto mais TV. Sim, assisto algumas séries e alguns filmes, mas não assisto mais nenhum programa de TV. Nem mesmo os noticiários! E que alívio isso dá. As informações chegam até nós já influenciadas pelos interesses daquela determinada emissora, muitas vezes confundem mais do que esclarecem. Eu não consigo mais simplesmente passar horas na frente da TV. Os seriados, por exemplo, me limito a um ou dois episódios por dia durante a semana. Muitas vezes, não assisto, não ligo a TV. De final de semana depende muito, mas no geral, aos domingos dedico mais tempo ao seriado da vez (porque só assisto um por vez, enquanto não termino um, não começo outro para não me apegar e perder a mão do tempo dispensado), principalmente no inverno, mas mesmo assim de maneira controlada. Não faço questão nenhuma de assistir TV.

5- Redes Sociais em Menor Escala

Logo eu, a Rainha do Curti-Compartilhei! Desde Setembro do ano passado eu desativei minha conta no Facebook, por inúmeros motivos. Tenho planos de fazer um post exclusivo sobre este assunto quando a “data da liberdade social” completar seis meses. Mas posso adiantar que só me beneficiei por tomar tal decisão. Eu, de verdade, realmente, não me interesso pelas opiniões, fantasias e falsa moral alheias. Eu tinha contato real com cerca de 30% dos meus contatos do Facebook. O resto, não que eu não me importasse, ficava feliz em saber que estavam bem, mas não havia motivo para dedicar horas do meu dia como espectadora de suas vidas. Não aguentava mais as cotucadas políticas e religiosas, não tolerava os julgamentos e as condenações, não queria fazer parte daquilo. Saí, me libertei, estou muito mais feliz assim.

6- Café Puro, Por Favor

Esse, sim, é um assunto assustadoramente incrível! Eu sou a “boleira” oficial da turma, sou a “fazedora oficial das sobremesas”, era a “devoradora do doce de leite”, a que não sabia dizer não ao açúcar, e que só tomava café – com adoçante, porque era ‘condizente’ haha! – em situações de extremo sono (depois daquele pratão de macarrão) ou de extremo frio (“Não tem chocolate quente?! Então vai um café…”). Só que, como você pode perceber, estimado leitor, eu mudei. Mudei como um todo. O todo, inclui meu paladar. E hoje tomo pelo menos dois cafés pretos, puros, por dia. Geralmente um pela manhã, e um logo após o almoço. Sou um verdadeiro orgulho à classe adulta.

7- Fiz as Pazes com o Dia

Essa aqui é interessante. Eu não sou, nunca fui, nem nunca serei uma pessoa diurna. Eu aprecio profundamente a madrugada. Se não fosse crente, viveria uma vida muito boêmia, porque a noite me faz bem. É de madrugada que eu trabalho melhor, produzo melhor, tenho minhas melhores ideias. Mas hoje, com mais de trinta, não seguro o rojão de trocar o dia pela noite como costumava fazer há uma década. Não dá. E o motivo é bem simples: eu me preocupo com a minha saúde. Trocar o dia pela noite faz mal e afeta a vida de quem precisa trabalhar, produzir e ter ideias durante o dia. Sim! Sou uma vendida ao sistema! Whatever. Amo meu trabalho, e graças a ele, fiz as pazes com o dia. Aliás, há anos sou uma pessoa extremamente regrada, que dorme antes das 22h e, independente da hora que foi dormir na noite anterior, não fica na cama depois das 8h, nem aos finais de semana (nem depois das raras noites boêmias…). Inclusive, por meses fui frequentadora do chamado ‘5 AM Club’, a turma que vai para a academia antes do sol nascer. Eu adoro ser a primeira a chegar no escritório, antes das 7h, e nestas duas primeiras horas de expediênte (antes do resto do pessoal chegar) é quando faço meu trabalho melhor, focada, totalmente comprometida, sem distrações. O que me leva ao próximo tópico…

8- Aprecio o Silêncio

A Gisele rebelde que ouve música no último volume como no início dos anos 2000 ainda vive em mim – e dá as caras toda semana. Mas eu, definitivamente, aprendi a apreciar o silêncio. Não falar com ninguém, não ter nenhum aparelho ligado, silenciar o telefone. Eu preciso de momentos assim, não todos os dias, mas todas as semanas. O silêncio revigora; ele nos dá a oportunidade de escutar nossas próprias ideias e ajuda a limpar o cérebro daquele acúmulo de sensações e emoções e informações juntados ao longo dos dias. É muito, muito bom. E útil. E necessário.

9- Vitaminas Sem Pular

Quando eu comecei a tomar anticoncepcional já era velha, e a médica, por hábito, me disse “Lembre-se de tomar sempre no mesmo horário, sem pular nenhum dia”. Eu balancei a cabeça que sim, enquanto ela me olhava, e depois de alguns segundos ela disse “Você não é do tipo que esquece, é? Não, não me parece que seja.” E ela estava certa. Nunca pulei um dia sequer. Aprendi a construir um sistema para me manter na linha, porque esta não é a minha natureza. Eu não sou uma pessoa consistente, nem organizada por natureza. Aprendi a ser. Deixei de tomar anticoncepcional. Há cerca de um ano venho trabalhando na minha suplementação – tomo Centrum para mulheres, Biotina para cabelo e unhas, Vitamina C, Vitamina D e Ferro. Nunca pulei um dia se quer. Eu definitivamente construí um sistema e não admito que ele falhe. Hoje, com mais de trinta anos nas costas, aprendi que quando me permito falhar onde devo ser consistente, abro brechas para falhar em muitas outras coisas. Talvez para algumas pessoas tomar vitaminas sem pular seja algo muito simples, ou tão difícil que considerem ‘desnecessário’. O que eu aprendi com isso, na verdade, não tem nada a ver com os suplementos, e sim comigo mesma, com o tipo de pessoa que eu sou. O simples ato de tomar minhas vitaminas todos os dias, sem pular, me ajuda a ficar firme em todas as outras áreas da minha vida que preciso ser consistente e que foge da minha natureza. Todos os dias, sem pular.

10- Economias Além do Porquinho

Não dá pra falar sobre a vida adulta sem falar sobre dinheiro. E eu aprendi que juntar dinheiro é muito, muito importante. Eu costumo dizer que os adolescentes sofrem da síndrome da imortalidade, porque eles não fazem a menor ideia de que um dia irão morrer. A morte não pertence ao universo das crianças e, em geral, e dos adolescentes. Alguns podem até compreender a dor da morte na perda, mas não assimilam esse fato às próprias vidas. Quando a gente fica mais velho, percebe que não é imortal. Percebe que as energias diminuem, e dão espaço para preocupações reais, como por exemplo: “O que será de mim quando eu ficar tão velha que não consiga mais trabalhar?”. Eu, Gisele, não me imagino aposentada. Deus permita que eu possa trabalhar muito por muitas décadas, mas POR GOSTO. Não quero trabalhar por necessidade. E a única maneira de concretizar este plano é começando a juntar dinheiro agora, seja através de investimento, aposentadoria privada, poupança, ou, idealmente, tudo isso junto. Quando a preocupação da vida começa a ser a terceira idade, é sinal de que você realmente amadureceu. Pode não ser a fruta mais madura do cesto, mas com certeza verde não é. Portanto, de todas as coisas compartilhadas neste post, se eu pudesse sugerir apenas uma, a mais importante, seria: guarde dinheiro, mas guarde como gente grande. (Logo em seguida estaria o café…puro!).

Espero que esse post sirva de alguma inspiração, nem que seja só pra você consiga pensar em coisas da sua vida que podem ser…melhoradas? Ajustadas? Evoluídas? Ou, simplesmente, mudadas!

Obrigada se leu até aqui. E tudo certo, também, se não leu (mas, nesse caso, você nunca saberá disso hahaha!).

Gi

O Erro

A manhã de hoje resumiu-se a um encadeamento de presepadas não esperadas que resultará em um post para este blog. Não apenas isto, mas também como uma série de mini-ações a serem tomadas por quem vos escreve – deste momento em diante.

É quase inacreditável como um único erro pode transformar a vida em uma enorme sucessão de más escolhas. Eu sabia que não deveria ter saído ontem a noite, e mesmo assim, saí. Supostamente, o erro.

Quando a gente tem um plano e não o segue, erro. Quando rola um sexto-sentido e a gente o ignora, erro. Quando a gente se propõe a tal coisa e abre mão dela, erro.

Eu saí com as amigas ontem para jantar, o que resultou em comer algo novo, o que resultou em uma ingestão de sódio maior, e uma diferença de +362g na balança. Também resultou em perder o horário de dormir (sim, isso existe na minha vida), significando que não consegui acordar no horário para treinar, não consegui arrumar minha cama antes de sair de casa, e o pior, pior, PIOR DE TUDO – pessoas do gênero feminino entenderão – não havia consenso no que vestir! Eu troquei de roupa três vezes, e saí de casa infeliz (má escolha de composição, saí com blusa, calça e botas pretas e um blazer verde musgo e azul marinho – que à meia-luz do meu closet me pareceu verde musgo e preto, ou seja, cheguei no trabalho e arranquei-o sem pensar duas vezes, maldito blazer verde musgo e azul marinho! Patético.) e minutos atrasada.

Cheguei no escritório às nove em ponto.

Então comecei a escrever, com o coração às palpitadas, brusco, pensando “gostaria poder começar o dia de hoje novamente”. Foi aí que percebi que ontem não usei o meu planner. Ele está aqui neste exato momento, me encarando com um pouco de raiva. Erro.

Não planejei, não escrevi, não segui meu próprio manual. Apenas agi por impulso e naturalidade e disse sim ao que achava que deveria e não ao que não me importava naquela hora. Seria este o erro?

Pensando friamente, ontem mesmo foi um dia anormal. E anteontem, no domingo, ainda mais estranho. Bom, se falarmos sobre o sábado que antecedeu e todas as horas que passei revendo videos e fotos sobre minha vida de antes, e mais um dilúvio de memórias e lembranças e do poço de nostalgia que me atirei, acho que dá pra achar que esse sim foi o erro. Ou talvez tenha sido algo ainda antes disso…? Provavelmente.

Erro, todos os dias. Este post com certeza foi um erro também. Posso simplesmente não publicá-lo, apagá-lo, fingir que nunca existiu. Mas que graça teria? Não tem graça não errar. Não tem graça não ser eu. Só que hoje, com a mistura preto – verde musgo – azul marinho eu tenho certeza absoluta que eu exagerei. Que erro…

Dois Mil e Dezoito

Em 1998 eu fiz as contas de quantos anos teria em 2018 – tinha toda minha vida planejada na ponta da língua. Decidi que seria juíza (porque queria ‘mandar’ nos advogados e em todas as pessoas ao meu redor, ser a respeitadíssima e temida Juíza Gisele Trimboli hahaha), casada, com flhos, morando em uma casa com muitos andares, muitas janelas, um cachorro grande e muito, muito rica (eu escolhia minhas futuras profissões criteriosamente, perguntando “Pai, quanto ganha um dentista? E um advogado? E um juíz?’. Super sensata e realista para uma jovem de 12 anos!).

E cá estou eu, com 95% dos meus planos totalmente invertidos hahahahaha! Mas feliz, feliz por ser dois mil e dezoito. A virada do ano foi ótima, alegre, saltitante e desajeitada. Tudo o que eu queria.

Queria também ter escrito algo mais cedo, não loooogo no dia 1º porque não dava (ocupada demais segurando o sofá pra baixo), mas no dia 2, onde tudo oficialmente começa.

E começa mesmo! Voltei aos meus exercícios e à vida 100% (err.. 99%) regrada, cumprindo todos os propósitos propositalmente propostos (ui!) incluindo – UM LIVRO!

Não, meus livros estão empacados. Zero inspiração. Mas comecei a primeira leitura do ano. Kristin Hannah, é claro! “As Cores da Vida”. O livro tem trezentas e poucas páginas e eu já li 175. Justificado o sumiço para quem trabalha integralmente e é dona de casa nas horas vagas, né?

Voltarei, em breve.

Que 2018 seja tudo aquilo que todo mundo quer que ele seja, pra mim, pra você, pra todo mundo!

Gi

Adeus, 2017

Quanto tempo!

E quantos posts começados, repensados, deletados nestes últimos meses. Eu poderia começar este last post of the year dizendo que está tudo bem, que eu continuo a mesma de sempre, indo e vindo e coisa e tal. Mas seriam inverdades.

Eu não sou mais a mesma desde Setembro. Não somente pelos vários quilos que eliminei do meu corpo, mas principalmente porque estou, como costumo descrever, em processo de desabrochamento.

Como todo bom e velho discurso de final de ano, preciso sintetizar 2017 em uma única frase, e no meu caso, salvo engano, 2017 resume-se a um belo “O que foi isso?”.

Eu nunca vivi tantas coisas boas e tantas coisas ruins em um ano só. Nunca me senti tão nômade, viajando como never before, e nunca me senti tão enraizada a um único lugar, a minha casa.

Não me lembro de ter conhecido – ou melhor – instituído tantos amigos como em 2017, e também não me lembro de nenhum outro ano em que sofri tanto por questões fraternas.

Acredito também que 2017 foi o primeiro grande ano no meu casamento, sem escandalizações ou hipocrisia, quem já casou alguma vez na vida – principalmente se conseguiu permanecer casado – sabe a dificuldade que é o início de um casamento. 2017 foi nosso quarto ano de casados, e finalmente posso acreditar que o casamento foi feito para a felicidade, e não angústia, dos seres humanos.

Este ano comecei agarrada na igreja, e terminei agarrada em Deus.

Um ano de absurdos políticos, crises econômicas, com mais corrupção, com discursos de xenofobia, diminuição da mulher, separação de raças, um ano em que milhares de idiotas saíram dos seus armários imundos e preconceituosos. Nunca me senti tão brasileira, em nenhum outro ano vivendo fora do Brasil. Nunca me senti mais forte e orgulhosa por ser mulher. Nunca estive mais atenta e empática ao alheio. O alheio, de fato, não existe – e tolos são os que acreditam nisso.

E, não poderia deixar de mencionar algo, no mínimo, inesperado – 2017 foi o ano que me tornei Facebook-free! Ou seja, desativei minha conta, desapeguei dos dramas particulares e da negatividade que aquela plataforma jorrava na minha cara logo pela manhã, todos os dias da semana, todas as semanas do mês, todos os meses dos últimos dez anos. Dez anos foi o tempo que levou para que um prazer tornasse-se um desgosto. Talvez esta tenha sido não a maior, mas a mais qualitativa de todas as decisões que tomei em 2017.

Que grande ano, 2017. O ano da minha iniciação em Star Wars. O ano em que passei a acreditar na Força e admirar os Jedi. Parece bobagem, mas só para quem não entende.

Me despeço de 2017 com muito alívio e muita gratidão. Costumo dizer que anos ímpares são sempre os mais difíceis para mim. Não é mitologia, crendice, superstição. É apenas o que é. Anos ímpares são, por algum motivo, muito desafiadores. São a dor muscular que se sente depois do exercício físico puxado – aquela dor necessária, que vem acompanhada do sentimento de missão cumprida. É isso.

Espero que as lições aprendidas neste ano sejam perpetuadas durante minha existência. Espero não esquecer o que vivi, porque tudo foi de muita importância.

A você que leu este texto, deixo toda minha gratidão. Se me acompanhou, seja lá por qual motivo, durante o ano de 2017, espero também ter agregado algo de bom à sua vida. Se não agreguei, peço então mais uma chance – deixo aqui a lista de todos os livros lidos por mim no ano de 2017:

1- Quando Você Voltar – Kristin Hannah

2- Eu Acho que Amo Você – Allison Pearson

3- A Melhor Coisa que Nunca Aconteceu na Minha Vida – Laura Tait

4- A Memória de Uma Amizade Eterna – Gail Caldwell

5- Desaparecida – Catherine McKenzie

6- O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wild

7- Mulheres Francesas Não Engordam – Mireille Guiliano

8- Sissi – A Imperatriz Solitária – Allison Pataki

9- 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo – Mo Daviau

10- Por Que Engordamos – Gary Taubes

11- Além da Esperança – Kristin Hannah

12- Barriga de Trigo – William Davis

13- Um Dia – David Nicholls

Um ótimo final de ano a todos!

Abraços,

Gisele

Conhecendo Madison, a Capital de Wisconsin – Parte II – Passeios Gastronômicos

Uma das minhas partes prediletas quando monto o roteiro de qualquer viagem é selecionar meus passeios gastronômicos, afinal, comer bem pode ser uma das melhores experiências de qualquer viagem.

Não foi nada difícil encontrar opções ótimas em Madison, por alguns motivos. Primeiro, como já comentado no post anterior, Madison é uma cidade universitária, ou seja, um prato cheio para restaurantes e bares que gostam de inovar e criar sem medo da rejeição de comunidades mais, digamos, conservadoras (para não dizer antiquadas).

Começamos pelo Gates & Brovi, um restaurante-bar que serve um cardápio especial de hambúrguers e sanduíches, e que conta com uma carta de cervejas artesanais mais do que completa. Começamos pela entrada deliciosa de cheese curds (Wisconsin!!!). De acordo com minha amiga Quézia “o melhor hamburguer já experimentado na vida!” – ela disse que dirigiria 3 horas só para comer aquele hambúrguer e depois voltar para casa. Eu concordo, a comida é uma delícia, o ambiente muito descontraído (e totalmente familiar durante o dia, mas acredito que menores não possam entrar depois das 22h), o serviço é muito bom e o preço bem justo (cerca de $15 por pessoa, com bebidas não alcoólicas).








Fomos também conhecer o restaurante belga Brasserie V – de todos, o que eu estava mais animada, e foi outra experiência muito boa. Pedimos uma tábua de queijos de entrada, afinal, estando em Wisconsin não tinha como não provar queijos deliciosos, e eu me joguei no meu croque monsieur (puro amor), que na verdade sogreu um upgrade com um ovo frito, tornando-se então um belíssimo croque madame, com uma taça de vinho branco. O prato mais caro do Brasserie V é o pato, que custa $20, ou seja, um restaurante de muita qualidade e que super vale a pena. O ambiente é muito aconchegante, com uma decoração que remete mesmo a Europa, só que sem nuvens de fumaça de cigarro sobre as nossas cabeças (ufa!).





Outro lugar que foi muito bem avaliado internet afora e que fomos almoçar foi um pub chamado The Coopers Tavern – que infelizmente eu esqueci de tirar fotos, por isso estou usando uma do site deles, porque o lugar é super descontraído (um pub, né Gisele?!?), bem em frente ao Capitólio, super movimentado, realmente, um lugar ‘descolado’. A Quézia e o Danilo pediram uma entrada de fritas com queijo derretido (Wisconsin!!!) e gravy, e nós pedimos um pretzel com molho de queijo (Wisconsin!!!) com cerveja artesanal, uma delícia. Depois pedimos sliders (eu pedi, são três mini-hamburgueres com queijo gruyère), sanduíches e hambúrgueres do tamanho convencional. A média de preço segue a mesma dos outros lugares.





O restaurante mais legal e aprovado por nós quatro na viagem foi onde tivemos nosso último jantar, o Eno Vino Bar & Bistro. O lugar, apesar de ter sido o mais sofisticado de todos, foi curiosamente o mais acolhedor também. Chegamos lá por volta das 22h e eles não serviam mais o menu completo do jantar, apenas o menu do bar – que foi sensacional. Quézia e eu provamos seis tipos diferentes de bruschetta, uma mais diferente e maravilhosa que a outra, o Josh pediu uma pizza brotinho espetacular, e o Danilo pediu um prato de pasteizinhos de atum no estilo asiático. No final, pedimos uma sobremesa (que era para ter sido fondue, mas infelizmente eles estavam sold out), então nossa super simpática garçonete nos sugeriu o bread pudding com sorvete de caramelo salgado e nós acatamos. No final, com as bebidas, tudo ficou por cerca de $25 por pessoa. Eu pretendo voltar no Eno Vino, vale a pena, o lugar é realmente fantástico.







Entre sorvetes em downtown e cheesecakes na feirinha do centro, encontramos duas lojas de chocolates que não poderiam ficar de fora deste post.

A primeira delas, a Madison Chocolate Company, simplesmente encantadora, de chocolates artesanais, e o melhor de tudo, todos os produtos são 100% gluten free! Isso para mim significa algo especial, porque minha melhor amiga é celíaca, e eu sei muito bem como é difícil encontrar lugares onde celíacos ou pessoas com outras doenças crônicas potencializadas pela ingestão de glúten (como é o caso da dona dessa loja, eu conversei com ela) sintam-se totalmente seguros em comer algo sem o medo de intoxicação através de contaminação cruzada. O chocolate de lá é incrível, e ela fabrica tudo lá mesmo. Os sabores variam dos mais convencionais, como trufas e bombons recheados, como sabores exóticos, como uma trufa de manjericão que nós provamos. O preço, obviamente, é mais alto do que a média, mas a experiência é incrível, e dar apoio a pequenos negócios como este fazem toda diferença. O chocolate é de extrema qualidade, e o atendimento é muito, muito acima da média (além do lugar ser uma graça).


A segunda e última loja de chocolates é a Kilwins, que fica bem próxima ao Capitólio, na beiradinha de downtown Madison. Essa loja é daquelas que o aroma se espalha pela rua, convidativo de uma maneira quase provocadora. Irresistível. O conceito desta loja é diferente, porque é uma franquia de uma rede espalhada por todo o país. Mas isso não diminui sua mágica. A loja é linda, os chocolates tem o aspecto mais artesanal, assim como os sorvetes vendidos lá (Josh comeu um sabor cheesecake, todos são de massa), os detalhes das embalagens, a vitrine, os funcionários e o atendimento, tudo muito charmoso. O preço é bem mais camarada também, e eu ataquei quatro ou cinco tipos de doces com chocolate branco (o único que eu realmente gosto). Algumas das atrocidades encontradas nessa loja incluem: oreos cobertos com chocolate, pretzels cobertos com chocolate, barras e mais barras de fudge em pedaços de diversos sabores, todos os tipos de trufas, bombons e barrinhas, e claro, os sorvetes. Sim, vale a pena.


Então é isso, um resumo dos quilos adquiridos no feriado em um único post. Ah! Não falei do café da manhã porque comemos no hotel (incluso), mas essa parte vocês já podem imaginar, né?

Madison, se você não for até lá pela sua beleza, vá pela sua comida.

Gi

Conhecendo Madison, a Capital de Wisconsin – Parte I

Na segunda-feira comemoramos o Labor Day aqui nos EUA, feriado do Dia do Trabalho, que nos deu a oportunidade de tirar umas “mini-férias” e ir até nosso estado vizinho, Wisconsin, conhecer a cidade de Madison, sua capital. 

Pegamos a estrada no sábado de manhã e em menos de três horas chegamos ao nosso destino. A estrada estava linda, muito verde, com muitas plantações e muitos pastos – Wisconsin é um estado fortíssimo na pecuária e conhecido pela fabricação de excelentes queijos (é como Minas Gerais nesse sentido).


Madison é uma cidade universitária com cerca de 250 mil habitantes. Ela é famosa pelos seus grandes lagos, sendo o maior deles o Lake Mendota, que durante o verão fica incrivelmente agitado com barcos de esporte e de lazer, emoldurado por banhistas que aproveitam a areia fofa e pantanosa para colocar o bronzeado em dia nas pequenas praias espalhadas por toda sua margem.




Durante o final de semana, tivemos a companhia de nossos queridos amigos Quézia e Danilo, e exploramos juntos vários pontos da cidade, a começar pelo Capitólio, sede do gabinete do Governador de Wisconsin. Aos finais de semana existe uma feirinha que acontece na praça do Capitólio, com muitas barracas de comidas e artesanato, também com palcos distintos com bandas ao vivo que tocam o dia todo. Passamos pela feirinha e seguimos direto ao Capitólio, um verdadeiro monumento de tão bonito. Não precisamos pagar nada para entrar, e pudemos subir até o terraço, onde nos deparamos com uma vista linda. Como estava um dia frio, chuvoso e nublado, não aguentamos ficar lá no topo por muito tempo, mas valeu a pena.









A poucos metros do Capitólio fica o centro da cidade, uma área muito charmosa, repleta de restaurantes, lojas e museus. Visitamos o Madison Museum of Contemporary Art que também é gratuito, e foi fantástico, principalmente porque algumas obras do Andy Warhol pertencem ao seu acervo. 









Domingo foi o dia de mais andanças – de acordo com o fit bit da Quézia, andamos cerca de 13 mil passos (por isso não ficamos com peso na consciência após nossas refeições! Conto sobre os restaurantes no próximo post), passamos a manhã toda visitando o Zoo de Madison e a tarde fomos conhecer a Governor’s Island, ambos passeios também gratuitos.

O zoológico opera através de doações e trabalho voluntário, e também pela sua recheada lojinha de souveniers. Os animais estavam visivelmente bem cuidados, e alguns deles foram um show a parte (uma girafa se esguelando para alcançar os galhos de uma árvore, o rinoceronte brincando com um tronco enorme, depois trotando feliz em direção à sua cuidadora que trazia comida, a família de Leões tomando sol, todos juntos, o urso polar adubando o solo na nossa cara, e até mesmo uma tartaruguinha fugitiva… Sem contar os exibidos flamingos e as topeiras de gritos escandalosos. Eu sei que é triste ver animais enjaulados, mas estes todos já nasceram em cativeiro, não sobreviveram à natureza, e realmente estavam bem cuidados.)









Na Governor’s Island fizemos uma “trilha” (leia-se: demos uma volta toda na ilha seguindo o caminho pré-determinado para pessoas nada aventureiras e totalmente inexperientes como nós), que não era muito longa, na verdade, mas que é muito bonita, com vista para o Lake Mendota, formando um balão, e a determinada altura da trilha você consegue avistar o centro de Madison, inclusive o Capitólio. 







Na segunda-feira, convenci meu marido (como boa geminiana que sou) a me levar ao shopping (como boa paulista que sou), de West Towne Mall, onde pude ir, fisicamente, às compras na H&M (como aqui onde eu moro, apesar de ser uma área metropolitana com cerca de meio milhão de habitantes, não tem H&M e eu só compro pela internet). Me diverti por alguns minutos (pergunte ao meu marido e ele lhe dirá que foram algumas horas, mas o tempo é subjetivo e questão de perspectiva!) e fiz ótimas compras. 



Achei Madison uma cidade encantadora, honestamente, muito parecida com Iowa City, só que bem maior e mais movimentada. O povo de Wisconsin também me lembra muito o povo de Iowa, muito educados, prestativos e gentis. 

Vale a pena conhecer Madison. Daqui a pouco volto para contar sobre a comida.

Gi.