Nós Somos Bicho

Eu não sou muito de ir em médico pra coisa nenhuma, mas lembro bem dos médicos que cuidaram de mim durante toda a infância. Eu nasci e cresci em São Paulo, um estado que teve a sorte de receber muitos imigrantes japoneses. Ambos, Dra. Yvete, minha pediatra, e Dr. Mario Yamashita, meu otorrino, eram japoneses.

Lembro de um episódio desses ‘clássicos da infância’ em que tive um tipo qualquer de virose. Devia ter por volta de 8 anos de idade e, naquela época, eu ainda não era muito boa de prato. Nunca fui uma criança obesa, mas também nunca fui magrela. Era, como sempre ouvi, ‘normal’. E neste episódio, mamãe me levou à clínica da Dra. Yvete. Ah! Como tudo era mais simples e despretencioso naquela época.

A Dra. Yvete me receitou um remédio de gosto horroroso, mas de uma coloração tão, mas tão rosa-choque, que eu conseguia até ficar feliz em ter que tomá-lo. Era o remédio (líquido, por sinal) cor-de-rosa mais fosforescente que você pode imaginar. Acompanhadas do remédio, as seguintes recomendações: “Comida: fria. Não tem fome, não come. Gelatina e Coca-Cola, a hora que quiser.” Eu sarei. 

Depois de alguns anos, foi o consultório do Dr. Yamashita o que eu mais frequentei. Foi a fase das intermináveis dores de ouvido e dores de garganta que toda criança passa. Naquela época, já acompanhada da Letícia (minha irmã, caçula). Eu ficava impressionada com a precisão do Dr. Yamashita e com tudo naquele lugar. Até hoje, lembro exatamente da sala de espera e do consultório que era dividido em duas partes, uma com sua escrivaninha, e a outra com a maca e as luminárias que brilhavam e ardiam os olhos apontadas para a nossa cara. Era demais.

O Dr. Mario Yamashita, imagino, já conseguia, naquala época, detectar os meus primeiros sinais de obesidade pré-adolescente (dos onze aos treze anos eu estive bem acima do peso) – bem como o total desinteresse da minha irmã pela comida, no geral. Éramos, naquela época, dois pequenos opostos de ‘fim de infância/início de puberdade’ e ‘fim de desfralde/início de autonomia infantil’. Eu não tinha o menor problema com a comida, minha irmã tinha quase todos.

Meu otorrino era um médico de poucas e sábias palavras. Quisera tê-lo ouvido naquela época, pois teria me poupado de tantos problemas… Ele dizia o seguinte: “Observe a natureza. Os animais bebem água. Os animais comem planta. Os animais comem fruta. Outros, comem carne. Bicho não bebe leite. Bicho não bebe suco. Bicho não bebe refrigerante. Bicho não come açúcar. Nós somos bicho. Temos que comer e beber como bicho.”

Tudo, tudo o que eu levei uma vida toda para entender, simplesmente explicado em pouquíssimas frases pelo médico que cuidou de mim ainda tão nova. Aquele homem, que já era um senhor naquela época, não era necessariamente um visionário (se pensarmos na era paleo/low carb que vivemos atualmente) – ele era prático, simples, era, na verdade, muito óbvio! Ele, meu querido otorrino, Dr. Mario Yamashita, estava certo o tempo todo.

A medicina evoluiu, as doenças também. Ou vice-versa. Acho que uma coisa puxa a outra, na verdade. Mas quase ninguém pensa ou enxerga as indústrias alimentícias e farmacêuticas como o que elas realmente são: máquinas de dinheiro. Primeiro, eles nos entopem com tudo o que nos prejudica, e depois tentam nos consertar com produtos químicos de todos os tipos. Isso é contra a nossa natureza. “Nós somos bicho.”

Hoje quando chegar em casa, faça um exercício. Abra sua dispensa e sua geladeira e procure tudo o que é processado. Adoçante químico é algo que não existe na natureza. É como plástico. Cada vez que você ingere qualquer adoçante químico, é como se estivesse comendo um pedaço de tupperware. Como isso pode ser bom? Como podemos beber líquidos que não conseguimos se quer detectar do que são compostos? Como isso não é assustador?

Eu não quero soar hipócrita. Não quero mesmo. Mas há uma venda enorme caindo dos meus olhos por estes tempos, e é chocante. A realidade é chocante. Precisamos pensar que nossos corpos não são compactadoras de lixo. Não foi assim que Deus nos criou. Temos que cuidar bem dele, é tudo o que nos resta. 

Desejo a você uma vida mais consciênte, com escolhas que apenas te façam bem. Lembre-se do que o Dr. Yamashita dizia. Nos somos bicho – mas precisamos ser mais racionais. É a nossa condição.

É isso.

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O Que Vale

Há exatamente um ano minha melhor amiga foi diagnosticada com a doença celíaca. Há exatamente um ano, as nossas vidas mudaram completamente.

Não vou escrever sobre isso. Mas vou escrever ao redor disso.

Quantas vezes você se deparou com mudanças radicais em sua vida? De onde elas vieram? Por que aconteceram? Foram escolhas? Foram consequências? Foram riscos tomados? Foram resultados? Até que ponto temos o controle do que nos acontece? Até onde devemos nos cobrar ou nos forçar?

São muitas perguntas, provavelmente ninguém tenha uma resposta concreta a todas elas. Acho que tudo bem, pois eu muito menos.

O que eu sei é que quanto mais o tempo passa, mais temos a possibilidade de desvendar pequenos mistérios sobre a nossa própria existência. Imagine que a sua vida é um longo labirinto, não necessariamente assustador, não absolutamente enigmático, não completamente confuso. Apenas um labirinto, com portas e janelas, e que conforme você caminha, pé ante pé, as portas e janelas se abrem, e você consegue enxergar o que há do outro lado. Acho que a maturidade acontece assim. Talvez este seja o significado da frase “eu sei porque já passei por isso”. Talvez muitas das janelas e portas se repitam, em proporções e momentos distintos, nas vidas de todos nós.

O que importa, afinal, é entender que o labirinto deve ser percorrido. Você pode até parar aqui ou ali, para tomar um ar, observar uma paisagem, quem sabe até fazer um picnic, tirar uma soneca. Mas no final, seguirá em frente. 

Se você sofre, por exemplo, com a ansiedade ou com a depressão, insista na idéia do labirinto. Pensar muito nos caminhos que você já percorreu, ser obcecado pela trilha que ficou para trás, nada mais é do que a depressão. Se preocupar ao extremo com o caminho à frente, questionar demais as portas e janelas, não conseguir alcançar a tranquilidade pensando em quantos passos mais você terá que percorrer, nada mais é do que a ansiedade. Nem o passado, nem o futuro devem prendê-lo ao presente. O que foi, foi. O que virá, virá. Ter desapego e ter paciência é o que vale.

No caminho, cada experiência é uma oportunidade de crescimento, mas nenhuma delas, boa ou ruim, é o veredito final do quanto vale a sua vida. Apenas recolha os ensinamentos, descarte os maus sentimentos, e cuide para não tropeçar de novo nos mesmos erros. 

Falar é fácil, mas viver tudo isso é muito complexo – e eu sei bem. Talvez você tenha recebido uma notícia muito difícil hoje. Talvez você esteja frente a frente com uma porta em seu labirinto que acaba de ser aberta e revelar a você uma caminhada de dificuldades. Não desanime. Outras janelas e portas virão, tenha certeza disso. Os caminhos de dificuldade o tornarão mais forte, mais consciente, mais assertivo.

O que vale é o que se vive, não há destino final, há apenas uma jornada. Portanto, respire, reflita, e foque suas energias no presente. O presente é o que vale. 

Força.

Arrume a Casa

Não quero soar dramática, mas acontece. Acontece que por vezes, ao longo da vida – e eu com meus longos trinta e um anos de idade posso afirmar com toda propriedade – a gente acaba agindo errado e estragando alguns dos relacionamentos com as pessoas mais importantes que passarão por ela. 

É, eu sei bem. Tinha um amigo que foi a pessoa mais importante de todas para mim desde antes de mudar para os EUA, sentimento que se intensificou ainda mais depois que me mudei, pois ele, um ano antes, havia passado por esta mesmíssima mudança. 

Lembro que foi ele que me ajudou inúmeras vezes com os deveres de casa das aulas de inglês da faculdade, foi ele que me ensinou palavras importantíssimas de saber na sociedade americana, como por exemplo straw, napkins e também expressões fundamentais como “I hope you feel better soon”. Eu não falava uma palavra em inglês, e ele, com seu enorme coração, não negou em momento algum em me apontar o caminho das pedras. Por vezes, segurou na minha mão e me ajudou a caminhar.

Passávamos horas conversando de madrugada ainda pelo velho Nextel, um confortando o outro sobre a saudade de casa, sobre as descobertas do mundo novo, sobre os medos do futuro. Eu falava do meu cachorro, e ele me contava de todos os seus bichos de estimação, todos eles deixados no Brasil. 

Nós também ríamos muito fazendo graça das pessoas que conviviam com a gente naquele momento, reclamando dos nossos até então sub-empregos, falando mal dos brasileiros que chegavam na América e, de repente, começavam a agir como se pertencessem a algum tipo de família imperial (aposto que isso não mudou!). 

Ele foi meu maior conselheiro, ele me ouviu todas as vezes em que eu me deprimi, pensando em tudo o que eu havia deixado para trás. Ele foi o primeiro amigo a me visitar, e o primeiro que eu visitei, porque infelizmente vivemos a algumas horas de avião um do outro (males de terras largas).

No meio do caminho, coisas aconteceram. Comigo, com ele, a vida aconteceu. Talvez pela confusão interna que eu vivia, e pelo turbilhão de sentimentos que ele vivia, não soubemos lidar com essa nuvem negra que pairou sobre as nossas cabeças, ficando lá estacionada por alguns meses, quem sabe até anos.

Se eu fosse contar aqui tudo o que este amigo e eu já vivemos juntos, poderia começar um terceiro livro. Mas não teria coragem de escrever um livro sem final. Porque hoje, este livro não teria um final. Eu me recuso a pensar que uma amizade que significa tanto esteja como está.

Essa história de cada um no seu canto é mesmo muito triste. Ultimamente tenho pensado muito a respeito disso. Quantas pessoas importantes eu magoei por conta de um dos meus recolhimentos emocionais? Não, não quero mais que isso aconteça.

Se a história de hoje fizer qualquer sentido, cabe então uma conclusão. Não deixe de resolver suas pendências com as pessoas que você ama. Na amizade, no amor, na relação pais e filhos e na relação fraterna, o amor é sempre o mais importante, mas não é o que sustenta. Não é o amor que sustenta os relacionamentos, é o modo de se relacionar que sustenta o amor.

Eu errei com meu amigo, e demorei para aprender com meu erro. Na verdade, repeti o erro com outra pessoa, o me vi na mesma situação outra vez. Fiquei um pouco chocada com a minha própria burrice e insensibilidade. Matutei sobre isso tantas vezes nos ultimos dias que até pensei em fazer uma lista com os nomes de todas as pessoas que eu mandei para o meu exílio emocional, o “vale dos sem Gisele”. Isso me deixou com um certo receio e uma ponta de ansiedade, então desisti.

Mas neste longo caminho que é a vida, ao mesmo tempo tão curto, não quero deixar de acreditar em segundas chances. Não quero deixar de acreditar na força do perdão. Não quero abrir mão de tudo o que eu vivi com quem certamente ainda faz tanta diferença na minha vida.

Não é bom seguir em frente e ignorar o que está fora do lugar. Arrume a casa, arrume seu coração. Eu estou, em doses homeopáticas, tentando fazer o mesmo por aqui.

Força.

Conhecendo Madison, a Capital de Wisconsin – Parte II – Passeios Gastronômicos

Uma das minhas partes prediletas quando monto o roteiro de qualquer viagem é selecionar meus passeios gastronômicos, afinal, comer bem pode ser uma das melhores experiências de qualquer viagem.

Não foi nada difícil encontrar opções ótimas em Madison, por alguns motivos. Primeiro, como já comentado no post anterior, Madison é uma cidade universitária, ou seja, um prato cheio para restaurantes e bares que gostam de inovar e criar sem medo da rejeição de comunidades mais, digamos, conservadoras (para não dizer antiquadas).

Começamos pelo Gates & Brovi, um restaurante-bar que serve um cardápio especial de hambúrguers e sanduíches, e que conta com uma carta de cervejas artesanais mais do que completa. Começamos pela entrada deliciosa de cheese curds (Wisconsin!!!). De acordo com minha amiga Quézia “o melhor hamburguer já experimentado na vida!” – ela disse que dirigiria 3 horas só para comer aquele hambúrguer e depois voltar para casa. Eu concordo, a comida é uma delícia, o ambiente muito descontraído (e totalmente familiar durante o dia, mas acredito que menores não possam entrar depois das 22h), o serviço é muito bom e o preço bem justo (cerca de $15 por pessoa, com bebidas não alcoólicas).








Fomos também conhecer o restaurante belga Brasserie V – de todos, o que eu estava mais animada, e foi outra experiência muito boa. Pedimos uma tábua de queijos de entrada, afinal, estando em Wisconsin não tinha como não provar queijos deliciosos, e eu me joguei no meu croque monsieur (puro amor), que na verdade sogreu um upgrade com um ovo frito, tornando-se então um belíssimo croque madame, com uma taça de vinho branco. O prato mais caro do Brasserie V é o pato, que custa $20, ou seja, um restaurante de muita qualidade e que super vale a pena. O ambiente é muito aconchegante, com uma decoração que remete mesmo a Europa, só que sem nuvens de fumaça de cigarro sobre as nossas cabeças (ufa!).





Outro lugar que foi muito bem avaliado internet afora e que fomos almoçar foi um pub chamado The Coopers Tavern – que infelizmente eu esqueci de tirar fotos, por isso estou usando uma do site deles, porque o lugar é super descontraído (um pub, né Gisele?!?), bem em frente ao Capitólio, super movimentado, realmente, um lugar ‘descolado’. A Quézia e o Danilo pediram uma entrada de fritas com queijo derretido (Wisconsin!!!) e gravy, e nós pedimos um pretzel com molho de queijo (Wisconsin!!!) com cerveja artesanal, uma delícia. Depois pedimos sliders (eu pedi, são três mini-hamburgueres com queijo gruyère), sanduíches e hambúrgueres do tamanho convencional. A média de preço segue a mesma dos outros lugares.





O restaurante mais legal e aprovado por nós quatro na viagem foi onde tivemos nosso último jantar, o Eno Vino Bar & Bistro. O lugar, apesar de ter sido o mais sofisticado de todos, foi curiosamente o mais acolhedor também. Chegamos lá por volta das 22h e eles não serviam mais o menu completo do jantar, apenas o menu do bar – que foi sensacional. Quézia e eu provamos seis tipos diferentes de bruschetta, uma mais diferente e maravilhosa que a outra, o Josh pediu uma pizza brotinho espetacular, e o Danilo pediu um prato de pasteizinhos de atum no estilo asiático. No final, pedimos uma sobremesa (que era para ter sido fondue, mas infelizmente eles estavam sold out), então nossa super simpática garçonete nos sugeriu o bread pudding com sorvete de caramelo salgado e nós acatamos. No final, com as bebidas, tudo ficou por cerca de $25 por pessoa. Eu pretendo voltar no Eno Vino, vale a pena, o lugar é realmente fantástico.







Entre sorvetes em downtown e cheesecakes na feirinha do centro, encontramos duas lojas de chocolates que não poderiam ficar de fora deste post.

A primeira delas, a Madison Chocolate Company, simplesmente encantadora, de chocolates artesanais, e o melhor de tudo, todos os produtos são 100% gluten free! Isso para mim significa algo especial, porque minha melhor amiga é celíaca, e eu sei muito bem como é difícil encontrar lugares onde celíacos ou pessoas com outras doenças crônicas potencializadas pela ingestão de glúten (como é o caso da dona dessa loja, eu conversei com ela) sintam-se totalmente seguros em comer algo sem o medo de intoxicação através de contaminação cruzada. O chocolate de lá é incrível, e ela fabrica tudo lá mesmo. Os sabores variam dos mais convencionais, como trufas e bombons recheados, como sabores exóticos, como uma trufa de manjericão que nós provamos. O preço, obviamente, é mais alto do que a média, mas a experiência é incrível, e dar apoio a pequenos negócios como este fazem toda diferença. O chocolate é de extrema qualidade, e o atendimento é muito, muito acima da média (além do lugar ser uma graça).


A segunda e última loja de chocolates é a Kilwins, que fica bem próxima ao Capitólio, na beiradinha de downtown Madison. Essa loja é daquelas que o aroma se espalha pela rua, convidativo de uma maneira quase provocadora. Irresistível. O conceito desta loja é diferente, porque é uma franquia de uma rede espalhada por todo o país. Mas isso não diminui sua mágica. A loja é linda, os chocolates tem o aspecto mais artesanal, assim como os sorvetes vendidos lá (Josh comeu um sabor cheesecake, todos são de massa), os detalhes das embalagens, a vitrine, os funcionários e o atendimento, tudo muito charmoso. O preço é bem mais camarada também, e eu ataquei quatro ou cinco tipos de doces com chocolate branco (o único que eu realmente gosto). Algumas das atrocidades encontradas nessa loja incluem: oreos cobertos com chocolate, pretzels cobertos com chocolate, barras e mais barras de fudge em pedaços de diversos sabores, todos os tipos de trufas, bombons e barrinhas, e claro, os sorvetes. Sim, vale a pena.


Então é isso, um resumo dos quilos adquiridos no feriado em um único post. Ah! Não falei do café da manhã porque comemos no hotel (incluso), mas essa parte vocês já podem imaginar, né?

Madison, se você não for até lá pela sua beleza, vá pela sua comida.

Gi

Conhecendo Madison, a Capital de Wisconsin – Parte I

Na segunda-feira comemoramos o Labor Day aqui nos EUA, feriado do Dia do Trabalho, que nos deu a oportunidade de tirar umas “mini-férias” e ir até nosso estado vizinho, Wisconsin, conhecer a cidade de Madison, sua capital. 

Pegamos a estrada no sábado de manhã e em menos de três horas chegamos ao nosso destino. A estrada estava linda, muito verde, com muitas plantações e muitos pastos – Wisconsin é um estado fortíssimo na pecuária e conhecido pela fabricação de excelentes queijos (é como Minas Gerais nesse sentido).


Madison é uma cidade universitária com cerca de 250 mil habitantes. Ela é famosa pelos seus grandes lagos, sendo o maior deles o Lake Mendota, que durante o verão fica incrivelmente agitado com barcos de esporte e de lazer, emoldurado por banhistas que aproveitam a areia fofa e pantanosa para colocar o bronzeado em dia nas pequenas praias espalhadas por toda sua margem.




Durante o final de semana, tivemos a companhia de nossos queridos amigos Quézia e Danilo, e exploramos juntos vários pontos da cidade, a começar pelo Capitólio, sede do gabinete do Governador de Wisconsin. Aos finais de semana existe uma feirinha que acontece na praça do Capitólio, com muitas barracas de comidas e artesanato, também com palcos distintos com bandas ao vivo que tocam o dia todo. Passamos pela feirinha e seguimos direto ao Capitólio, um verdadeiro monumento de tão bonito. Não precisamos pagar nada para entrar, e pudemos subir até o terraço, onde nos deparamos com uma vista linda. Como estava um dia frio, chuvoso e nublado, não aguentamos ficar lá no topo por muito tempo, mas valeu a pena.









A poucos metros do Capitólio fica o centro da cidade, uma área muito charmosa, repleta de restaurantes, lojas e museus. Visitamos o Madison Museum of Contemporary Art que também é gratuito, e foi fantástico, principalmente porque algumas obras do Andy Warhol pertencem ao seu acervo. 









Domingo foi o dia de mais andanças – de acordo com o fit bit da Quézia, andamos cerca de 13 mil passos (por isso não ficamos com peso na consciência após nossas refeições! Conto sobre os restaurantes no próximo post), passamos a manhã toda visitando o Zoo de Madison e a tarde fomos conhecer a Governor’s Island, ambos passeios também gratuitos.

O zoológico opera através de doações e trabalho voluntário, e também pela sua recheada lojinha de souveniers. Os animais estavam visivelmente bem cuidados, e alguns deles foram um show a parte (uma girafa se esguelando para alcançar os galhos de uma árvore, o rinoceronte brincando com um tronco enorme, depois trotando feliz em direção à sua cuidadora que trazia comida, a família de Leões tomando sol, todos juntos, o urso polar adubando o solo na nossa cara, e até mesmo uma tartaruguinha fugitiva… Sem contar os exibidos flamingos e as topeiras de gritos escandalosos. Eu sei que é triste ver animais enjaulados, mas estes todos já nasceram em cativeiro, não sobreviveram à natureza, e realmente estavam bem cuidados.)









Na Governor’s Island fizemos uma “trilha” (leia-se: demos uma volta toda na ilha seguindo o caminho pré-determinado para pessoas nada aventureiras e totalmente inexperientes como nós), que não era muito longa, na verdade, mas que é muito bonita, com vista para o Lake Mendota, formando um balão, e a determinada altura da trilha você consegue avistar o centro de Madison, inclusive o Capitólio. 







Na segunda-feira, convenci meu marido (como boa geminiana que sou) a me levar ao shopping (como boa paulista que sou), de West Towne Mall, onde pude ir, fisicamente, às compras na H&M (como aqui onde eu moro, apesar de ser uma área metropolitana com cerca de meio milhão de habitantes, não tem H&M e eu só compro pela internet). Me diverti por alguns minutos (pergunte ao meu marido e ele lhe dirá que foram algumas horas, mas o tempo é subjetivo e questão de perspectiva!) e fiz ótimas compras. 



Achei Madison uma cidade encantadora, honestamente, muito parecida com Iowa City, só que bem maior e mais movimentada. O povo de Wisconsin também me lembra muito o povo de Iowa, muito educados, prestativos e gentis. 

Vale a pena conhecer Madison. Daqui a pouco volto para contar sobre a comida.

Gi.

Pane no Universo Rosa Choque

Eu escrevo porque escrever me ajuda. Esse é o único motivo. Eu publico o que escrevo porque tenho a esperança de que isso pode ajudar mais alguém, assim como ler também me ajuda.

Por isso estou aqui, em um dia particularmente difícil, escrevendo.

Eu poderia começar este texto reclamando da vida, colocando os meus demônios pra fora, mas não vou. Não é certo, nem necessário, e nem ajudaria ninguém que viesse a passar os olhos pelas minhas palavras (talvez alguém que se sentisse como eu me sinto agora, mas honestamente, não desejo isso a ninguém), de modo que escreverei a respeito de muitas outras coisas, menos sobre o dia de hoje.

Você já sentiu alguma vez que todas as suas perspectivas e pontos de vista são exatamente o oposto do que deveriam ser? Poderia citar a política, por exemplo, e como tudo o que acreditamos que é o certo, na verdade é o errado, e vice-versa. Não, não estou falando sobre corrupção, estou falando sobre política. Veja bem, conectar política e corrupção automaticamente já pode ser, por sí, uma perspectiva errada. Talvez, num mundo totalmente abstrato, seja essa conexão já pressuposta a brecha que o universo precisa para que a corrupção seja integrada à política. Como um efeito-dominó misturado com um efeito-borboleta.

É como se as nossas presunções e pressuposições e perspectivas e pontos de vista e expectativas e discernimentos fossem tão absolutamente poderosos que pudessem, de fato, causar algum impacto no universo. É a força da mente, é a nossa percepção da realidade, do mundo real, do universo, do mundo abstrato.

Eu sempre achei que o que meus olhos viam, meus ouvidos ouviam e minha cabeça raciocinava eram um resultado da correlação do que vem de fora para dentro. Na verdade, não é assim.

Tudo o que eu vejo, ouço, raciocino, tudo o que eu experimento, vem de dentro pra fora. É uma realidade erguida pelas minhas próprias perspectivas. Ou seja, simplesmente não é a realidade.

As pessoas tem, assim como eu, uma enorme dificuldade em aceitar as diferenças uns dos outros, em aceitar as mudanças, em compreender o novo, simplesmente porque se deparam com algum tipo de realidade unilateral. Sua perspectiva se choca contra esta realidade. De repente, nada mais faz sentido.

Aí é que está a chave de tudo. Em tudo na vida, tudo mesmo, temos apenas duas opções. Ignorar a realidade, ou ignorar nossas perspectivas. Se a opção é ignorar a realidade, então teremos à frente uma vida cheia de surpresas, boas e más. Se a opção é ignorar nossas perspectivas, então teremos à frente uma vida cheia de frustrações.

Já cansei de me chocar com a realidade. O universo rosa-choque estúpido que eu acreditava não existe. Eu sabia disso, por conta de uma ou outra situação, mas restava um fundo de esperança. O que posso fazer? Ignorar a realidade? Talvez. Ignorar minhas perspectivas? Talvez.

O que importa, no final, é o auto-controle. Se tantas coisas deixaram de fazer sentido, melhor focar no auto-controle. Respiração, meditação, fé. Não pensar no passado, nem no futuro. Auto-controle, no presente.

A realidade existe. Suas perspectivas também. O objetivo é conseguir alinhá-las, dia a dia, uma coisa por vez.

Sigamos em frente.

Na Jornada da Perda de Peso, Conte Somente com Você

Esta semana completei mais um ciclo de cinco dias seguidos de academia. Me comprometi a me exercitar todos os dias úteis da semana, entre 45 e 60 minutos por dia, por um período indeterminado. O objetivo é fazer com que meu corpo se acostume ao máximo a praticar atividades físicas a ponto de me enviar sinais de cobrança nos dias em que eu não me exercitar. O meu objetivo maior, na realidade, é ter uma vida adulta com muita saúde, agora e durante a terceira idade.

“Mas Gisele, você só tem 31 anos, não é um pouco de exagero pensar na terceira idade assim?” – no meu caso e na minha opinião, não. Nem todos podemos ser filhos e netos de grandes atletas. Nem todos temos este estímulo da prática de esportes constante vindo de pessoas ao nosso redor. Nem todos temos a bênção dos genes magro-alto-sem colesterol-sem diabetes-sem hipertensão presenteado a nossos corpos. Eu preciso entender que o agora é meu futuro, e que o futuro é meu agora. Não tenho outra senão optar pela prevenção.

A questão não é ter um corpo sarado – veja bem, eu nem se quer tomo sol! Não é por exibicionismo. Vaidade pessoal? Com toda certeza. Preciso me amar, e preciso me amar primeiro. Mas o fato é que quero ter uma vida com o mínimo de remorso possível, e isso começa pela minha saúde, que está no topo desta lista. Deve ser horrível ter um diagnóstico de alguma doença limitadora, para não dizer fatal, com 40, 50, ou 60 anos, e se dar conta de que se houvesse mudado meus hábitos décadas antes, aquilo poderia ter sido evitado. Significa de que me tornarei imune a doenças e problemas? Não. Mas significa que estarei com a consciência tranquila sabendo que dei o melhor de mim, por mim. Significa que não fui um fator a mais (se não o mais poderoso deles) a tornar uma situação ainda pior, potencialmente.

Mas o que importa é fazer tudo isso pensando de uma maneira bem egoísta. Quando se trata de peso, reeducação alimentar, prática de exercícios, você pode e deve ser muito egoísta, pensar somente no seu bem-estar, olhar somente para o seu próprio umbigo. Acredite, olhar para o próprio umbigo ajuda muito nessas horas, principalmente quando a única visão que se tem dele é uma visão ‘semi-periférica’ (graças às saliências da pança!). 

Além do mais, digo por experiência própria: você não terá ninguém para contar além de você mesmo nessa caminhada. Nem as pessoas mais próximas de você, por mais bem-intencionadas que sejam, conseguirão dar o apoio que você realmente precisa. Muitas delas provavelmente não irão acreditar que você tem a capacidade de conseguir alcançar o seu objetivo – baseiam-se nas suas próprias fraquezas e sentem uma ponta de inveja quando percebem que há quem seja mais forte.

Eu caí na infelicidade de comentar com algumas pessoas a minha meta de peso. Foi uma grande estupidez da minha parte. Ninguém, nenhum deles, teve a capacidade de me apoiar e dizer “eu tenho certeza que você consegue”. Ouvi coisas como “mas a sua estrutura, não vai ficar bom”, ou “é que você tem ossos largos, então pode ser que não seja fácil”, ou então “as suas expectativas são muito diferentes das minhas, mas talvez você consiga”. Todos tão bem-intencionados, ninguém teve fé em me dizer que, ainda sabendo que aquele número é absolutamente normal e saudável para a minha estatura (gente, eu tenho noção das coisas!), confiava que eu iria conseguir.

As pessoas se incomodam de me ver indo na academia todos os dias, tirando fotos de looks no espelho, fazendo comparações de antes e depois. É porque elas se sentem mal com elas mesmas, com a incapacidade delas e a falta de força de vontade delas próprias em tomar uma atitude e mudar. Por isso há um certo incômodo, perguntam quantos quilos eu perdi, dão pitacos na minha alimentação, e mensagens do tipo “cansei de ver você na academia 5:00 AM todo dia”. Não é fácil. 

Mas por que então eu continuo falando tanto sobre minha reeducação? Primeiro porque eu gosto de falar abertamente sobre as coisas que eu vivo. Não há o que esconder. Eu sou assim, sempre fui e não é agora que vou fazer diferente. Segundo, porque é uma maneira de eu mesma tomar consciência de tudo o que eu faço – com relação aos alimentos e aos exercícios. É uma auto-cobrança, algo que me empurra pra frente. Terceiro, porque apesar das pessoas que tentam sempre puxar os outros para baixo, há muito mais pessoas que se sentem inspiradas e motivadas com esse tipo de conteúdo.

Eu sou uma mulher absolutamente normal, posto receitinhas saudáveis com o que tenho na geladeira, faço academia em um lugar super simples, não sou exemplo nenhum de vida fitness, mas pelo menos jogo a real com vocês. Quando vou comer uma fatia de torta de limão passada na massa de bolinho de chuva e frita (aquela que eu postei no dia da quermesse!), eu mostro também! Porque a vida é isso, e não o faz de conta que muita gente prefere publicar. 

No final, conte somente com você. É a minha força de vontade que me faz levantar da cama todos os dias e ir pra academia. É a minha consciência que me faz pensar antes de comer um misto quente com refrigerante e doce na frente da televisão de noite. É o meu amor-próprio que não me deixa desistir.

A caminhada é única e exclusivamente sua, portanto faça dela a melhor e mais feliz de todas. Você merece.