Entre Você e Eu

De volta às Aventuras Escritas! Senti falta de falar com você por aqui.

Vamos tornar nosso diálogo um pouco menos impessoal – vou tentar escrever no estilo one-on-one daqui para frente. Vou evitar o plural, e vou evitar imaginar um público com diversas faces e focar somenda sua. No seu rosto, nos seus sentimentos, e no que eu posso provocar, com as minhas palavras, dentro da sua cabeça. Sim, você.

Há momentos em que eu realmente gostaria de canalizar mais do meu tempo e da minha energia escrevendo aqui, compartilhando cada detalhe do que acontece comigo, catalogando os episódios da minha vida, e dando ênfase às verdadeiras aventuras que acabo vivendo de tempos em tempos. Dar jus ao nome do Blog, entende?

Só que ultimamente, e um pouco inesperadamente, confesso que andei canalizando meu tempo e energia no mundo real. Ando sentindo cada vez mais prazer em me conectar com o mundo e com as pessoas de maneira física, e aos poucos acabei esquecendo da minha rotina digital, que por anos, foi uma parcela muito importante da minha vida como um todo.

Não, não estou me despedindo de você. Acho que estou apenas tentando, pela milésima vez, me explicar. Deve ser algo relacionado ao meu signo (não acredito em signos, mas que eles funcionam, ah…), hora tempestuoso, hora sereno. Eu gosto de ser assim (não que haja outra opção), porque costumo enjoar com a mesma facilidade com que me empolgo com todas as coisas.

De qualquer forma, sim, estive viajando. Conquistei o sonho de conhecer a Áustria, sonho antigo, junto com o Josh, e devo dizer que foram os dias mais encantadores da minha vida. Pela primeira vez, não senti saudades de casa, apenas dos cães. Não queria que aquela viagem tivesse fim. O bom do fim é que ele abre espaço para um novo começo, e já estou pensando no dia em que voltarei àquela terra maravilhosa.

Sigo trabalhando, como sempre, e cuidando da casa, dos caninos e de tudo o mais que me é responsabilidade. Estes dias fora daqui fizeram tão bem à minha cabeça que tenho muitos planos e vontades e metas e idéias novas. No regresso é hora de colocar tudo em prática. Aliás, regresso apenas no sentido literal do regresso ao lar, mas nesta volta para casa só houve progresso. Seria vaidade demais dizer que não lembro da Gisele que era antes desta viagem? Vaidade, talvez, pretensão com certeza, prepotência, nunca.

Já fui chamada de prepotente, e cheguei à conclusão de que este foi um insulto muito injusto. Não sou prepotente, a tirania não pertence ao meu organismo. Mas o fato é que realmente não estou com vontade de escrever a respeito de quem eu sou. Saber que não sou prepotente já é o bastante.

E saber que fui à Viena, e à Salzburgo, e visitei lugares que sonhei, e comi comidas que desejei, e enxi os olhos com as paisagems mais maravilhosas que poderiam existir já parecem o suficiente para que eu durma em paz todas as noites, grata a Deus, grata aos meus esforços, e grata a tudo o que conspirou a favor dessa conquista.

Logo volto para matar mais um pouco a saudade que senti de você. Sim, você.

Meu Passado à Deriva 

Quantos pedaços de um passado formam o que somos hoje? Os meus estão espalhados por aí, entre ruas, casas, corredores, janelas, praias, jardins… Os meus pedaços estão perdidos, mas não no sentido obscuro da palavra, no sentido da liberdade. Meus pedaços fluem além do tempo. Meu passado tem presença, ainda hoje, em corações distribuídos mundo afora (universo afora, ousaria dizer).

Se encontro um pedaço perdido, fico feliz. É como encontrar de volta uma garrafa à deriva, com uma mensagem doce e divertida (ou não) que lancei em alto mar com as minhas próprias mãos. Mensagens que nunca sonhei um dia poder ler novamente, garrafas que jurei que jamais poderia segurar outra vez. Algumas delas voltam. A correnteza as devolve, o vento as sopra, a vida as retorna.

São momentos assim que me fazem pensar que, no conjunto, tudo foi bom – do pretérito perfeito. Até o que não foi bom, foi bom. Porque quando a gente se depara com estes fragmentos livres, de lembranças e vivências e memórias e estórias, percebemos que tudo faz parte de um grande emaranhado de emoções e experiência, pedaços perdidos, os meus quando encontram os seus, se conectam e se interligam, e no final, a formação faz todo sentido, tudo se torna completo.

O problema das felicidades e infelicidades da nossa jornada é que encaramos o caminho com total individualidade. Olhamos para a nossa própria existência com olhos de espectador, como em um filme com começo, meio e fim. Mas não somos espectadores, nem atores, nem diretores. Não há filme. Não há começo, meio e fim. Somos parte de um todo, e tudo o que pensamos, sentimos e fazemos tem ligação direta com tudo e todos à nossa volta.

E depois que a vida acontece, olhamos para trás e percebemos a infinidade de pedaços de passado que fomos capazes de inventar, moldar, pintar, craquelar, estilhaçar, esmagar e soprar, com toda força, de encontro ao universo, foram reais contribuições que fizemos, inconscientemente, na vida e história uns dos outros.

Encontrei alguns pedaços de passado por esses dias, e todos eles me fizeram sorrir. Mesmo os cacos que um dia romperam uma ferida, hoje fazem sorrir. Penso com carinho e recebo com gratidão as garrafas à deriva que encontraram uma maneira de voltar até mim. Porque todas as vezes que uma delas foi abandonada em alto mar, levou consigo uma gota de esperança de que um dia estaríamos reunídas novamente. E agora, começo a entender o porquê: somos parte do todo.

Bolo Brigadeiro Sem Farinha 

Boa tarde, pessoal! O post de hoje é para compartilhar com vocês uma receita que eu vi no site Tudo Gostoso e adaptei para fazer com ingredientes que eu tinha em casa. Antes de tudo, que fique claro: esta não é uma receita para quem está de dieta!

Se você quiser adapta-la para uma receita ainda menos calórica, faça as devidas substituições de açúcar e não faça a cobertura de brigadeiro. 

Se você quiser uma receita mais gordinha, pode substituir o óleo de coco por manteiga ou óleo, e o cacau em pó por achocolatado. 

Vamos lá!

Ingredientes:

  • 4 ovos médios 
  • 4 colheres de sopa de cacau em pó 
  • 4 colheres de sopa de açúcar 
  • 2 colheres de sopa de óleo de coco líquido (esquentei no micro 30 segundos para amolecer o meu)
  • 1 colher de sopa de óleo de coco sólido (se o seu estiver muito mole por causa do calor é só colocar. A geladeira até firmar)
  • 1/2 colher de sopa de fermento em pó 

Preparo:

  • Pré-aqueça o forno a 180C
  • Unte uma assadeira pequena 
  • No liquidificador, bata todos os ingredientes, menos o fermento, por 5 minutos 
  • Acrescente o fermento e bata por mais 30 segundos 
  • Coloque na assadeira e leve ao forno por cerca de 25 minutos 

Dicas:

  • O bolo estará pronto quando você espetar um palito de dente bem no centro da massa e ele sair limpo e seco.
  • Esta receita é para um bolo bem pequeno, então escolha uma assadeira menor. Se quiser, pode dobrar a receita para uma quantidade maior de massa.

Cobertura:

  • 1 lata de leite condensado 
  • 3 colheres de sopa de cacau em pó 
  • 3 colheres de sopa de leite (eu usei leite de caju, mas pode ser qualquer um)
  • Fazer brigadeiro no ponto mole

Espero que gostem dar receita que fica pronta rapidinho! 

Bom apetite!

Gi

Adeus, Pontas Duplas!

Corte Bordado: você sabe o que é? Em muitos salões de beleza no Brasil esta técnica é utilizada para eliminar todas as pontas duplas do comprimento dos cabelos com a tesoura. Mas e eu, que não moro no Brasil? Fico de fora? NO WAY!

Descobri que existe uma máquina maravilhosa que faz exatamente isso, e o melhor: para fazer sozinha, em casa! 

Contei TU-DO no video de hoje. Ganhei a máquina de presente de natal do Josh (obrigada, amor!), e estou muito contente com o resultado. A que ele me deu foi comprada na Amazon, e eu não sei se o vendedor manda para fora dos EUA, mas vale a pena pesquisar, caso haja interesse.

Espero que curtam o video!

Gi

Gentileza Gera Gentileza, Ainda que Pequena

A maioria dos assuntos que viram pauta aqui no Blog são reflexo de conversas entre Carolina e eu. É claro que seria impossível, literalmente impossível, abordar todos os assuntos que são pauta das nossas conversas aqui no Blog (ou em um livro, um filme, uma série mais longa que Friends, Gilmore Girls e Sex and The City juntas), mas os assuntos não comprometedores (rs!) que podem virar interesse geral no sentido de *ajudar alguém*, geralmente são trazidos para cá.

Hoje estávamos conversando sobre as pequenas gentilezas. Pequenas gentilezas que, ao nosso ver e considerando nossas próprias experiências, não são senso comum entre as pessoas. Mas deveriam ser! Bom, na nossa opinião.

O que é que a gente pode considerar como uma pequena gentileza, e como é que este gesto pode impactar – de maneira positiva ou negativa – a vida das pessoas com quem convivemos?


Pequenas gentilezas são, na nossa definição, ações e atitudes que mostram que estamos prestando atenção às pessoas ao nosso redor com quem nos importamos, levando em consideração o que estas pessoas podem pensar e sentir. 

O gesto de praticar pequenas gentilezas irá impactar a vida das pessoas com quem convivemos porque somos todos muito diferentes, ou seja, muitas vezes nossas pequenas ações que parecem ser inofensivas aos nossos olhos podem gerar um verdadeiro efeito borboleta na vida de outra pessoa, que tem percepções e encara a vida de um modo totalmente diferente do nosso.

Dá para se responsabilizar por todo o efeito borboleta? Não. Não dá. Mas dá para, pelo menos, tentar evitar que ele comece. Muitas vezes, uma palavra, um olhar, um julgamento, podem desencadear uma série de problemas na vida de alguém que nós, no fundo, queremos bem. Pequenas gentilezas – ou a falta delas – entram nisso também.

Muitas vezes, uma falha de comunicação pode ser suficiente para que as pessoas se afastem umas das outras. Qual impacto isso não pode ter a longo prazo? Na minha opinião, um impacto forte, e que poderia muito bem ter sido evitado lá atrás. 

Então, fica combinado: de agora em diante vamos prestar mais atenção nas pequenas gentilezas e tentar colocá-las em prática.

Meu Loiro Acinzentado – Tonalizando em Casa

Já contei aqui que a decisão de me tornar loira foi uma decisão financeiramente séria: não é drama, se você, assim como eu, tem o cabelo naturalmente preto-carvão, não pode simplesmente acordar um dia e dizer “hoje vou ser Hebe”. Não rola. Não se você se importar em ter um cabelo bonito. Tornar-se e manter-se loira, em casos como o meu, é praticamente um investimento (e o retorno não vem em verdinhas!).

Eu sabia que seria um processo, e demorou um ano para eu estar com a cabeça totalmente loira. Assim como também já contei aqui, a única que tem aval para mexer na cor do meu cabelo é a minha cabeleireira maravilhosa, Belinda, que me foi apresentada pela Isa, minha colega de trabalho. Só confio no trabalho dela, e até hoje a “operação Hebe” tem sido um sucesso.

Só que, como tudo na vida, a gente começa a ganhar experiência e aprender, principalmente com aquelas situações que tendem a ser mais repetitivas ou rotineiras. Com meu loiro não foi diferente. Eu aprendi que preciso retocar as luzes na raíz uma vez a cada pelo menos dois meses, e tonalizar (corrigir) o tom do loiro pelo menos uma vez a cada seis semanas. Ou seja, eu estava no salão pelo menos mês sim, mês não, e tudo bem, porque eu realmente não saberia fazer nada daquilo sozinha (e nem queria!).

Até que minha amiga Renata, do canal Beauty By Renata, me ensinou a * tchãnãnnnn * TONALIZAR MEU CABELO EM CASA! 

Foi uma mega evolução porque eu morria de medo de fazer alguma coisa errada e destruir todo o trabalho da Belinda, mas no final deu tudo certo! E venho tonalizando sozinha desde então, e hoje quis compartilhar com vocês o jeito que eu – Gisele, leiga, não-cabeleireira, mas com o okay da Belinda – faço isso.

Espero que gostem do video, e se alguém tiver alguma dica legal de algo que eu possa melhorar, por favor, não deixe de me contar aí nos comentários!

Beijos,

Gi

O Que Aconteceu na Minha Vida nos Últimos Dez Anos


Há exatos dez anos, eu vivi a quarta-feira mais gelada de toda a minha vida. Talvez você pense que foi por conta dos muitos graus abaixo de zero – a primeira sensação física que eu senti em solo americano, quando pisei por primeira vez em Chicago. Eu lembro bem, estava tão desiludida que me forcei a sair do avião com o pé direito. Em tempos de crise e guerra interior, qualquer superstição parece ser uma bóia grande o suficiente pra não deixar a gente se afogar.

Falando em afogamentos, foram muitas lágrimas derramadas. Eu não sei o quanto chorei, mas lembro de chorar até dormir, exausta, vermelha, com o nariz ressecado por causa de um aquecedor que soprava a noite toda bem em cima da minha cabeça. 

Eu colei muitas fotos na porta do quarto que eu dormia (que nunca consegui, de fato, chamar de “meu”), lembranças de uma vida que eu sabia, por algum motivo, que jamais voltaria a viver. Bem no centro da porta, colei uma frase, enorme, que dizia: “Nunca Esqueça Quem Você É”. O meu maior medo não era esquecer as pessoas, os lugares, os cheiros e sabores. Meu maior medo era esquecer a mim mesma. Esquecer a Gisele de vinte anos, sete meses e vinte dias. 

Tinha pavor em me olhar no espelho e não me reconhecer. Não saber quem eu era, não saber que propósito minha vida tinha, não entender, de verdade, que raios eu fazia ali, naquele quarto, naquele apartamento (apartamento!!!), naquela cidade, no meio de tudo o que eu nunca quis, nunca sonhei, e simplesmente não sabia o que fazer com ela. Com a Gisele.

“Gisele, o que você quer ser quando crescer?” – Foi o que a coordenadora da faculdade me perguntou no dia em que fui me matricular para algum curso, de alguma coisa que eu não fazia a menor idéia do que seria. Eu não falava inglês – não era capaz de montar uma frase simples como: “I don’t know what I want to be.” Eu não era capaz de dizer estas palavras em inglês, mas era capaz de sentí-las. Estavam estampadas na porta daquele quarto. Eu não sabia o que queria, porque tudo o que eu queria eu já não tinha mais. E ainda assim, não queria esquecer. 

“Gisele, onde você está?”. Foi uma pergunta constante, que me perguntei milhares de vezes. Algumas dessas vezes houveram respostas. E algumas dessas respostas me pareceram muito convincentes. Mas eu estava equivocada, uma, duas, dez vezes.

Dez. Que número. Dez é um número tão bonito! “Você é dez, Gi!” – ouço minha vó falar enquanto cozinhamos alguma coisa na cozinha, e ela me ensina o jeito certo de dar ponto na massa. Dez era o número do orgulho dos meus pais nas minhas redações na escolha, nas minhas provas de História e em alguns projetos da faculdade. Aquela, que eu tive que trancar.

Mas dez ANOS? Dez anos é muita coisa. Dez anos foi o tempo de vida que eu levei para entender que não se pode ter tudo, mas com dez anos a gente tem esperança que pode, que os adultos é que estão errados, que um dia “eu vou descobrir um jeito de fazer tudo o que eu quero, e vou conseguir!”. Ah, Gisele! Você com dez anos era mesmo uma figura. Eu não me esqueci.

Hoje, dez anos de América. Que frase mais esquisita! Mas sabe que, apesar das dificuldades de adaptação, não foi uma década ruim. Pelo contrário!

O que a Gisele de vinte anos não sabia que a Gisele de trinta sabe, é o que a Gisele de dez já tinha certeza! No final, era a Gisele de dez que tinha toda razão. Ela ficaria muito feliz em saber disso, mas ela realmente já sabia.

Entre 2007 e 2017 eu aprendi que a felicidade depende de mim. Da minha cabeça. Ela é uma escolha – acredite, ela é! Você escolhe ser feliz, porque você percebe que a vida passa voando, e que se você não fizer esta escolha, você não vai ter outra chance de fazer com que ela aconteça.

Eu escolhi estudar. Escolhi aprender a ler, escrever e falar inglês o melhor que pude. Me esforcei muito. Escolhi trabalhar, e fui babá de criança, fui babá de cachorro, descobri o YouTube e ganhei dinheiro com ele também. Escolhi conhecer pessoas, e quebrei a cara (feio) algumas vezes, mas no geral, cara, quanta gente boa existe aqui! Eu escolhi mudar o cabelo – e não fui julgada por isso como seria se não vivesse aqui! Eu escolhi aprender a usar maquiagem, e mais uma vez entendi que aqui é o melhor lugar para isso (principalmente para cometer os primeiros e piores erros…). Eu escolhi namorar, e namorei, noivei, desmanchei, namorei, noivei e casei. 

Eu escolhi usar a minha cabeça, arregaçar as mangas e levantar todos os dias da minha cama pensando no meu futuro. Eu escolhi ser esforçada e aproveitar todas as oportunidades de trabalho como uma maneira de me desenvolver como ser humano – pessoal e profissionalmente. Eu escolhi juntar dinheiro. Eu escolhi viajar. Eu escolhi engordar, e escolhi emagrecer. Escolhi tratar todos de igual para igual. Escolhi prestar atenção numa cultura que não é minha, e escolhi fazer parte dela.

Não, a minha história com a América não começou com uma escolha. Mas eu descobri um jeito de fazer tudo o que eu queria, e consegui! Através das escolhas que fiz depois da minha ausência de escolha. Porque, como diria a Gisele de quinze: “a vida é minha e eu faço o que eu quiser!”. O que será que a Gisele de quarenta e cinco terá a declarar sobre isso? Saberemos em quinze anos.

Por hora, apenas posso dizer que escolher viver a felicidade não significa escolher esquecer as dores, ou apagar o passado. Todo o meu sofrimento teve um enorme valor. Todas as barreiras que foram colocadas em meu caminho foram pequenos saltos para a minha própria vitória. Mas machucaram, porque eu caí algumas vezes. Só que levantei, porque eu sou assim mesmo, não me deixo vencer pela dor.

Parabéns, Gisele. Com dez, vinte ou trinta, que a América seja seu lar de escolha, do coração, enquanto te fizer feliz.