Viagem X Dieta – Como Foi Passar 1 Mês no Brasil

Cheguei do Brasil há dois dias, depois de uma viagem longa de muito trabalho e com um saldo de +2 kg na balança. Afinal, o que significa ganhar dois quilos em um mês? Poderia ter sido diferente? Foi fácil controlar a alimentação? E as tentações?

Pois é, minha gente. São mesmo muitas perguntas, curiosidades e preocupações que eu mesma tinha antes mesmo de partir. Minha maior ansiedade era pensar que estar fora da minha rotina significaria estar fora do controle de tudo. Para a minha surpresa, não foi bem isso o que aconteceu.

Quando a gente está feliz com o estilo de vida que é adepto, como no meu caso, parece que as coisas ficam mais claras. A verdade é que eu, muitas vezes sem querer e outras intencionalmente, acabei descobrindo uma variedade enorme de opções de restaurantes em São Paulo para quem busca uma alimentação mais saudável. A própria lanchonete do meu hotel, por exemplo, vende hoje em dia opções low carb de comida, lanches e snacks. Até o ano passado não era assim, muita coisa mudou por lá, e eu fiquei bem satisfeita com tais mudanças, porque foi aquela lanchonete que me salvou vários dias durante a semana.

Nos finais de semana também optei por conhecer lugares que ofereciam um cardápio mais natural e de baixo carboidrato, como o Club Life, o Capim Santo, o Empório Frutaria, e tudo mais. São opções maravilhosas. Tudo valeu a pena. Eu experimentei as tais sobremesas fit do Mundo Verde, pedi pizza low carb (com massa feita com farinha de coco e berinjela, uma delícia) da Pizza For Fun, e um dia antes de viajar saí com os amigos em um lugar chamado Quintal do Espeto (conhecido, rodízio de espetinhos com música ao vivo, uma rede, na verdade, ótima opção para agradar low carbers e high carbers também).

No geral, entre buffets e almoços na casa da vovó, deu tudo certo. Eu comi mais pães de queijo do que precisava, comi duas tapiocas de doce de leite (em dias diferentes), comi um pedaço do bolo de coelho da minha vó (tem foto dele no Insta), obviamente, um bolo high carb, e um pouco de uma sobremesa de damasco que ela também fez. Além disso, bebi algumas caipirinhas, sempre com polpa de maracujá e pouco açúcar… E tudo bem, também.

Dois quilos. Sendo muito técnica e compartilhando mais informações do que o normal, a verdade é que estes dois quilos não são gordura. Tem a ver com o período do mês! Tem a ver também com retenção de líquidos, com não dormir bem e/ou não dormir o suficiente, tem a ver com a ansiedade e o stress de que tudo corresse bem a viagem toda. Eu estou feliz com estes dois quilos, porque a verdade é que em qualquer outro momento da minha vida, teria ganho pelo menos quatro!

Mais do que pensar no que eu comi, eu gosto de pensar no que eu DEIXEI de comer. Isso sim é o que me impressiona. Eu entrei em uma padaria UMA vez, e tomei um café puro e uma água. Sério. É absurdo pensar isso. Passei em frente à Ofner milhares de vezes, a única vez que parei lá: tomei um café puro. Entrei na Bauducco no aeroporto antes de ir embora e: um café – puro. Não comi pastel. Não comi coxinha. Não comi pão francês. Não comi esfiha. ALIÁS, falando em esfiha: fui ao restaurante árabe e comi charutinhos de folha de uva! Dá vontade de gritar “QUEM É VOCÊ E O QUE VOCÊ FEZ COM A GISELE????” em frente ao espelho!

Estou orgulhosa destes dois quilos. Estes dois quilos representam, pasmem, auto-controle. Eu comprei roupas P e 38. No Brasil. O que são dois quilos, mesmo? Nada! Absolutamente nada. Eles irão embora tão rápido quanto vieram, e pronto. Fim.

As dificuldades em relação à viagem são muito mais emocionais e psicológicas do que físicas, realmente. Veja bem, tudo muda se um HÁBITO muda. Em 28 dias eu cozinhei UMA vez. Então, obviamente, meu cérebro está induzido a correlacionar comida à facilidade, comodidade ou “ser servida”. Estou, honestamente, com preguiça de cozinhar. Esta vem sendo a minha dificuldade desde quando voltei para casa.

É impressionante perceber como nossos obstáculos, muitas vezes, são o oposto do que imaginávamos que seriam. Meu maior obstáculo não é a minha boca, meu paladar, meu apetite….e sim, a minha própria mente. O que fazer agora? Retomar a rotina, reconstruir o hábito.

Mesmo que esta viagem tenha sido primariamente em função do meu trabalho, obviamente que estar em um ambiente diferente “reseta” o cérebro, e é difícil voltar às configurações estabelecidas como “padrão”. Sabe que isso não tem a ver só com a comida, tem a ver com tudo. Ontem mesmo estava procurando o adaptador da tomada (!) na minha bolsa, e a primeira vez que usei meu próprio toilet tentei dar descarga pressionando um botão imaginário acima do vaso, pois tinha esquecido totalmente que aqui ele fica na parte lateral. São pequenas, porém inúmeras coisas que são alteradas no nosso cérebro graças às repetições de novos hábitos. O negócio é prestar atenção e insistir nos hábitos anteriores, que, inevitavelmente, voltarão com força total. É que nenhum recomeço é fácil – mas podemos falar sobre recomeços em um outro momento. Por hora, foquemos nos dois quilos.

Dois quilos. Dois quilos de puro orgulho.

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Um comentário sobre “Viagem X Dieta – Como Foi Passar 1 Mês no Brasil

  1. Quando a pessoa está no controle das decisões, tudo é melhor!
    Muito bom o post. Eu não sei se “resetar” é entendido pelo público brasileiro…talvez rebutar, restartar…sei lá…acho que resetar está bom. Beijus do Popozón.

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