Pane no Universo Rosa Choque

Eu escrevo porque escrever me ajuda. Esse é o único motivo. Eu publico o que escrevo porque tenho a esperança de que isso pode ajudar mais alguém, assim como ler também me ajuda.

Por isso estou aqui, em um dia particularmente difícil, escrevendo.

Eu poderia começar este texto reclamando da vida, colocando os meus demônios pra fora, mas não vou. Não é certo, nem necessário, e nem ajudaria ninguém que viesse a passar os olhos pelas minhas palavras (talvez alguém que se sentisse como eu me sinto agora, mas honestamente, não desejo isso a ninguém), de modo que escreverei a respeito de muitas outras coisas, menos sobre o dia de hoje.

Você já sentiu alguma vez que todas as suas perspectivas e pontos de vista são exatamente o oposto do que deveriam ser? Poderia citar a política, por exemplo, e como tudo o que acreditamos que é o certo, na verdade é o errado, e vice-versa. Não, não estou falando sobre corrupção, estou falando sobre política. Veja bem, conectar política e corrupção automaticamente já pode ser, por sí, uma perspectiva errada. Talvez, num mundo totalmente abstrato, seja essa conexão já pressuposta a brecha que o universo precisa para que a corrupção seja integrada à política. Como um efeito-dominó misturado com um efeito-borboleta.

É como se as nossas presunções e pressuposições e perspectivas e pontos de vista e expectativas e discernimentos fossem tão absolutamente poderosos que pudessem, de fato, causar algum impacto no universo. É a força da mente, é a nossa percepção da realidade, do mundo real, do universo, do mundo abstrato.

Eu sempre achei que o que meus olhos viam, meus ouvidos ouviam e minha cabeça raciocinava eram um resultado da correlação do que vem de fora para dentro. Na verdade, não é assim.

Tudo o que eu vejo, ouço, raciocino, tudo o que eu experimento, vem de dentro pra fora. É uma realidade erguida pelas minhas próprias perspectivas. Ou seja, simplesmente não é a realidade.

As pessoas tem, assim como eu, uma enorme dificuldade em aceitar as diferenças uns dos outros, em aceitar as mudanças, em compreender o novo, simplesmente porque se deparam com algum tipo de realidade unilateral. Sua perspectiva se choca contra esta realidade. De repente, nada mais faz sentido.

Aí é que está a chave de tudo. Em tudo na vida, tudo mesmo, temos apenas duas opções. Ignorar a realidade, ou ignorar nossas perspectivas. Se a opção é ignorar a realidade, então teremos à frente uma vida cheia de surpresas, boas e más. Se a opção é ignorar nossas perspectivas, então teremos à frente uma vida cheia de frustrações.

Já cansei de me chocar com a realidade. O universo rosa-choque estúpido que eu acreditava não existe. Eu sabia disso, por conta de uma ou outra situação, mas restava um fundo de esperança. O que posso fazer? Ignorar a realidade? Talvez. Ignorar minhas perspectivas? Talvez.

O que importa, no final, é o auto-controle. Se tantas coisas deixaram de fazer sentido, melhor focar no auto-controle. Respiração, meditação, fé. Não pensar no passado, nem no futuro. Auto-controle, no presente.

A realidade existe. Suas perspectivas também. O objetivo é conseguir alinhá-las, dia a dia, uma coisa por vez.

Sigamos em frente.

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