Sobre as DRs

Todos esses dias que fiquei meio sumida, sumi por motivos bons, ao contrário do que alguns possam imaginar. E a verdade é que nem os culpo por pensar o pior, já que minhas ausências são sempre fruto de algum trauma, alguma crise, alguma reclusa emocional pós-overdose de mundo real, e essas coisas todas. Sou uma sofredora nata (corinthiana também, com TH), mas sempre dou um jeito de usar a dor a meu favor.

Bem, não foi por dor nenhuma que desapareci, mas é de um assunto no mínimo desconfortável – para não dizer “doloroso” – DÊ-ERRES.

D.R. – que significa (caso alguém ainda não saiba) Discussão de Relacionamento.

Outro dia estava conversando com um amigo e nós brigamos. Não foi bem uma briga, para ser justa, mas foi um desentendimento de ideias, opiniões, intenções e ações (profundo, não? Mas pode chamar isso tudo, popularmente, de briga mesmo haha). No final, depois de algumas horas de vai e vem de cabo-de-guerra verbal, nos entendemos. Foi quando eu disse as palavras mágicas: “Até que pra uma DR nos saímos bem”. Para quê eu disso aquilo?

Começamos outra discussão, imediatamente, a respeito do termo DR. Não é a coisa mais estúpida do mundo? Sim, claro que é! Porque as pessoas acham que essa sigla cabe ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE para brigas – desentendimentos, discordâncias, lavação de roupa suja, colocar tudo em pratos limpos, cortar todos os Ts e colocar todos os pingos nos Is – amorosas (conjugais, passionais, de CASAL).

Como diria Compadre Washington Beto Jamaica*: AGORA PARE!

Não dá pra viver assim. Não dá pra rotular tudo na vida. Não dá pra olhar ao redor com um único par de olhos, uma única maneira de pensar, um único jeito de ver as coisas. É por isso que o mundo está como está: porque as pessoas não tem DRs umas com as outras! Só os casais. E mesmo assim, as evitam.

Num outro episódio, duas amigas estavam chateadas uma com a outra e – por evitar a DR – a coisa começou a crescer, cresceu mais do que devia até que – BOOM! Uma delas explodiu. Conversando com ambas, percebi que tudo aquilo não passava da forma mais puríssima de má comunicação.

Má comunicação. Quantas vezes você evitou uma DR com um amigo, com seus pais, com seus irmãos, com as pessoas que REALMENTE importam na sua vida, e explodiu? Acontece com todo mundo.

Mas poderia muito bem ser evitado, se a gente perdesse o medo de falar. Conversar, se abrir, fazer um cabo-de-guerra verbal, e daí se não concordamos? Podemos concordar em discordar. E aprender a conviver com as nossas diferenças, e viver em paz. Ou, mais provável ainda, a conversa franca pode, sim, resultar em um acordo agradável entre ambas as partes.

DR – Discussão de Relacionamento. Relacionamento significa todo tipo de interação com quem realmente amamos: amor fraternal, amor materno-paterno, amor conjugal, todos contam. Nenhum é mais ou menos importante que o outro (na minha opinião, e não estou falando de prioridades, e sim de amor, que é um sentimento completo e imensurável, portanto não pode ser maior por um e menor por outro, ou você ama ou não ama).

Minha melhor amiga e eu somos o exímio exemplo de adeptas às DRs. Falamos tanto, sobre tantos assuntos, sobre tudo o que incomoda na outra, sobre tudo o que amamos na outra, sobre o que gostaríamos que a outra melhorasse, e o quanto estamos orgulhosas com os progressos que a outra está conseguindo. Depois de alguns escorregões, aprendemos que falar é sempre, e sempre será, a melhor de todas as opções. A gente descobriu que é melhor falar e se arrepender, do que se arrepender de não ter dito nada! Nossas DRs são majestosas – para dizer o mínimo – e algumas vezes nos cansam tanto que precisamos de uma soneca entre a parte I e a parte II. Mas, acredite, é isso que faz a nossa amizade ser o que é, e ela é perfeita (porque perfeição não significa estar de acordo em tudo, e sim continuar amando igual mesmo com todas as diferenças).

Desta forma, deixo aqui meu apelo a todas as pessoas que lerem este querido texto: empenhem-se nas DRs com todas as pessoas da sua vida. Não deixe de dizer o que você pensa ou como se sente, não deixe de se expressar, não deixe de demonstrar o seu amor e até mesmo a sua raiva (quando há amor por trás, e deixe que a pessoa saiba que há amor por trás da raiva), em curtas palavras: não perca a oportunidade de se abrir como um livro para as pessoas que você se importa e confia.

A última coisa que você precisa na sua vida é do arrependimento de NÃO ter tido as DRs que você necessitava ter. Nós não temos como saber quando vai ser a última chance. E DRs, afinal, são discussões como qualquer outra, discutir não significa bater boca, faltar com respeito ou passar por cima dos sentimentos dos outros. Discutir significa falar e escutar, escutar e falar, com o objetivo de resolver qualquer situação que esteja enroscada dentro de você.

Boas DRs!

Gisele (e Carolina).

 

*Carolina me corrigiu – porque não temos medo de falar as coisas. ❤

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