Coisas Que Não Fazem o Menor Sentido, Mas Fazem

Tem certas coisas da minha vida que simplesmente não fazem sentido nenhum pra mais ninguém além de mim. Isso acontece com você, também? São situações que se eu mesma ouvisse outra pessoa narrar, pensaria: “isso é um absurdo, isso não existe”. Coisas da minha cabeça que, de vez em quando, parece mais uma mistura de antiquário em dia de liquidação com disneylândia em véspera de natal. Uma loucura absurda, descontrolada. Eu me perco, perco o ar, canso da minha própria cabeça.

Então, me deparo com uma bifurcação bizarra, tão sutil que chega a ser maquiavélica: de um lado, o caminho mais gasto, que costumo chamar de “meu antigo eu” – um estreito labirinto cheio de buracos, paralelepípedos desencaixados, nublado, com raios esporádicos e uma incômoda ventania de contra-mão, chuvoso, longo, cansativo e praticamente sem volta. Do outro lado, o caminho totalmente oposto, mais novo, e ainda em construção parcial, apelidado carinhosamente de “atalho do contentamento”. Lá nem se quer tem asfalto – um atalho curto, direto, propositalmente largo (grandes culpas passam por ele com pouco esforço) e feito só de grama, caso queira dispensar os sapatos. Lá não chove, não faz frio nem calor, é iluminado o tempo todo, com nuvens brancas que evitam a cegueira ocasional do sol. Andar por este atalho é fácil, é só querer.

A maldita bifurcação acontece todas as vezes que eu me deparo com questões impossíveis de explicar (por pouco, impossíveis também de entender). A primeira vez que me deparei com ela, foi quando soube que mudaria do Brasil. A diferença é que só os outros eram capazes de enxergar o atalho do contentamento. Eu só conseguia enxergar o meu antigo eu. Impossível de explicar o porquê, só vivendo pra entender. Qualquer um que ouvisse minha história de fora, pensaria: “isso é absurdo, isso não existe”. Tudo bem.

Depois de muitas situações que me levaram à tal bifurcação, eu finalmente aprendi que sempre dá pra escolher o atalho do contentamento. Ele sempre estará lá, não importa o que aconteça. Contenrar-se não significa não ter coragem. Nem sempre. Coragem para enfrentar o meu antigo eu sei que sempre terei. Mas há questões tão infinitamente maiores (ou menores) do que isso, que a coragem em sí de nada vale. Em outras palavras, muitas vezes, o atalho do contentamento é a única maneira de seguir em frente e chegar do outro lado mais rápido, quando a questão, em suma, não pode ser alterada.

Este é o texto mais absurdo de todos os tempos (estou ciente), mas em resumo é assim: de vez em quando não vale a pena passar pelo sofrimento se, no final, o sofrimento não fará diferença alguma. “Pegue o atalho, contente-se, e simplesmente siga em frente”. Demorou, mas eu aprendi.

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