Sou Branquela, e Daí?

Não foi proposital o fato de ter programado este video para ir ao ar hoje, justamente no dia de Martin Luther King Jr. Me bateu um sentimento bizarro, pra falar a verdade, quando me dei conta da coincidência.

A luta pela liberdade dos afro-descendentes nos EUA refletiu sua força no mundo todo. Nomes como Martin Luther King e Malcom X, por exemplo, são mais do que conhecidos em todo o continente Americano e em diversas outras partes do mundo. Eu, pessoalmente, tive a oportunidade de entender mas da história do reverendo Luther King Jr. depois que me mudei para os EUA. Mas a verdade é que foi só quando saí do Brasil, um país curioso (para dizer o mínimo) quando se trata de assuntos referentes à raça e cor da pele, que fui exposta a determinadas idéias preconceituosas.

O video que publiquei hoje é um certo desabafo por conta de alguns comentários que recebo com frequência sobre a minha cor.

É impressionante como a nossa cabeça as vezes é tão incapaz de acompanhar a evolução de tudo o que nos cerca. Mesmo nos dias de hoje, e muito mais do que se imagina, as diferenças físicas entre os seres humanos ainda é pauta (este post mesmo, por exemplo) e ainda é utilizada para hostilizar ou diminuir – não as minorias somente – mas toda e qualquer pessoa que possua características que vão contra o que se considera “bonito”, “normal”, “sexy”, “limpo” ou “saudável”.

Aqui em Iowa as pessoas no início (logo que cheguei, por estar mais bronzeada), não sabiam o que pensar de mim. Já me perguntaram de que cor eu era (eu não soube o que responder, nunca ninguém havia me feito tal pergunta antes na vida) e disseram que era muito confuso uma pessoa com traços brancos, pele morena, cabelo preto e liso e olhos claros. Na cabeça de alguns aqui, eu simplesmente não fazia o menor sentido.

Após anos vivendo num país frio e sem muito interesse em aproveitar o verão ao ar livre (como sempre, mesmo quando vivia no Brasil), fui aos poucos perdendo o bronzeado, e há anos não tenho nenhuma marca de biquíni no corpo. Esta cor que vocês vêem nas minhas fotos e videos é a minha “cor original de fábrica”. E sim, ela incomoda alguns dos meus queridos conterrâneos… Eu percebo, através de olhares, brincadeiras, piadas e comentários diretos que ‘ser branca’ e ser brasileira são duas coisas quase inaceitáveis, como se eu estivesse tentando ser algo que não sou (!), como se minha vaidade tivesse diminuído (!!) ou como se eu fosse obrigada a me expor ao sol para fazer jus à minha descendência latina (!!!). 

Pare com isso. É desagradável, desnecessário e desrespeitoso. Eu sou assim, não tenho culpa de ser assim – branca e que prefere um museu ou um shopping a uma praia ou uma piscina. Não é proposital, é a minha natureza. Eu sempre fui assim, a vida toda. E depois que o video foi ao ar recebi muitas mensagens de mulheres dizendo que passam pela mesma coisa, ou seja, está na hora de aceitar que nem sempre a realidade, os gostos ou o biotipo dos outros serão os mesmos que os seus, e respeitar os outros como eles são, independente de qualquer coisa.

É isso, gente.

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Um comentário sobre “Sou Branquela, e Daí?

  1. Ola Gi. Sigo-te desde o Glitterinadas, vejo todos os teus videos e dou sempre like. Penso que nunca tinha comentado um video teu mas nao consegui ficar indiferente a este. Nao tens nocao como eu sofro por ser branca. Sou loira de olhos verdes e muitoooo branca, a dar para o meio amarelo. Ja me disseram de tudo nesta vida e acho piada que nao e considerado discriminacao. Se eu fosse preta ninguem me vinha dizer:”ai es tao escura!”, como sou branca estou sempre a ouvir:”ai es tao branca!”. Porque?! Porque e que alguem acha que tem o direiti que me dizer estas coisas?! Ate ja me perguntatam se tenho leucemia. Achas normal?! Ja perdi a conta as vezes que me perguntam se estou bem de saude porque com esta cor nao posso ser saudavel… ah e ainda me dao “conselhos”, que tenho de ir mais a praia, uma vez que vivo junto ao mar “nao percebo porque nao vais a praia a ver se disfarcas essa cor”. Eu nao vou a praia porque nao quero, nao gosto e se a minha cor incomoda tanto nao olhem para mim. Quando era miuda tinha muitos complexos, achava deveria parecer um monstro pelo facto de me abordarem com este assunto, hoje com 31 anos ignoro. Adorei este video em particular. Muitos beijinhos de Portugal. Susana 🙂

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