Idolatria, Intolerância Religiosa e Como Isso Tem a Ver Comigo e com Você

Eu sou evangélica. Protestante. Crente. Cristã. Pentecostal. Seja lá como você prefira chamar – apenas atente-se ao fato de que eu não acredito e nem pertenço a nenhuma seita religiosa (como por exemplo as Testemunhas de Jeová e os Adventistas de Sétimo Dia). Caso você não saiba, há uma grande diferença entre denominações pentecostais como a Assembléia de Deus e a seita de Testemunhas de Jeová. As seitas – entre outras coisas – descartam qualquer possibilidade de salvação daqueles que não pertencem a ela. Já os crentes, como eu, da igreja protestante (que inclui milhares de denominações, incluindo a Assembléia de Deus) acreditam que – baseado unicamente na bíblia – todo aquele que declarar que Jesus Cristo é seu Senhor e Salvador, será salvo e terá vida eterna.

Diferenças brevemente esclarecidas, vamos aos fatos: a internet está sendo virada do avesso graças ao video de uma mulher estraçalhando a marteladas imagens de santos (alguns que não reconheci, por ignorante que sou, e uma estátua de Nossa Senhora de Aparecida). Sim, isto aconteceu, e sim, isto é chocante e revoltante.

Para muitas pessoas, a cena foi revoltante porque existe ali um apego espiritual, uma crença, uma devoção, até mesmo um puro simbolismo – pessoas que são católicas (e de outras religiões) que se ofenderam intimamente com o que tiveram a infelicidade de assistir. Outras pessoas ficaram chocadas com as cenas e concluíram que aquela mulher, provavelmente evangélica, é a mais perfeita imagem da alienação, da ignorância, da intolerância e da falta de respeito com o próximo.

Honestamente, não sei em que circunstâncias aquele video foi feito, nem sua finalidade. Eu, Gisele, sou uma pessoa que não acredita em nenhum santo além de Jesus, e tenho um problema sério com imagens para idolatria (sentia medo quando criança, e sentia um vazio imenso quando adulta). Mas independente do que EU acho, penso, sinto ou acredito, sempre procurei entender o que AS OUTRAS PESSOAS acham, pensam, sentem ou acreditam. Principalmente aqueles com quem eu me importo de verdade.

Em 2011, Deus colocou na minha vida um grande amigo, uma pessoa que tocou imensamente a minha vida e também a vida do Josh, e alguns de vocês devem conhecê-lo ou pelo menos lembrar dele (nos meus videos e fotos). O nome dele é Luis.

O Luis é católico. Mas ele foi o primeiro católico que eu conheci que não somente se dizia católico, mas que vivia o catolicismo. “E o que significa isso, Gisele?” – eu respondo: isso significa que o Luis não somente acredita, mas exerce sua fé, e que todas as coisas que ele fazia tinham uma raiz que vinha daí. Toda a conduta que ele teve, toda a moral, todos os princípios dele, refletiam fortemente a sua fé. E pasmem, queridos leitores evangélicos, ele foi a primeira pessoa que me fez enxergar COMO JESUS ESPERA que nosso relacionamento com Ele realmente seja!

Sei que ele não vai se incomodar de eu dividir esta história aqui. Um dos momentos que mais me marcou, foi uma conversa que nós dois tivemos a respeito de religião e das diferenças entre a igreja evangélica e a igreja católica. Pasmem outra vez: há muito mais semelhanças do que diferenças! É que nós, seres-humanos, orgulhosos e tendenciosos que somos, preferimos apenas olhar – ou talvez preferimos focar – no lado que nos separa.

O Luis me explicou que existem muitas características do catolicismo que foram acentuadas no Brasil por questões culturais – é quando a religião se torna religiosidade. Ele me disse que as imagens dos santos são apenas representações, que teoricamente, serviriam para lembrar os cristãos de figuras que foram realmente importantíssimas dentro da fé cristã, como Maria, Paulo, João, Pedro, e tantos outros.

Eu não quero discutir aqui sobre dogmas, canonização, purgatório, nada disso. A religião católica e a evangélica são sim duas religiões diferentes. Mas é a intolerância que aumenta infinitamente a gravidade de todas estas diferenças.

Voltando ao video da mulher que quebra as imagens, eu como protestante posso pensar em algumas coisas que levariam um ser humano a arrebentar uma imagem religiosa (não somente imagens, mas qualquer objeto que remeta a uma determinada religião). Assim como existem evangélicos fanáticos, existem pessoas fanáticas que frequentam igrejas católicas, centros espíritas, mesquitas, sinagogas, templos budistas, templos hinduístas… Pois é, pasmem novamente: há fanáticos por todos os lados!

Digamos que esta mulher foi católica um dia. E digamos que ela tenha sido uma mulher fanática – além da devoção. Digamos que ela tenha depositado toda a fé dela e mais naquela imagem – veja bem, eu disse naquela IMAGEM. Pode ser que um dia esta mulher tenha tido um encontro real com Deus. Pode ser que ela tenha acordado de uma vida inercial, e que tenha decidido que a fé dela não deveria estar depositada em uma imagem – veja bem, eu disse em uma IMAGEM. Ela pode sim, ter sentido vontade de não ter mais aquele objeto dentro de casa, dentro da sua vida.

Eu sei. As questões aqui vão MUITO ALÉM do que eu estou escrevendo. Eu tenho total consciência disso. Mas será que a resposta para a intolerância é mesmo mais intolerância? Ou seja, do que será que essa mulher precisa de verdade? Melhor ainda: o que JESUS diria ou faria com esta mulher neste momento?

Eu entendo a raiva, entendo mesmo. Sei de histórias de pessoas que utilizavam páginas da bíblia para enrolar baseado – as versões evangélicas da bíblia, pra ser mais precisa. Essas coisas acontecem, e coisas muito piores também. São verdadeiros atentados contra a minha fé, contra a sua fé, contra a fé dos nossos vizinhos. Isso é intolerância, isso é falta de respeito, mas acima de tudo, isso é virar as costas para o maior ensinamento cristão que existe: o amor ao próximo.

O que eu, Gisele, acho desse video? Acho uma infelicidade. Não acho que uma pessoa em sã consciência teria coragem de filmar e publicar um video assim. Não posso julgá-la, não sei qual é sua história, nem o que a levou a fazer o que ela fez, mas tudo isso, se fosse sincero, deveria ter sido feito apenas entre ela e Deus, e mais ninguém. Deus não precisa que ninguém testemunhe sua fé ou suas atitudes, pois Ele tudo vê, Ele está em todo lugar.

O video foi desnecessário, a atitude foi desnecessária, mas toda a onda de ódio sobre esta mulher é igualmente desnecessária.

“João 8

 1 Jesus, porém, foi para o Monte das Oliveiras.

2 E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava.

3 E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério;

4 E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando.

5 E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

6 Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

7 E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.”

Mais amor. Mais misericórdia. Mais respeito. Mais tolerância. De todas as partes.

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Um comentário sobre “Idolatria, Intolerância Religiosa e Como Isso Tem a Ver Comigo e com Você

  1. Que texto maravilhoso Gy. Abençoado e inspirado pelo Espirito Santo. Pq ele fala de amor!!! O amor que Jesus pregou, mas o mundo distorceu tudo. Parabéns! Lindo texto! Bjos

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