Verso Sem Volta


Eu não quero nada de volta, porque nada volta. Muda.

O que foi, por onde passou rasgou, sangrou, amarrotou, fundiu. Luta.

Uniu sentimento e razão, numa nova massa, matéria que não é mais o que um dia foi. Insípida.

O que foi, um dia transparente, no outro tempestade. Inunda.

Se busco o passado, percebo que foi trancado com raiva. Reclusa.

Penso nos dias quentes, nos raios verdes que emitia o olhar. Pulsa.

Lindos raios, hoje mais tortos, menos mornos e sofridos. Culpa. 

Quisera que o tempo fosse bom e piedoso, mas não é. Afunda.

Sinto o talhar da tristeza que lapida o caminho. Bruta.

De semblante apagado a escuridão da lembrança faz soluçar. Oculta.

Como um espelho largo, um lago reflete memórias perdidas. Profundas.

Não quero de volta, a volta não é curva, é linha. Infinita.

Saída cinza, sem raios nem som, nem lagos, nem dom. Consumida.

Se foi, na turva linha a curva deforme que não hesita. Desista.

G.T.G. 05 de Outubro de 2016

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