Tu

Tudo aberto.

Teu número.

Tomo coragem.

“Ai meu Deus, faço ou não faço? Vai, menina. Toma vergonha. Faz de uma vez. Vai. Disca.”

Tuuuuuuuu….

“Eita… 729..23.. Tá mudo. Tá mudo. Deu zica, vou desligar. AI MEU DEUS, TÁ CHAMANDO!”

Tuuuu… Tuuu…. Tuuu….

“ – Alô?” – Tua voz.

“…”

“ – Alô?! …” (… “Quem é?!” Outra voz ao fundo, a tal intrusa, tão sortuda.)

“…”

“ – Alô? … Não sei, um número esquisito. Olha aqui, que estranho o que aparece… Tá vendo?….” 

Mostra a bina.

“ – Alô?… Alô?!?”

“…”

Tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.

“Tá certo. Prende a respiração. Vai! AGORA, PRENDE!”

Tua boca, meu coração. Meu coração na boca, disparado. Um todo.

Tu-tu. Tu-tu. Tu-tu. Tu-tu.

“Segura a respiração, conta até 15.”

Um… Dois… Três… Quatro…

Tempo. Aquele filminho flutuando, os olhos fechados, segurando o nariz. Um dia no sítio, um ônibus, um apartamento, um secador de cabelo queimado. Você consertou. Mas eu te deixei.

…Quinze.

“Solta, dá risada, fica nervosa, dá uma tremidinha. Tá, chega.”

Travei. 

Dois mil e seis. 

É tarde.

Dois mil e dezesseis.

Eu com tu, eu sem tu. 

Eu com vinte, eu sem trinta.

Tudo muda. Todo mundo. 

Tudo. Muda.

Até Eu. E tu.

Gisele T. G., 26/7/16 – Poema dedicado à 2006 e tudo o que ele representou. Certas marcas são para sempre. Certos anos também.

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