Throw Back Thursday – Memórias de Adolescente 

Lá no trabalho nós temos várias piadinhas internas. Uma delas é que todas as quintas-feiras nós nos cumprimentamos de manhã dizendo “Happy Friday Eve!” (“Feliz Véspera de Sexta-Feira!”). Isso sempre ajuda a entrar no clima do fim de semana, mesmo sabendo que ele só começará mesmo umas 32 horas mais tarde.

Essa bobagenzinha sempre me lembra uma história da época da escola. Na oitava série (seria hoje o “nono ano”?) eu era amiga de uma menina que era uma das maiores CDFs da sala. Ela era bem estranha, na verdade, e eu acho que eu era amiga dela por causa disso. Vou explicar.

Eu nunca fui CDF. Sempre fui boa aluna, mas não era a melhor aluna da sala. Eu sempre consegui equilibrar minha vida social com minha vida “profissional” na época da escola, então tirar dez em tudo não era prioridade. Oito e meio estava ótimo. E eu tinha várias amigas, então a vida era bem tranquila, uma paz só.

Minhas amigas eram como eu, e são ainda. Somos amigas até hoje. Menos essa, que sumiu do mapa depois de decidir sair do armário (no sentido rebelde da palavra, no começo dos anos 2000). Na sala de aula era uma CDF. Sentava na primeira carteira da fileira do meio. Cara a cara com a lousa. Não usava maquiagem, não fazia escova no cabelo, não tirava a sobrancelha e optava por um tênis marrom esquisito que não ornava em nada com o nosso uniforme azul royal e amarelo (não que o meu Allstar pink combinasse muito, mas pelo menos demonstrava mais personalidade).

Só que fora da escola ela era outra pessoa, e isso me intrigava. Usava umas roupas legais da moda, tinha coisas legais da moda, falava coisas legais da moda, e fazia coisas que iam absurdamente contra as regras de ser um CDF – ela fumava escondido! Lembro até hoje a vez que ela estava lá em casa e abriu um potinho daqueles mini M&M’s (aqueles de plástico, em format cilíndrico, que tinham uma tampinha, alguém mais lembra?), e disse com a maior cara lavada do mundo: “ – Quer?”

Tipo isso, só que as pessoas normais usavam pra guardar moedas…


Eu achei que era M&M’s, e lembro do susto e da CARA honesta de incredulidade com olhos mega arregalados e boquiaberta que eu fiz na hora que vi que dentro do potinho colorido tinha uma fileira de cigarrinhos, todos alinhados. Quase caí da minha cama. Ela era louca de pensar que eu ia querer fumar um cigarro! “ – E na casa dos meus pais?! DE JEITO NENHUM!” – acho que no fundo, a CDF era eu.

Enfim, não fumamos. Eu, na verdade, nunca nem vi a tal dando um trago se quer. Será que era verdade que ela fumava? Ou será que ela só tinha aquele potinho pra fingir, com muita vontade, ser quem ela não era? Ou será que ela era aquilo mesmo e na escola se fazia outra pessoa? Até hoje me dá um certo repúdio de pensar que existe gente assim e como começam cedo essa manipulação (14 anos, pô! Eu achava que ela era B.V.!).

Bom, tudo isso pra dizer que lembro de um dia que ela estava lá em casa, e era uma quinta-feira. A gente morava bem perto, íamos a pé até a casa uma da outra, e nos víamos fora da escola o tempo todo. Que ano louco foi 2000. E naquela quinta-feira (“yeahhh… cinco malandro em volta da fogueira yeahhh… fogueira yeahhhh…” – não resisti, tá, parei) minha mãe, que na hora estava em casa, fez algum comentário sobre lição de casa e a garota respondeu que ela se recusava a fazer qualquer trabalho de escola nas quintas-feiras, porque para ela esse era o dia que o final de semana começava.

Mas olha que controvérsia, ela nunca deixava de fazer lição. Ela fazia as tarefas adiantadas até quarta-feira porque de quinta a domingo se recusava a estudar. Como pode alguém ser CDF de segunda a quarta e malandra de quinta a domingo?! Até hoje não consigo entender. E o pior é que na escola ninguém desconfiava dessa dupla personalidade, nem mesmo os professores! Quanta injustiça! (Ok, esta é a Gisele de 14 anos dentro de mim falando mais alto.)

De vez em quando, apesar da saudade da vida despreocupada e sem compromissos que eu tinha, me sinto aliviada de não ser mais adolescente. Eu até que sobrevivi bem àquela fase. Não acho que sou muito sequelada emocionalmente, sabe? Bom, essa história aqui é claro que é uma das mais bobinhas, minha adolescência não se resumiu a esbugalhar meus olhos cada vez que via algum conhecido fumando cigarro… Mas as fortes emoções foram registradas nos meus diários! 

Ainda bem que meu Blog não é pra contar sobre minha adolescência, né? Ufa. 

Momento historinha chega ao fim.

Now, back to reality.

Gi

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