O Fio

Não dá pra saber o que vai acontecer no segundo seguinte.

Os segundos não param, não seguram, não soam.

Apenas seguem, segundo a segundo, nem primeiro, nem último.

Não importa se é o jovem ou o velho, ou o branco ou o preto, o direito ou o esquerdo. 

O fio segue, continuamente, sem trégua, sem freio.

Se é mais longo ou mais curto, o fio é o fio. Seco e vazio. 

Quando rompe, repente, responde, doente. Sem rumo, dormiu.

No corpo o fio líquido, fora dele é todo luz.

Se líquido, vaza, escorre de dor em cruz. Se luz, amorna, sem som nem jus.

Se o fio se vai, num segundo capaz, escoa, molha, mancha, desfaz. À luz, em paz, o silêncio se faz.

Foi-se o fio, segundo a segundo, o velho, o novo, o fraco e o viril. 

Não importa mais. Só fica saudade, lembrança, história de amor juvenil.

Se foi, num segundo, dormente, o fio. Segundos seguidos, semblantes vazios. O choro, os olhos, a voz que partiu. 

A luz que ficou, o fiasco do frio, calor da esperança que é viver por um fio.

Gisele T. G. – Em memória daqueles que partiram cedo demais.

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