A Família Perfeita

Vamos falar a verdade: depois do Natal, a data comemorativa que mais mexe com as cabeças e corações das pessoas é o Dia das Mães. Eu, particularmente, tenho o privilégio de ter a família que tenho, por isso faço parte da baciada de pessoas contentes e sorridentes em tais datas comemorativas.
Mãs não sei se é porque agora, mais velha e casada, consigo enxergar certos detalhes que antes não era capaz de enxergar, que parei para pensar no peso que existe nesta instituição divina: a família.
“Amai-vos e multiplicai-vos”, Ele disse.
Estou aqui, calculando minuciosamente minhas palavras, porque tenho ao meu redor pessoas que amo muito mas que vivem neste momento realidades absolutamente opostas. Tenho uma prima que acaba de ganhar bebê. Uma amiga muito próxima que está grávida. Mas também tenho uma outra prima que não pode engravidar, e outra amiga muito próxima que simplesmente não deseja ter filhos.
Todas elas são casadas, e muito bem casadas. São casais normais, lindos casais, todas na mesma faixa etária, todas crias da mesma geração, todas de boa índole, todas de imensa fé em Deus. Todas elas de família estruturada, com pais, mães, avós, tios, tias. Todas elas convivem com suas famílias e enfrentam os problemas que qualquer moça de 30 e poucos anos enfrenta. Todas elas pessoas maravilhosas. As quatro são estudadas, graduadas, pós-graduadas. Todas idependentes, com uma carreira, com hobbies diversos, e habilidades incríveis. Todas cozinham muito bem. Umas melhores nos doces e outras nos salgados, mas ninguém resiste a um convite de jantar em suas casas, porque o papo é ótimo e a comida é sensacional.

As quatro são assim, cada uma parecida comigo de algum jeito. Eu entendo as quatro, admiro as quatro, e penso que é injusto viver num mundo onde – partindo do principio de que a sociedade é o lixo que é – não podem ser todas consideradas felizes e realizadas.
Mas sabe o que é o pior? O motivo. Uma porque tem filho e não deixou de trabalhar. Outra porque terá um filho e não irá trabalhar. Outra porque ainda não tem filho – não pode – “por quê não adota, então?”. Outra porque não quer filhos e só quer trabalhar. Nessa sociedade suja e injusta, todas estas quatro moças sofrem, seja de um jeito, seja de outro. Seja diretamente ou não.
Eu escuto sempre “e você, Gisele, não quer ser mãe?” – honestamente? Não sei. Nem sei se poderia sê-lo, pois nunca tentei engravidar. Minha vida anda tão boa que não sinto falta de nada. Dizem também que “ah! Isso muda! Isso passa!”—E se não passar? Não sei o que os outros tem a ver com isso!
Pelas minhas primas e amigas, digo apenas que me orgulho imensamente de todas elas. Todas elas fizeram as escolhas corretas, porque são escolhas que dizem respeito às suas próprias vidas. Eu as admiro muito por isso tudo e principalmente pela coragem que elas quatro têm de viverem suas vidas como lhes convém! (Sem dever satisfação a ninguém!)
Quanto à mim e tantas outras moças, que de nada tem certeza, só digo uma coisa: a família perfeita é a que nos aceita como somos. A família perfeita é o reflexo do nosso coração. Ela é feita de muitas maneiras, composta por muitas variáveis, e não, não exite um padrão, uma fórmula única que sirva para todas as pessoas para que se consiga construir uma família perfeita.
Está na hora de começarmos a aceitar que cada um tem sua verdade, e que podemos conviver todos em paz com isso, respeitando uns aos outros sempre.
Pense nisso.
G.
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