Àquela que Sabe de Mim

Já passa da meia-noite de um dia tão longo que eu pensei que não terminaria jamais.
A vida, às vezes, é como um mar agitado, e a gente não sabe se pula, se espera, se fecha os olhos ou se segue em frente.

Mas mesmo no meio de um turbilhão – e de uns e outros tentando fazer (sem motivo aparente) com que a gente acredite que está fora de si – existe sempre uma pombinha branca que sobrevoa a nossa cabeça.

Por mais forte que seja a tempestade, se a gente olhar para o céu e prestar muita atenção, ela estará lá. Alva, pura, e pronta para nos resgatar.

Assim como algumas pessoas podem ser um vendaval nas nossas vidas, destruidoras e sem compaixão, outras são como uma gota de esperança, de amor e leveza. São como uma passagem para o caminho da luz, para o lado seguro da superfície, longe da dor da tormenta.

Eu tenho uma pessoa assim. Não sei o que fiz, mas devo ter feito algo de muito certo nesta vida para que Ele a tenha colocado tão prontamente em meu caminho. Ela é a parte que me completa, ela é a minha força nos momentos mais horríveis, é a minha voz sábia nos momentos de desilusão.

Eu tenho uma pombinha branca, linda, leal, forte e incomparável. Nos momentos de felicidade, não há sentimento mais contagiante do que o de poder compartilhá-los com ela. A alegria é tamanha que transborda por todos os lados. Ela preenche a minha vida. Ela sabe sentir o que eu sinto sem que eu precise abrir a boca para explicar. Ela fica mais feliz do que eu com as minhas conquistas, e acredita mais na minha capacidade do que eu mesma jamais poderia acreditar. E quando tudo dá certo ela diz: “Mas eu já sabia! Eu tinha certeza! Te falei, você não se lembra?” – com o sorriso mais natural de quem já viu aquele final feliz se repetir tantas outras vezes.

Ela me conhece tão bem que de vez em quando tudo o que eu preciso fazer é “cuspir” um nome. Ela já entendeu. Sacou tudo o que aconteceu. Vem e me diz: “É, é difícil. Mas isso vai passar”. E tudo fica bem. Ela tira o peso que tem dentro do meu peito como se pudesse tirá-lo com a própria mão.

Quando eu perco a razão, ela é a primeira a me procurar e com a maior honestidade do mundo – e com a autoridade de uma primogênita – puxa a minha orelha, fala firme, olhando nos meus olhos “Gisele, já deu”. E tudo se dá. Quando a bronca vem dela a coisa sempre se ajeita. Querendo ou não querendo, ela sempre me empurra pra frente. Porque ela é assim, uma luz que abre o meu caminho.

Eu nunca vou encontrar nesta vida outra pessoa como ela. Nunca vou encontrar alguém fora do meu corpo que conheça tão bem meu espírito. Não há sangue, não há parentesco. Não há nada além do verdadeiro, raro, único e insubstituível amor fraterno que nos une. Um sentimento facultativo que a gente escolheu sentir uma pela outra.

Graças a ela eu tenho certeza de ser o que sou. Graças a esta pessoa que me olha com tanto carinho, que enxerga em mim um ser humano muito melhor, que bota fé na minha existência e que me aceita incondicionalmente à minha maneira.

Minha irmã Carolina, este texto é para você. Meu amor, minha admiração e minha gratidão pela sua vida são imensuráveis. Não poderia deixar de expôr aqui o seu nome, porque neste texto não há lugar para nenhuma outra pessoa. Aqui não há nenhuma “carapuça”, e sim uma explícita homenagem àquela que sabe de mim como ninguém mais. Minhas palavras jamais poderão demonstrar a profundidade do que eu sinto por você, minha irmã por escolha. Obrigada por ser quem você é, e por me ajudar a ser a pessoa que eu sou. Amo-te, irmã. Até a eternidade.

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